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Review: Disco híbrido Seagate Desktop SSHD de 2 TB (ST2000DX001)

Disco rígido que combina tecnologia de mídia magnética com SSD agora também está disponível na versão de 3,5″ para computadores de mesa.

Em 2007 a Seagate colocou no mercado seu primeiro disco rígido híbrido —  ou mais exatamente um HD acelerado por meio de um grande banco de memória cache — que não fez muito sucesso na época porque dependia demais do sistema operacional (quer dizer, do Windows “Ai meu santo!” Vista) para funcionar corretamente.

A partir dessa experiência, a companhia desenvolveu uma nova geração de produtos — codinome ANAK — que culminou em 2011 no lançamento do Momentus XT de 500 GB que pode ser considerado o primeiro modelo realmente bem-sucedido, já que seu sistema de aceleração assistido por um SSD de 4 GB funcionava de maneira transparente para o sistema operacional, ou seja, nada de drivers utilitários, basta instalar e usar. 

Seagate_momentus_XT_2011

O curioso é que, até recentemente, essa tecnologia estava disponível apenas para os discos de 2,5″, o que tem lá sua justificativa: devido as suas limitações de espaço/consumo/desempenh,o esse produto é o que mais sofre pressão da concorrência dos SSDs que estão fartamente disponíveis nesse formato.

Mas à medida que os preços desses discos cai e sua capacidade aumenta (hoje já se fala em modelos na faixa de 500 GB) eles começam a ser uma alternativa também interessante para o mercado de desktops. Agora a Seagate lançou sua tecnologia de disco híbrido ( na sua terceira geração) também no seus HDs de 3,5″ com o nome de Desktop SSHD, inicialmente nas versões com capacidade de 1, 2 e 4 terabytes.

Seagate_SSHD_BOX

E como funciona essa tecnologia SSHD? Se um PC fosse um escritório, o disco rígido poderia ser um imenso departamento de arquivos com apenas um funcionário (File Clerk), que realiza todas as tarefas de organizar, guardar e recuperar documentos de acordo com as solicitações de seu chefe (The Boss), que nesse caso é a CPU. O que acontece é que, apesar da relativa demora na pesquisa e do ir e vir dos documentos, o sistema em si funciona perfeitamente.

Seagate_SSHD_tech1a

Se comparado com o SSD, podemos dizer que nesse caso cada área de arquivo individual (Single Flash Device) possui seu próprio funcionário encarregado de tomar conta dele. Desse modo, ganha-se (muuuito) tempo nas tarefas de armazenar e recuperar informações, o que pode ser traduzido como ganho de desempenho. O grande problema é que o custo para manter essa infraestrutura ainda é muito alto, mantendo a capacidade de armazenamento ainda relativamente baixa se comparada com os discos convencionais.

Seagate_SSHD_tech2

O que a Seagate fez foi implementar um nível intermediário de armazenamento de arquivos (nesse caso banco de memória NAND flash de 8 GB), responsável por arquivar as informações mais utilizadas pelo sistema, deixando as outras menos usadas no sistema tradicional de armazenamento (disco magnético). Desse modo temos a impressão de que o disco ganha em desempenho sem perder sua característica mais desejada, que é de oferecer a melhor relação entre custo por byte armazenado x performance.

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A grande sacada é como o SSHD utiliza seu banco de memória (MLC HSNAND) flash  para “aprender” quais são os arquivos são mais utilizados. O que acontece é que, quando o sistema faz uma requisição de leitura no disco, a controladora interna do disco verifica se ele está armazenado na sua memória flash. Caso negativo, ela vai buscar a informação no disco rígido e quando esta retorna (1) é armazenada no seu buffer de memória SDRAM que depois é enviada para o sistema (2). Só que ao mesmo tempo a controladora analisa esses dados (3) e, dependendo do caso, armazena essa informação no seu banco de memória flash.

 

Seagate_SSHD_read_learninga

Quando essa mesma informação for solicitada uma segunda ou terceira vez para o disco, a controladora a terá armazenada na sua memória flash (1) que será prontamente enviada para o buffer do disco (2) que por sua vez retorna para o sistema (3) ganhando-se assim tempo. Caso contrári,o o ciclo descrito acima se repete. Note que à medida que novos arquivos entram nesse banco, as informações mais antigas ou menos utilizadas são eliminadas, o que nesse caso faz todo sentido.

Seagate_SSHDrid_read_caheda1

Interessante notar que quando o arquivo contido na memória flash é atualizada (1) a controladora apaga essa informação dela (2) e atualiza os dados no disco rígido (3) para garantir a integridade dos dados. Segundo a Seagate, a idéia de tirar proveito da memória flash também no processo de gravação é um recurso a ser implementado em futuras versões.

Seagate_SSHD_write

Mas voltando ao que interessa, recebemos para testes aqui na Zumo-caverna a versão de 2 TB (ST2000DX001), modelo intermediário que é um disco de 7.200 rpm + SSD de 8 GB equipado com interface SATA 600.

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Fisicamente falando, fora a etiqueta de identificação, nada diferencia esse modelo dos outros sem SSD:

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E de fato, segundo o HD Tune Pro, fora o recurso de Power-up in Standby, em termos de recursos…

HDTune_Info_ST2000DX001-1CM164

… ele é praticamente idêntico ao Seagate Desktop ST4000DM000 de 4 TB que testamos no ano passado.

Seagare_HDD_4T_HDTune_Info_ST4000DM000-1F2168jpg

O processo de instalação e uso também é praticamente o mesmo de um disco normal. Mas como esse disco é indicado para upgrade de disco, a Seagate possui uma página em seu site que orienta o usuário de como realizar esse procedimento.

