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Review: disco SSD Intel X25-M 2G de 160 GB

Os discos de estado sólido da Intel chegaram à segunda geração – e este Zumo testou o o X-25M 2G, modelo já equipado com módulos de memória flash de 32 nm. Essa mudança permitiu elevar sua capacidade de armazenamento para 160 GB e uma melhor relação entre custo/byte armazenado.

O modelo analisado é o X25-M (M de Mainstream) 2G (de segunda geração) com nome oficial SSDA2M160G2GC (para decodificar essa sopa de letrinhas clique aqui). Devido ao acordo de distribuição global com a Kingston, ela lhe atribui o seu próprio P/N, que acho até menos cabalístico que o do pessoal de Santa Clara: SNM225-S2/160GB ou SNM225-S2B/160GB (com kit de acessórios).

Fora o gabinete na cor prata — ou melhor, não pintado de preto — o novo SSD da Intel não difere muito do primeimo modelo que já testamos no início do ano passado. É o mesmo padrão de formato de um disco rígido convencional de 2,5″ — o que inclui um espaçador de plástico que ajuda a completar o que falta na espessura.

Sua interface ainda é o SATA 300 e seu conector ainda segue o padrão de mercado, de modo que ele também pode ser instalado tanto em desktops quanto em notebooks. Segundo o fabricante, sua vida útil (MTBF) saltou para 1,2 milhão de horas, 20% a mais que seu antecessor.

Pesando apenas 84 gramas (1o a menos que um HDD do mesmo tamanho) o  X25-M 2G é o nirvana dos usuários móveis por consumir pouca energia (~150 miliwatts em uso e 75 miliwatts parado) e ser mais resistente a quedas e pancadas, já que ele não possui peças móveis.

Sob um certo ponto de vista, seu princípio de funcionamento não difere muito de um cartão de memória flash ou mesmo um pen drive. Na imagem abaixo podemos ver (a partir da esquerda) o controlador de memória NAND (+ firmware), uma memória SDRAM (buffer?)  e os bancos de memória flash.

Mas, ao contrário do seu antecessor, notamos que o lado oposto da placa possui espaço livre para mais chips de memória flash o que pode ser uma indicação de que esses discos ainda têm bastante espaço para crescer.

Dá até para dizer que a grande sacada desse produto é exatamente seu controlador de memória (abaixo) desenvolvido pela própria Intel e que utiliza dez canais de comunicação para manipular os dados no banco de memória flash, o que ajuda a minimizar algumas das limitações da tecnologia flash como a maior velocidade de gravação. Esse chip também é capaz de executar 32 comandos de NCQ simultaneamente, além de contar com um algoritmo responsável por utilizar todos os endereços de memória disponíveis no SSD de maneira uniforme, permitindo assim que o disco se “desgaste” por igual, prevenindo assim falhas prematuras do disco por fadiga de apenas um componente. Também vale a pena relembrar que certas rotinas de manutenção, como desfragmentação de setores do disco não são necessárias nos SSDs. Além de não inluenciar no seu desempenho, de fato essa operação deve ser evitada, pois isso só desgasta o disco com operações desnecessárias, reduzindo assim sua vida útil.

Sob testes

Ao contrário do que fiz no último teste, desta vez resolvi fazer algo diferente — ou seja — como ainda estava com um sistema da Intel com o novo Core i5 661 “Clarkdale” + placa-mãe DH55T “Tom Cove” eu simplesmente troquei seu disco original — um Hitachi Deskstar HDT721032SLA360 SATA 300 de 320 GB e 7.200 rpm — pelo X25-M 2G e realizei os mesmos testes para verificar se haveria algum ganho significativo de desempenho.

Para começar uma olhada no Índice de Experiência do Windows 7. Apesar do índice de experiência manter-se na casa dos 5,1~5,2 pontos devido ao seu modesto desempenho gráfico, notamos que a pontuação do disco (Primary hard disk) saltou de 5,9 para 7,3 — um ganho de desempenho de 23,7%. E se levarmos em consideração que a escala desse teste vai até 7,9 pontos trata-se de um número muito interessante, além de ter sido o melhor resultado parcial.

Os ganhos de desempenho no disco ficaram mais evidentes no teste de HDxPRT — que passou de 188 para 194 pontos (+ 3,2%) — o item que mais se beneficiou com isso foi o teste de editar vídeos da camcorder, tarefa que baixou de 80 minutos para 76 minutos.

