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Review: AMD Phenom x3 8750

Em setembro do ano passado, a AMD anunciava para o mercado um produto “í­mpar” no mais exato sentido da palavra: seu primeiro chip AMD64 de três núcleos, que recebeu o nome Phenom x3.

Baseado no projeto K-10 (codinome Barcelona) de quatro núcleos, seu anúncio foi recebido com alguma reserva pela imprensa, já que na época circularam boatos de que o Phenom x3 não seria mais do que um Phenom x4 (quad-core) com um núcleo desativado ou, segundo as más linguas, defeituoso sendo automaticamente renomeado como um triple-core, o que passaria a sensação de se tratar de um produto de segunda linha.

Essa possibilidade foi negada por Roberto Brandão, gerente de tecnologia da AMD Brasil numa entrevista para o Zumo no dia seguinte ao anúncio. Ele afirmou que o x3 seria produzido a partir de wafers especí­ficos, o que tem lá a sua lógica, já que as metas de produção de um tipo de chip não poderiam nem deveriam depender nas falhas na fabricação de outro produto.

Mas desde o iní­cio a estratégia do Phenom x3 foi clara: ofererer uma opção com melhor desempenho que os atuais Athlon 64 x2, porém mais em conta que os Phenom quad-core. Curiosamente, o Phenom x3 poderá passar um bom tempo sem um concorrente direto, já que a microarquitetura dos atuais processadores da Intel impedem que a mesma crie um chip de três núcleos a partir de seus Core 2 Quad. Apesar disso, a empresa já confirmou a existência de um chip de seis núcleos (codinome Dunnington) para servidores.

De qualquer modo, fica a dúvida: seria o Phenom x3 uma opção mais interessante que um Athlon 64 x2 de mesmo clock ou de um modelo mais veloz? Fizemos alguns testes e os resultados podem ser conferidos depois do clique:

O que eu fiz, com a ajuda da AMD, foi montar uma configuração simples com uma placa-mãe M3A78-EMH HDMI da ASUS – baseada no chip set AMD 780G/SB700 com ví­deo integrado – equipada com 2 GB de SDRAM DDR2 667, disco rí­gido SATA II de 80 GB, gravador de DVD e três processadores AMD que representariam os três casos que gostarí­amos de analisar. A saber:

Caso 1: Athlon 64 X2 4600+ (dual-core de 2,41 GHz) – Escolhemos esse processador porque ele funciona mais ou menos no mesmo clock do Phenom x3 usado nessa análise, o que pode nos dar uma idéia do ganho de desempenho que podemos ter mudando de dois para três núcleos.

Caso 2: Phenom x3 8750 (triple-core de 2,4 GHz) – Tema central desta análise, o Phenom x3 8750 é o mais veloz dos três modelos já lançados pela AMD junto com o 8750 de 2,3 GHz e o 8450 de 2,1GHz. Como na versão quad-core, cada núcleo do x3 possui um cache L1 e L2 individual de 64 KB e 512 KB respectivamente e um cache L3 de uso comum de 2 MB, controlador de memória dual channel para memórias DDR2 de até 1.066 MHz, apenas um canal HyperTransport 3.0 e compatí­vel com o soquete AM2+ etc. (mais detalhes sobre o Phenom e sua plataforma podem ser encontrados aqui).

Caso 3: Athlon 64 X2 6000+ (dual-core de 3,0 GHz) – A idéia de incluir esse chip nesse review é de ver se um processador dual-core de clock mais elevado poderia ser uma alternativa para o Phenom x3. O 6000+ é um atual modelo topo de linha, abaixo apenas do 6400+ de 3,2 GHz.

Para executar a bateria de testes, utilizamos o Windows Vista Ultimate que foi reinstalado e normalizado a cada troca de processador. Os resultados podem ser vistos na tabela abaixo (as células em verde representam o melhor resultado em cada benchmark):

Não há muito o que dizer em relação aos resultados, já que o Phenom x3 8750 se deu melhor em praticamente todos os testes. Podemos notar no índice de Experiência do Windows Vista, que o resultado em certos itens como gráficos de negócios e disco não mostraram muita diferença de desempenho em termos absolutos, o que caiu como uma luva em nossa análise, já que o processador tende a ser mais solicitado quando outros recursos são limitados como na aceleradora gráfica.

Na minha opinião, os resultados mais interessantes foram os obtidos com o Sysmark 2007 Preview porque ele não é um teste sintético como o PCMark 2005 e sim baseado em aplicativos, representando assim um cenário mais realista sob o ponto de vista do usuário. Algo como ver como um carro sobe uma ladeira acentuada com pavimento de paralelepí­dedo do que analisar a saí­da de potência de um motor em kN montado em um dinamômetro.

Vale a pena lembrar que o desempenho de chips com mais núcleos é melhor com o uso de programas capazes de tirar proveito dos recursos de multiprocessamento. Um bom exemplo é o Auto Gordian Knot 2.45, que agrega ferramentas de ví­deo de várias origens, sendo que algumas delas não tiram proveito dos vários núcleos, daí­ os resultados mais próximos entre os três cenários.

Minha conclusão é que o Phenom x3 cumpre sua promessa de oferecer uma solução intermediária de desempenho e valor entre seus modelos de dois e quatro núcleos. Numa era em que o consumo de energia começa a ser algo tão valorizado quanto desempenho, o Phenom x3 8750 também oferece vantagens consumindo apenas 95 watts contra 125 watts do Athlon 64 x2 6000+.

Talvez a única dificuldade por parte do consumidor será de avaliar sua real necessidade de processamento e ter certeza que um triple-core seria a melhor solução para seu caso ou mesmo para seu bolso. Pelo menos na nossa análise prevaleceu a lógica, ou seja, três mostrou ser mais e melhor do que dois. ;^)

Resumo: AMD Phenom x3 8750
O que é isso? – Processador K10 da AMD de três núcleos.
O que é legal? – Bom desempenho para uso geral, melhor que um dual core de mesma velocidade.
O que é imoral? – Parece ser um quad-core com um núcleo desativado.
O que mais? – Produto único no mercado, sem correspondente na concorrência.
Avaliação: 4,5 (de 5).
Preço sugerido: Não divulgado.
Onde encontrar: www.amd.com.br

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.