O programa que Burks cita no video acima é o Seagate Disk Wizard, que está disponível para download no site da empresa que foi otimizado para configurar discos da Seagate e Maxtor. Nele, existe uma opção de copiar partições de um disco para outro (Clone Disk) que facilita o processo de migração do Sistema Operacional e dados para o novo disco:

Seagate_SSHD_disk_wizard

Sob Testes:

Como alguns já deveriam estar desconfiados, instalamos esse disco no mesmo sistema que usamos para testar o memory key de 512 GB da Kingston e o disco Ultrafino de 500 GB da Seagate baseado na (surpresa! surpresa!) placa-mãe ASRock modelo FT3-4C equipado com uma CPU APU A6-5200 “Kabini”:

AMD_Kabini_ASRock_FT3-4C_montado1a

Fizemos isso porque: 1)  ele ainda continuava aqui de bobeira na bancada, pronta para uso — e 2) porque trata-se de uma plataforma moderna que oferece suporte nativo para SATA 600/3.0 em todas as suas portas. Só que desta vez instalamos o HD como um disco de sistema, transferindo o conteúdo do disco original usando o Disk Wizard da Seagate.  Fora isso, é preciso levar em consideração que como esse disco “aprende” a otimizar o seu desempenho, transferindo os arquivos/programas mais usados para o SSD.

Assim, o ideal neste caso é que executar o mesmo benchmark diversas vezes para ver se os resultados melhoram ou não. Para efeito de normalização executamos os benchmarks 7 vezes e coletamos todos os resultados para nossa análise.

Nos testes de leitura com o HD Tune Pro 4.01, o Desktop SSHD na primeira rodada teve uma média de leitura de 213,2 MB/s com picos de 168,7 MB/s

HDTune_Benchmark_ST2000DX001-1CM164

… e na última rodada a média de leitura foi de 213,2 MB/s com picos de 168,7 MB/s. Observe porém que o tempo de acesso caiu de 14,4 ms para 0,3 ms! Essa aparente “não melhora” do desempenho pode estar relacionado aos algoritmos de testes adotados por esse programa. Também vale a pena observar que nesse mesmo teste o disco rígido ST4000DM000 de 4 TB da Seagate obteve uma média de leitura de 132,0 MB/s com picos de 167,7 MB/s.

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Já no  Crystal Disk Mark 3.0.3, o ganho de desempenho nos testes de leitura/gravação sequencial pode ser bem percebido entre a primeira…

CrystalDiskMark_303_1… e a última medição:

 

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Também notamos um comportamento semelhante no PCMark Vantage, onde apesar do ganho no HDD Score seja de apenas 4,1%…

PCMark_Vant_1

… a pontuação final (PCMark Score) melhorou em 22,1%:

PCMark_Vant_7

Nossas conclusões:

Como podemos ver, se comparado com um disco convencional, o SSHD da Seagate realmente oferece algum ganho real de desempenho, mas a sua percepção varia de aplicação em aplicação o que pode levar a diversas conclusões ou interpretações que à primeira vista podem até parecer antagônicas.  Sob esse ponto de vista, o SSD puro ainda tem a vantagem de apresentar um desempenho melhor e mais consistente no que se refere a sua regularidade.

Mas fato é que a grande vantagem dos SSHDs está realmente na sua relação de custo x GB armazenado pois, se levarmos em consideração que na Amazon.com o ST2000DX001 é vendido por algo em torno US$ 130~170 (= US$ 0,065~0,085 por GB gravado) e, com esse valor podemos comprar no mesmo site um disco SSD de 240~256 GB (~US$ 1,41 por GB gravado), podemos ver que a diferença ainda é considerável, e isso sem contar que ainda não existem SSDs de 2 TB, a não ser que o usuário opte por dois SSDs de 1 TB montados em RAID 0, o que sairia pela bagatela de US$ 1.060~1.700 ou seja, mais ou menos 10 vezes o valor do disco da Seagate (sem contar impostos e a cotação maluca do dólar). 

Assim, nossa opinião é que o SSHD da Seagate pode ser um upgrade interessante para aqueles que precisam melhorar (um pouco) o desempenho do seus sistemas, mas que ao mesmo tempo não podem abrir mão de alta capacidade de armazenamento e nem dispõem de vastos recursos financeiros para investir num SSD de mesma capacidade (se é que isso, já existe). Resumindo: o SSHD pode não ser o nirvana dos HDs, mas é uma proposta de valor bem interessante que pode te levar mais pertinho do céu. 🙂

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Resumo: Seagate Desktop SSHD ST2000DX001 de 2 TB

O que é isso? Disco rígido híbrido de 3,5″ para uso em desktops e All-in-Ones.
O que é legal? Instalação simples e que dispensa a instalação de drivers. Bom desempenho se comparado com um disco convencional e ótima relação de custo x GB armazenado se comparado com um SSD.
O que é imoral?  O ganho de desempenho depende da regularidade/uso das aplicações de modo que a sensação de ganho de velocidade poder variar.
O que mais? Também diponível nas versões de 1 TB  (R$ 399) e 4 TB (R$ 959).
Avaliação: 8,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 599
Onde encontrar: http://www.seagate.com/br/pt/

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Ubiratã Muniz Silva

    Muito bom. Já estou com um Momentus XT (de 2.5″ e 1TB) há um ano no meu desktop e não tenho reclamações, só elogios. O boot do Win8 é bem rápido.