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Review: impressora matricial Oki Microline 1120

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Legítimo celacanto do gênero Latimeria da computação pessoal, as impressoras matriciais ainda são uma presença constante em lojas e empresas que precisam emitir notas fiscais em várias vias. Sob esse ponto de vista, a impressora Microline 1120 da Oki Printing Solutions pode não ser considerada um sonho de consumo, mas ela procura atender seu público-alvo que não está muito preocupado com sofisticação per se, preferindo sim algo simples e robusto e que não os deixe na mão na hora do trabalho.

Medindo aproximadamente 35 x 15 x  23 cm (LxAxP) e 4,2 kg de peso, a Microline 1120 é uma impressora de 80 colunas de 250 cps (caracteres por segundo) com um preço sugerido de R$ 799, um valor bem mais em conta que, por exemplo, a Microline 420 (R$ 1.599). Quando colocadas lado a lado, podemos notar que, além de um desempenho mais modesto, a 1120 tem um MTBF de 10 mil horas, 64 KB de RAM e garantia de 1 ano, contra 20 mil horas, 128 KB de RAM e 3 anos da 420.  Em contrapartida, a 1120 já vem com porta serial – na 420 ela é opcional. Em ambos os casos, a cabeça de impressão tem a mesma vida útil (400 milhões de caracteres) com ajuste de distância para imprimir até cinco vias ao mesmo tempo (apesar de a escala marcar até seis).

Além disso, seu cartucho de fita (código 52122401) é vendido em pacotes de duas unidades com autonomia estimada de 8 milhões de caracteres e tem preço sugerido de R$ 16,90. Já o cartucho para o modelo 420 (código 42377801) tem autonomia de 4 milhões de caracteres e sai por R$ 45 cada.

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A partir disso, acredito que enquanto a Microline 420 é mais adequado para produtividade, o modelo 1120 é um produto mais simples e voltado para ser espalhado em diversos pontos de venda, onde a demanda de impressão não é muito intensa, mas a disponibilidade precisa ser algo desejável. Seu baixo custo por página impressa também pode ser aproveitado em procedimentos internos de uma empresa que não demandem qualidade de apresentação ou mesmo em ambientes escolares para substituir o bom e velho mimeógrafo.

A impressora já sai de fábrica com uma porta USB, paralela e serial (um item ainda muito apreciado em automação comercial), todas elas ficam ocultas na parte de baixo da impressora, o que ajuda a racionalizar a área ocupada pelo equipamento. Também podemos ver (abaixo) a entrada inferior de formulário contínuo.

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A Microline 1120 pode imprimir tanto com formulário contínuo quanto folhas individuais, bastando para isso apenas movimentar uma alavanca lateral. Ao sair da caixa, o produto já vem com o alimentador de papel avulso e o trator de papel montado na parte de trás da impressora. Nesse modo o trator “empurra” o formulário para dentro da impressora, o que permite alinhar o início da primeira folha com a cabeça de impressão…

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… e dependendo da necessidade, alguns de seus componentes podem ser removidos para adaptá-lo para necessidades específicas:

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Por exemplo, é possível remover a guia superior de papel e encaixar o trator de formulário contínuo, o que permite puxar o papel através da sua abertura na base. Apesar de ser mais eficiente, nesse caso costuma-se perder a primeira página toda vez que recolocamos o papel no trator.

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Seu painel de controle é bastante simples e direto para suas funções básicas como LF/FF, Load/Eject e Tear. Já as funções dos botões SEL + alguma coisa (Font, Pitch etc.) e o significado das luzes de estado só podem ser decifrado depois de uma boa leitura do manual do usuário. Mas dependendo do caso isso pode ser até ignorado, já que muitos desses ajustes também podem ser feitos por meio do seu driver de impressão.

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Sob Testes:

Por utilizar uma cabeça de impressão de nove agulhas, não devemos esperar muito (ou até mesmo nada) em termos de qualidade de impressão principalmente sob o Windows. Para simplificar as coisas, utilizei o notepad para enviar texto “puro” para a impressora e medimos o tempo necessário para imprimir uma página de formulário contínuo no formato carta.

No geral, a Microline 1120 imprime em três modos, o mais veloz chamado de rascunho (333~375 cps) voltado para desempenho:

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O modo  normal ou utility (250 cps) que é um meio termo entre desempenho e qualidade:

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E o modo próximo a carta ou silencioso (62,5 cps), mais voltado para qualidade. Como isso é obtido reduzindo-se a velocidade da cabeça de impressão, isso também resulta numa operação menos ruidosa, que chuto estar na faixa dos 45~46 dBA. Isso é alto ou baixo? Tire suas dúvidas aqui.

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Nos testes realizados a impressora da OKI levou:

  • 53,91 segundos para imprimir uma página no modo rascunho.
  • 78,22 segundos no modo normal.
  • 155,06 segundos no modo silencioso.

