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Review: Intel Core i5 661 “Clarkdale”

(Pré) CES 2010 — O Zumo teve acesso a uma amostra do novo processador Intel Core i5 Clarkdale, anunciado hoje junto com uma placa-mãe Intel DH55TC Media Series, baseada no chipset Intel H55 (à direita). Esse é nosso primeiro contato real com a plataforma Westmere, que pretende ser a nova referência de mercado e o sucessor dos Core 2 Duo para os desktops de linha em 2010.

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O modelo recebido por este Zumo foi um Core i5 661 de 3,33 GHz (~ 3,6 GHz em Turbo) que parece ser a melhor opção entre preço e desempenho (US$ 196) se comparado, por exemplo com o modelo topo de linha i5 670 de 3,46 GHz (~ 3,73 GHz em Turbo) e que sai por US$ 284 (sempre preço unitário nos EUA para lotes de mil peças).

É interessante notar a existência de um modelo i5 660, que aparentemente custa o mesmo que o i5 661 e consome menos energia. Dando uma olhada na documentação já divulgada pela Intel podemos observar que os processadores modelos 650/660/670 parecem ser mais voltados para o mercado corporativo com seu suporte para vPro, VT-d etc. enquanto o modelo 661 possui uma GPU ligeriamente mais veloz (900 MHz contra 733 MHz) o que pode ser mais atraente para o usuário doméstico.

Como era de se esperar, em termos de encapsulamento e apresentação, não existe nenhuma diferença visível entre o Core i5 750 “Lynnfield” (à esquerda) o novo Core i5 661 “Clarkdale”, já que as pastilhas de silício ficam cobertas por uma capa metálica que aumenta a àrea de contato com o cooler tornado o processo de transferência de calor mais eficiente.

Note que o Clarkdale que recebemos veio marcado apenas como “Intel Confidential” o que identifica os chips de pré-produção usados pela engenharia da empresa e seus parceiros para avaliação e desenvolvimento de seus produtos antes do seu lançamento oficial. Muitos entusiastas adorariam ter um destes, já que eles costumam vir destravados.

No verso dos chips podemos notar mais diferenças em especial nos componetes SMD soldados no seu verso. O pontos de contato seguem o padrão do soquete 1156.

Uma das grandes novidades do Clarkdale é o chamado iGFX (à esquerda) formado pela aceleradora gráfica Intel GMA HD mais o controlador de memória DDR 3 e o controle do barramento PCI Express) e, à direita, o processador dual core de 32 nm baseado no Nehalem com HT, resultado assim em quatro threads (o mesmo disponível no Lynnfield com seus quatro núcleos sem HT). Curioso notar que o iGFX é bem maior que o núcleo de processamento, provavelmende devido ao fato do mesmo ter sido originalmente projetado para ser usado no Havendale, um chip que foi pro saco em favor do Clarkfield.

Ao contrário do que muitos podem esperar, o novo Intel HD não é voltado para jogos 3D avançados e sim para oferecer uma melhor experiência de uso com o Windows 7, em especial no processamento e reprodução de vídeo em Full-HD (incluindo DXVA-HD e Blu-ray), incluindo um novo suporte para duas saídas em HDMI ao mesmo tempo e algumas façanhas visuais como PIP (Picture in Picture). Segundo a empresa, o Clarkdale oferece suporte para DirectX 10 e OpenGL 2.1. O novo sistema é compatível com HDMI e DisplayPort, permitindo assim melhor suporte de áudio como Dolby TrueHD e DTS-HD Master Audio multi-channel bitstreaming.

A Plataforma:

O processador veio acompanhado de placa-mãe modelo DH55TC “Tom Cove” baseada no chipset H55, aparentemente mais indicada para uso doméstico. Trata-se de uma placa ATX-mini equipada com todos os componentes que considero essenciais para a montagem de um desktop de uso geral e sem extravagâncias.

A Intel costuma investir em plataformas desse tipo mais para acelerar a assimilação e consequentemente alavancar as vendas de seus novos chips do mercado do que brigar com o pessoal de Taiwan, que costuma vir na cola com produtos mais elaborados.

No caso do Clarkdale essa estratégia é ainda mais importante, já que as placas-mãe já disponíveis para o Lynnfield (baseadas no P55) não oferecem suporte para seu chip de vídeo integrado. Segundo a Intel, o Lynnfield poderia até ser usado na DH55TC, mas sua saída de vídeo on-board não funcionaria o que também acontece com o Clarkdale em uma placa-mãe com P55, já que nem saída de vídeo on-board ela tem. A solução em ambos os casos seria a instalação de uma placa de vídeo discreta no seu slot PCI-E x16.

De fato, o suporte de vídeo parece ser o ponto forte dessa placa, já que ela já vem com três saídas de vídeo: SVGA analógico, DVI e HDMI. Seu sistema de áudio é do tipo HD da Realtek.

Sob Testes:

Além da placa-mãe e processador, o sistema fornecido pela Intel Brasil veio equipado com 4 GB de SDRAM DDR 1333 MHz montado em dual channel e um disco rígido Hitachi Deskstar HDT721032SLA360 SATA 300 de 320 GB e 7.200 rpm. O sistema operacional utilizado foi o Windows 7 Ultimate.