Nos outros testes a diferença mais gritante foi observada com o PCMark Vantage: o HDD score passou de 3.439 pontos para 27.211 pontos — um ganho de 691,24% (uia!!!). Isso provocou uma reação em cadeia nos testes de produtividade, comunicação e música resultando numa pontuação final de 12.115 (+ 77%).

Em outros testes de aplicativos como o  Sysmark 2007 Preview 1.05, o sistema bateu 233  pontos (+23,9%).

Como era de se esperar, outros testes que dependem mais do processador do que do que do disco, a mudan foi pouco sentida. Por exemplo para transformar um filme em DVD para um arquivo AVI de 700 MB no AutoGK 2.45 o sistema levou apenas 44min13s (contra 47m48s com HDD) e para criar uma imagem de DVD a partir de um arquivo de vídeo com o DVDFlick 1.3.0.6 foi de 2h22m08s (contra 2h27m16s com HDD) utilizando um thread e 1h52m29s (contra 1h55m42s usando HDD) com quatro threads.

Mas como estamos testando um disco e não um sistema, também rodei alguns testes sintéticos como o HD Tach RW, onde observei uma taxa de transferência média de 195,5 MB/s e tempo de resposta de 0,1 ms…

… resulrtados muito próximos dos obtidos com o HD Tune 2.55. Note que em ambos os casos não há uma queda no desempenho de acordo com a posição da informação na mídia como ocorre nos discos magnéticos.

Com o HD Tune também pude coletar mais algumas características adicionais do produto:

HD Tune: INTEL SSDSA2M160G2GC Information

Firmware version : 2CV102HD
Serial number: CVPO926500B4160AGN
Capacity: 149.1 GB (~160.0 GB)
Buffer size: n/a
Standard: ATA/ATAPI-0 – SATA II
Supported mode: UDMA Mode 6 (Ultra ATA/133)
Current mode: UDMA Mode 5 (Ultra ATA/100)

S.M.A.R.T: yes
48-bit Address: yes
Read Look-Ahead: yes
Write Cache: yes
Host Protected Area: yes
Device Configuration Overlay: yes
Automatic Acoustic Management: no
Power Management: yes
Advanced Power Management: no
Power-up in Standby: no
Security Mode: yes
Firmware Upgradable: yes

Esses números mostram aquilo que já sabemos — que o SSD é realmente uma tecnologia empolgante e que aos poucos ela se torna um produto cada vez mais atraente, mais próxima e, por que não dizer, economicamente viável para o consumidor final. Com esse salto de 80 para 160 GB a Intel faz a sua parte oferecendo mais por um pouco menos, apesar de o preço sugerido pela empresa de Santa Clara ter baixado, ele ainda não é a melhor solução para a computação do dia a dia, muito menos para aqueles que armazenam grandes quantidades de informações em seus PCs. Vale a pena lembrar que no Brasil um disco rígido externo de 1,5 TB como o Story Station da Samsung tem o preço sugerido de R$ 599.

Além disso, é sempre bom lembrar que existe uma desvantagem que todos os usuários de SSD devem estar cientes: caso um disco SSD queime ou simplesmente pife, não existem meios de recuperar seus dados armazenados, ao contrário dos HDDs cuja mídia pode sempre ser aberta e seus dados lidos diretamente da superfície magnética. E, nesse caso, até a própria Intel diz que o melhor mesmo é manter backups de segurança dos dados gravados em SSD, mesmo que seja em um outro disco magnético.

Assim, entendemos que os potenciais consumidores de SSDs por enquanto ainda são os usuários móveis que podem tirar proveito da maior resistência e menor consumo dos discos de memória flash. Nesse grupo se destacam os “road warriors profissionais” que passam mais tempo fora da empresa do que nas suas mesas de trabalho. Acredito que nesse caso também podemos incluir profissionais que tem que levar seus computadores em ambientes mais agressivos, como chão de fábrica, áreas de agricultura, mata tropical ou mesmo cava de mina.

Obviamente os entusiastas e profissionais que demandem grande capacidade de processamento podem tirar muito proveito dos SSDs, entretanto como pudemos ver nos testes com o AutoGK e DVD Flick — é preciso saber diferenciar se o desempenho da aplicação depende mais da capacidade do processador de devorar números ou pela capacidade do sistema de memória/disco de entregar dados para o devorador de números. Com isso, quero dizer que não adianta um disco obscenamente veloz se o processador deixa o mesmo esperando enquanto mastiga macrobioticamente alguma informação previamente solicitada.