Fiz também algumas medições de consumo de energia em watts e — como era de se esperar — podemos ver uma relação direta entre velocidade de impressão e consumo de energia. Para imprimir a mesma página, a Microline 1120 consumiu uma média de 20,7 watts no modo normal, 23,5 watts no modo rascunho e 18 watts no modo silencioso. Como as medições foram feitas nessa sequência, os resultados podem ser vistos no mesmo gráfico (abaixo):

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Em pleno século 21, a Oki Microline 1120 é realmente um produto de nicho que sobrevive num mundo onde palavras como alta resolução, computação visual e conteúdo rico não combinam bem com seu perfil. Mas como disse no início desse review, essa impressorinha da Oki não tem pretensões de bater nenhuma jato de tinta ou uma laser, mas que faz bem aquilo para que ela foi projetada: imprimir em formulários de múltiplas vias por um preço atrativo. O que mais me intriga nesse produto é que, apesar de oferecer um bom suporte para sistemas operacionais meio antigos como DOS, Unix, Windows 95, 98, 2000 e XP, o mesmo não pode ser dito de sistemas mais novos, em especial o Windows Vista. E com o Windows 7 já assando no forno, pode ser que tal suporte nunca exista.

Resumo: Oki Microline 1120
O que é isso? Impressora matricial de 9 agulhas para formulário contínuo de 80 colunas.
O que é legal? Construção sólida, preço atraente.
O que é imoral? Se comparado com a laser ou jato de tinta, seu desempenho é modesto. Sem suporte para Vista.
O que mais? Sua fita é vendida em kits de 2 unidades, o que torna seu custo de impressão mais atraente.
Avaliação: 4,5 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 799
Onde encontrar: www.oki.com.br


Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • “O que mais me intriga nesse produto é que, apesar de oferecer um bom suporte para sistemas operacionais meio antigos como DOS, Unix, Windows 95, 98, 2000 e XP, o mesmo não pode ser dito de sistemas mais novos, em especial o Windows Vista.”

    Nagano, quantas lojas usam o Vista na ponta? Existe alguma?

  • E não é que o teste era de uma impressora matricial NOVA??? Parabéns pelo teste. Gostaria de contar com uma impressora matricial compacta, como a antiga Elgin Lady 80. Será que existe?

  • Anderson

    Uma especulação: talvez seja possível instalar essa impressora no vista (ou Windows 7) com drivers genéricos, que estão presentes no banco de drivers do Windows e que nunca lembramos que existem pois geralmente é preciso forçar a instalação quando temos que instalar uma impressora matricial no computador dedicado ao faturamento, ou mesmo alguns modelos de impressoras térmicas (eu mesmo já fiz muito isso quando estava na ativa, fazendo manutenção)

    Quanto ao ruído, uma matricial desse nível operar abaixo dos 50dBA é incrível. Considerando a utilização em um escritório com apenas cinco pessoas localizado próximo a algum centro comercial (tipo Av Paulista, Pça da República, Pça da Sé) posso concluir que sua operação beira o imperceptível. Eu havia visto tal requinte em modelos de 24 agulhas de 132 colunas. Algumas dessas, como a Epson 1170 e 2170, tinham uma qualidade de impressão que para olhos não treinados, considerando apenas a impressão de textos, era igual a das impressoras jato de tinta da época, que eram a HP Deskjet 500 (um dinosauro até mesmo para aquela época por conta do seu design), os primeiros modelos HP Deskjet da série 600 e as Epson Stylus Color, que infelizmente não lembro a série (acho que era 500).

    Eu particularmente ouço que as matricias vão morrem desde quando as impressoras jato de tintas se popularizaram.

    As matricias só serão sepultadas caso baixe alguma lei que defina que a NF Eletrônica seja a única forma de fazer NFs. O que também mataria as gráficas, algumas tiveram que rebolar para sobreviver, mas outras nem tanto.

    A próposito Mário, como vc faz os testes de consumo?

  • Walter Mercado

    Saudades da minha LX-300, custou uns 300 reais depois de alguns anos ainda vendiam nova só que por 3 vezes o valor original…

    Fazia tempo que não lia um review embasado assim. :p
    Acho que tô ficando velho.

  • ótimo review, Mr. nagano.

    no trabalho temos uma epson LQ-1070+ mais barulhenta do que trânsito na hora do rush.

    E, “A próposito Mário, como vc faz os testes de consumo?” [2], medindo a amperagem com um multimetro e depois multiplicando pela voltagem?

  • Renato

    Mario,

    eu tenho essa máquina e de fato ela é muito boa mesmo! Não faz barulho e o fato de ser bonita, não tenho receio em deixar no meu balcão.
    Uma coisa boa, é que tem USB e a entrada de papel por baixo. Isso ajuda muito pra deixar encostada na parede.
    Eu tinha uma LX300 que só dava trabalho.. vivia na Assistência Técnica!! Por que ela quebra tanto? Você já fez algum teste com essa?
    Obrigado pela matéria. Super bacana!

    Abração
    Renato

  • Lucas Jardim

    As matriciais são muito boas pq elas preenchem notas fiscais ja prontas, que normalmente ja vem da contabilidade numeradas e que so falta colocar os dados do cliente.

    Até hoje não consgui achar um programa que funcione com impressoras jato de tinta ou laser, que preencha um formulário ou nota fiscal ja pronta, sem errar as margens.

    O problemas de impressão matricial e para escanear e, principalmente, tirar “xerox”. Alguem ja tentou tirar cópia e material impresso em matricial?? só mesmo se a tinta estiver bem visível e o espaço entres os pontos forem bem pequenos, o que e raro, entre matriciais.

  • Cicero

    parabéns pelo trabalho de pesquisa da realmente gosto em ler