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Review: Ford Focus Hatch Titanium Plus 2.0 PowerShift

Durante uma semana, percorremos 688 km a bordo deste gadget-gigante-sobre-rodas na cor Vermelho Bari chamado Ford Focus Hatch Titanium Plus 2.0 PowerShift.

A lista de recursos geek contava com o melhor da atualidade, de Park Assist a sensor de pressão de pneus, passando por faróis direcionais de xenon e sistema multimídia com comandos de voz.

Anunciado na TV como a “Tecnologia do futuro na sua garagem” e cheio de referências a franquias cinematográficas hi-tech, como Star Wars, Blade Runner e Tron…

… suas credenciais indicavam que teríamos mais um árduo, tecnológico e prazeroso teste: o Ford Focus Hatch Titanium Plus 2014/2014 veio equipado com motor Duratec Direct Flex de 178/175 cv (etanol/gasolina) e câmbio PowerShift de dupla embreagem e seis marchas (yaaay!)

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PISA AÍ MARILU!

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Fiord_Focus_powershift_2014_frente

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No primeiro dia, ao desligar o alarme do Focus, tivemos uma recepção festiva. Acendem-se os LEDs de iluminação diurna, abrem-se os espelhos retrovisores rebatidos automaticamente e todas as quatro luzes de leitura são ligadas.

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Ao entrarmos no veículo, duas telas de LCD se iluminam. A primeira, localizada entre o velocímetro e o conta-giros, tem 4,2 polegadas…

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… e a segunda, de 8 polegadas, integra a central multimídia MyFord Touch e exibe o logotipo da marca em uma saudação ao estilo “Hello, World”.

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Os bancos dianteiros adotam um visual mais esportivo, com abas laterais avançadas e suporte reforçado para lombar e costas. Para o motorista, o carro oferece ajuste elétrico do banco em todas as direções. O único pecado do banco é o apoio de cabeça com limitador mínimo de altura que não permitia baixá-lo até a altura dos olhos. Mesmo assim, baixinhos como eu (1,63 m) não deixarão de estar protegidos, ok?

Visual furioso

O torque dos 221 Nm a 4.500 rpm com etanol (211 Nm a 4.500 rpm com gasolina) do Focus Titanium surpreendeu. Experimentamos saídas de semáforo aos saltos e ultrapassagens na estrada sob leves toques no acelerador — tamanha era a força do powertrain do carro.

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Além disso, pelas retomadas ágeis, notava-se um bom entrosamento entre a caixa automatizada PowerShift e o motor de injeção direta Duratec Direct Flex 2.0.

Marilu comenta: Ok. Até aqui tudo lindo, divino e maravilhoso. Mas por que raios o Focus não tem paddle-shifts? Como é que pode um carro de apelo mais esportivo trazer câmbio de seis marchas e dupla embreagem e não oferecer as borboletas para troca sequencial no volante?

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E tem mais: esse recurso não está disponível nem como acessório. O Focus é gostosinho de guiar sim, mas ficaria ainda mais interessante se tivesse as borboletas. Experimentei esse recurso pela primeira vez em um Audi A1 e virei fã. #EscribaChata

Vimos ainda as frequentes expressões de espanto dos outros motoristas, causadas pelo desempenho desse hatch de teste, quando os reencontrávamos no próximo farol vermelho da mesma via.

À noite, o visual do Focus mete medo. Além das linhas laterais agressivas…

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…e das rodas escurecidas de liga leve 17 polegadas (com pneus 215/50 R17)…

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… a iluminação direcional dos faróis de xenon aliada aos LEDs dianteiros fazia o Ford ser facilmente confundido com algum importado. Algumas pessoas chegaram a perguntar se dirigíamos um BMW Série 1 ou um Volvo V40.

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Outro recurso bem interessante é a presença de uma luz de cortesia localizado na base do retrovisor:

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Pé na estrada

Na parte rodoviária da avaliação, a tecnologia do carro mostrou seu poderio. O LCD colorido do GPS exibe imagens de ótima resolução e seu banco de dados integra-se com outros sistemas, como o de reconhecimento de voz.

Segundo a Ford, são mais de 10 mil os comandos vocais em português do Brasil e eles interagem com todos os módulos da central multimídia. Infelizmente, o ditado de SMS não funcionou conosco porque nosso celular (Apple iPhone 5 com iOS 7.1) não era compatível com essa funcionalidade.

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Para buscar endereços no GPS, o software trabalha com o recurso de autocompletar de campos ou com uma lista de resultados encontrados com quantidade de matches. Prático e intuitivo. No LCD central de 4,2 polegadas, indicações com ícones mostram as direções do roteiro a ser seguido sem que o motorista tire os olhos do painel.

Aprovamos ainda o computador de bordo no modo de visualização estilo dashboard, que permite monitorar até quatro informações simultâneas: hodômetro parcial, autonomia e consumo instantâneo e médio de combustível. Esse versátil visor também exibe informações gerais, como o estado dos faróis ou das portas.

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O ar-condicionado digital bizona funcionou perfeitamente e tinha uma tela própria de controles na central multimídia sensível ao toque. O único porém foi a trava da opção Dual. Após acionada, ela sempre desativava a qualquer novo ajuste na temperatura.

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Graças ao acerto da suspensão (dianteira Macpherson e traseira Multilink), ao conjunto motor-câmbio azeitado e ao conforto geral da cabine, nosso teste rodoviário foi um dos melhores que fizemos. Não parecia que tínhamos rodado por 6 horas em estradas do interior de São Paulo e do sul de Minas Gerais.