Resumo: SSD Intel X25-M 2G de 160 GB
O que é isso?
disco rígido de estado sólido para uso em desktops, notebooks e servidores.
O que é legal?
rápido, baixo consumo e agora com o dobro de capacidade de armazenamento.
O que é imoral?
capacidade modesta para os padrões de mercado, relativamente caro.
O que mais?
totalmente compatível com as atuais plataformas de PC. A Kingston chama esse disco de SNM225-S2/160GB.
Avaliação: 8,0 (de 10). Entenda nosso sistema de avaliação.
Preço sugerido:
não divulgado (mas já estamos correndo atrás disso!)
Onde encontrar: www.kingston.com.br

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • walter

    hoho, a tara-mór do Nagano 🙂

    Não precisa desfragmentar, mas precisa de TRIM. (caso contrário, o resultado é pior que qualquer fragmentação)
    Esse tem?

    • Mateus Azevedo

      Acredito que tenha sim…
      Se não me engano a Intel já tinha lançado uma atualização pra primeira geração desses produtos incluindo isso, não deve ter feito a "sacanagem" de deixar isso de fora 😛

  • Que TRIM? Aquela brilhantina de cabelo? 🙂

    • walter

      Wikipedia: In computing, a TRIM command allows an operating system to tell a solid-state drive (or "SSD") which data blocks are no longer in use, such as those left by deleted files. An OS operation such as delete generally only means the data blocks involved are flagged as not in use. TRIM allows the OS to pass this information on down to the SSD controller, which otherwise would not know it could overwrite those blocks safely.

      The purpose of the instruction is to maintain the speed of the SSD throughout its lifespan, avoiding the slowdown that early models encountered once all of the cells had been written to once.

      Rola um ódio furioso com os primeiros SSDs (principalmente com controlador da JMicron, joga no google 😉 ).
      Em testes rápidos, com devolução do equipamento, não dá pra perceber, mas ao usar durante alguns meses um SSD, ele perde velocidade (no caso dos JMicron é brutal).
      O algoritmo que espalha os dados (o wear levelling) se perde e cai o desempenho.

      por isso nunca entendi a fascinação pelo termo SSD, tem os bons, e tem os ruins (igual cartão de memória).

      • Com relação à isso, o que posso dizer é que esse é o risco que os early adopters sempre correm. Com relação aos discos da Intel, o que posso dizer que seu controlador foi desenvolvido internamente pelo grupo do Knut Grimsrud considerado o pai do Serial-ATA e um velho conhecido meu. Numa nota que fiz aqui no Zumo em 2008, ele fez algumas observações muito interessantes sobre a durabilidade de seus discos SSDs:

        http://zumo.com.br/2008/08/20/cinco-minutos-c

        • walter

          Durabilidade é outro problema…
          (tem uns controladores morrendo do nada, mas é pra isso que existe certificação, claro)

          É queda de desempenho (e isso nenhuma garantia cobre). Não é problema de um controlador também (já que todos passam pelo mesmo problema).

          Ah… O 25-M G2 suporta sim. Quem comprou as primeiras unidades precisa atualizar o firmware.

          Esse artigo explica o que é e porque é necessário:
          http://www.anandtech.com/printarticle.aspx?i=3667

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  • dflopes

    a tara do nagano eh desmontar equipamentos…. ehehehehe

    Mas a informaçao do preço eh crucial. Para agilizar o boot no meu servidor caseiro, vou trocar um hd antigo por cf 16Gb ligado a um adatador ide. Obviamente, sera apenas o windows, os demais softs e docs irao para um hd.

  • iZ

    Eu tenho uma duvida sobre esses discos SSD.
    Da pra fazer RAID com eles? Vai ficar ainda mais rapido fazendo RAID 0?
    Abs

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  • Velho conhecido meu… Ualll Nagano in the house!

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  • Ramos

    Sobre esse software utlizado para análise de desempenho. O HDxPRT! Estou tentando instala-lo mais está sendo dificil. Ele reque a instalção de outros 4 softwares! Eu instalei todos os softwares requeridos mas o HDxPRT não reconhece dois deles! Alguem pode me ajudar? Desde ja agradeço

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