A primeira coisa que foi dar uma olhada no CPU-Z 1.52.2 para ver as especificações do processador. É interessante notar como ele conseguiu identificá-lo corretamente:

Fiz o mesmo com o GPU-Z 0.3.8, onde podemos ver mais alguns detalhes do Intel GMA HD. Interessante notar que o mesmo é identificado como um chip Havendale de 45 nm e — surpresa! surpresa! — nenhum suporte para OpenCL e DirectCompute (boo!). Fico imaginando o que esse diabinho seria capaz de fazer com esses recursos.

Só para ter certeza, rodei o DirectCompute Benchmark e realmente o GMA HD não conta com esse recurso (ops!)

Assim não é surpreesa ver que a aceleradora gráfica segurou a nota do Índice de Experiência do Windows 7.

Mas isso aparentemente não interfere na sua capacidade de reprodução de conteúdo em HD, talvez porque o GMA HD oferece suporte para DXVA.

Nos outros testes, o Clarkdale bateu 198  pontos no Sysmark 2007 Preview 1.05 6.831 pontos no PCMark Vantage e 5.379 pontos no 3DMark Vantage (modo Entry) e 467 pontos no modo Performance. No AutoGK 2.45, o sistema levou apenas 47m48s para transformar um filme em DVD para um arquivo AVI de 700 MB. O processo oposto (criar uma imagem de DVD a partir de um arquivo de vídeo)  feito com o DVDFlick 1.3.0.6 foi de 2h27m16s utilizando um thread e 1h55m42s com quatro Threads.

Para avaliar o desempenho do processador rodamos o CINEBENCH R10 e os resultados foram os seguintes:

Rendering (Single   CPU): 3.853 CB-CPU
Rendering (Multiple CPU): 8.838 CB-CPU
Multiprocessor Speedup: 2.29
Shading (OpenGL Standard): 2.578 CB-GFX

O Super-Pi do David Lopes:

E segundo o EEcoMark 1.0.0 384 (sem considerar o uso do monitor) nosso sistema consumiu em média 36,17 watts em idle, 2,45 watts no modo sleep e 1,56 watts em off segundo o Energy Star V4. No V5 o sistema mediu 34,73 watts em idle, 2,45 watts em sleep e 1,57 watts em off. Impressionante…

Para se ter um cenário de uso mais real, eu peguei meu4 medidor de energia e monitorei o sistema rodando o PCMark 2005. Na média ela consumiu em média de 46,7 watts com picos de 79,8 watts. De novo: IMPRESSIONANTE…




Se comparado com os resultados obtidos com o Core i5 750 Lynnfield em especial nos testes de desempenho da CPU, pode-se ter a impressão de se o novo Core i5 661 Clarkdale encosta e até supera o Lynnfield, mas essa afirmação deve ser vista com uma certa prudência já que o i5 661 roda a 3,33 GHz (~ 3,6 GHs em Turbo) contra os 2,66 GHz (~ 3,2 GHz em Turbo) do i5 750. Digno de nota é notar que a nova plataforma baseada no Clarkfield consegue ser mais veloz que seu irmão mais velho consumindo menos energia. Isso graças ao uso de menos núcleos de processamento e do processo de fabricação de 45 nm — novamente a boa e velha Lei de Moore em ação.

Mas se o Clarkfield é só coisa boa no lado do processador, não dá pra jogar tanto confete assim na sua aceleradora gráfica integrada. Não há de se negar que o GMA HD representa um avanço se comparado com o GMA X4500HD, mas continua sendo uma GPU mais voltada para “cumprir tabela” atendendo plenamente as necessidades que o usuário precisa para ter uma boa experiência de uso no seu PC com Windows 7 além de processar e consumir conteúdo em HD, o que significa (a meu ver) que ele não represente uma ameaça para a concorrência quando o assunto é processamento 3D de alto desempenho, ainda mais agora que o projeto da GPU Larrabee foi para o freezer para ser descongelado sabe-se lá até quando…

De qualquer modo, o GMA HD se encaixa perfeitamente na estratégia da Intel de oferecer uma plataforma melhor, mais simples e até mais econômica para o segmento de desktops mainstream que, no final das contas, ainda é onde fica a maior quantidade de vendas. O interessante é notar que o Clarkfield também estará presente no segmento de entrada e mesmo de valor com a oferta dos processores Core i3 e do ainda pouco falado Pentium G6xxx ,que podem fazer sucesso em especial nos chamados países emergentes como o Brasil onde ainda vai se comprar muito o primeiro desktop ou mesmo substituir o velho.

Para mim o Clarkdale é o produto certo para a hora certa.

Resumo: Processador Core i5 661
O que é isso? Processador com GPU integrada para desktops mainstream de uso geral.
O que é legal? Ótima capacidade de processamento aliada à um menor consumo de energia, bom suporte para vídeo em HD.
O que é imoral? Sua aceleradora gráfica continua a não impressionar em 3D. Nenhum suporte para GPGPU.
O que mais? Existem versões mais voltadas para uso profissional (Core i5 6×0) e doméstico (Core i5 6×1) preste atenção nisso na hora da compra.
Avaliação: 8,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: ainda não divulgado
Onde encontrar: www.intel.com.br

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Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.