Marilu comenta: Chegamos aos nossos destinos muito bem. Nem parecia que tínhamos rodado tanto em apenas dois dias de estrada.

Mais testes

O consumo geral do Focus Hatch Titanium foi aceitável para um carro com motor 2.0 e câmbio automatizado, registrando 9,4 km/l em um circuito de 51% na estrada e 49% na cidade. Utilizamos o Ford EcoMode o tempo todo e até conseguimos conceito de Eco Motorista Avançado. Que orgulho. 😉

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Marilu comenta: Vale destacar que rodamos boa parte do teste com o ar-condicionado ligado.

Para testar o famoso Park Assist, resolvemos simular o ambiente da rua dentro de uma garagem usando duas colunas como se fossem carros estacionados. Ponto para os sensores.

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O Focus não se enganou e não identificou nossos marcadores como espaço válido para estacionar.

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No teste real, tudo funcionou como prometido, mas não conseguimos relaxar por nenhum segundo com a possibilidade de amassar um bem de 90 mil reais. Meda…

Na parte de espaço interno e porta-malas, tivemos uma experiência inusitada e ilustrativa:

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Compramos dois vasos de cerâmica para plantas com 30 centímetros de diâmetro. A ideia era carregar os dois no piso, atrás dos bancos do motorista e do passageiro. E eles não couberam! Não passavam entre o encosto do banco dianteiro e o assento do traseiro. Então, ao transportar adultos na parte traseira de um Novo Focus, espere por pouco conforto para os joelhos. (Para mim, ficou justo.)

No final, o Focus Hatch tem os melhores predicados de um hatchback médio esportivo e bem equipado. O problema fica com o custo/beneficio, porque sua etiqueta de preço está muito próxima da de outros modelos com mais status (Audi A1) ou potência (VW Jetta).

Agora, se você está disposto a pagar (bastante) pelo melhor carro tecnológico da sua categoria, o Ford Focus Hatch Titanium vai lhe atender muito bem.

Marilu comenta: Nos idos de 2011, esta escriba que vos interrompe a leitura testou o Audi A1 na estrada. Depois de ver a ficha do Focus, leia nossas impressões do Audi A1, clicando aqui.

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Resumo: Ford Focus Hatch Titatinum Plus 2.0 PowerShift

O que é isso? Hatchback médio em versão topo-de-linha.
O que é legal? Motor potente, câmbio de dupla embreagem e suspensão independente deixam este carro com dirigibilidade acima da média. Altamente tecnológico e com itens de categorias bem superiores. Design furioso e esportivo.
O que é imoral? Não tem paddle-shifts no volante para trocas de marcha sequenciais; o espaço interno traseiro é de compacto.
Avaliação: 8,3  (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
O que mais? Ótimo sistema de som Sony Premium com 9 alto-falantes. 5 estrelas de proteção de adultos no crash-test Latin NCAP. 6 air bags (frontais, laterais e cortinas). Sistema ISOFIX para cadeiras infantis.
Preço sugerido: a partir de R$ 80.790; valor da versão com pacote PLUS, R$ 88.890
Onde encontrar: Ford Brasil

 

Dados técnicos
Motor: dianteiro com quatro cilindros em linha, 2.0 litro, injeção direta. Bicombustível (etanol/gasolina).
Cilindrada: 1.999 cm3.
Potência: 178 cv a 6.500 rpm (etanol)/175 cv a 6.500 rpm (gasolina).
Torque: 221 Nm a 4.500 rpm (etanol)/211 Nm a 4.500 rpm (gasolina).
Tempo 0 a 100 km/h: 9,2 segundos.
Direção: Elétrica.
Câmbio: PowerShift de 6 velocidades e dupla embreagem.
Freios: 4 discos com sistema ABS, EBD (Distribuição Eletrônica de Frenagem) e EBA (Assistente em Frenagem de Emergência). Possui Advance Trac: controle eletrônico de estabilidade (ESC) e tração (TCS).
Dimensões: 4,36 m de comprimento; 2,01 m de largura; 1,48 m de altura; 2,65 m de entre-eixos.
Peso: 1.900 kg.
Tanque: 55 litros.
Porta-malas: 316 litros.

Revisão, crédito das imagens e comentários pertinentes de Marilu Araujo.

Fabio Koiti escreveu sobre TI nos idos de 1990 e 2000 em revistas como PC Magazine Brasil, Windows Sources, PC Computing e PC World Brasil. Agora, está de volta para falar dos carros (e outros veículos) mais legais que pintarem por aqui.

  • Mateus Azevedo

    O único problema desse câmbio da Ford é não possuir paddle shifts nem a opção de troca pela alavanca, apenas dois botões na lateral da mesma. Ainda não consegui entender essa decisão da Ford. Um câmbio de dupla embreagem necessita de uma dessas opções.

    Outro problema que vejo é esses motores flex. Por melhor que sejam, o consumo a gasolina me parece pior que um motor monocombustível.

    Aliás, seria bem interessante um 1.6 EcoBoost nesse carro, ainda mais com esse preço.

    • Mario Nagano

      Fico imaginando como deve ser a sensação de trocar de marchas apertando um botãozinho na manopla do câmbio com o polegar. Será q acostuma?

      • Mateus Azevedo

        Eu não me preocuparia em acostumar, mas em não errar o botão. Vai que aperta para reduzir em vez de aumentar 😛

  • Alexandre Gorges

    É um carro interessante. O problema é o valor.