ZTOP

RetroTech: HP OmniGo 100 (1995 – 1996)

omnigo_100_intro_a

Estava eu na minha peregrinação semanal na Santa Ifigênia quanto topei num sucateiro com um HP OmniGo 100, um curioso handheld que sucedeu a cultuada linha HP 200LX. Como ele parecia estar bem conservado e seu compartimento de pilha não apresentava sinais de corrosão/vazamento, o produto trocou de dono depois de alguma choradeira, uma nota de R$ 10 e a promessa de não mudar de idéia e querer devolver o produto — fair enough.

O que mais chama a atenção desse produto é o fato dele ter sido um interessante exercício de design além de utilizar o sistema operacional GEOS (sobre DOS), que também equipou os primeiros Nokia Communicator 9000.

omnigo_100_compared_small

À primeira vista, o OmniGo 100 parece ser uma versão simplificada do 200 LX com sua tela LCD quadrada de 240 x 240 pixels. Seu teclado QWERTY não vem com bloco numérico separado, o que permite que suas teclas fiquem um pouco mais espaçadas o que — de um certo modo — facilita o seu uso.

Note a existência de apenas cinco teclas de função e uma tecla “Exit” no lugar do “Esc”, o que limita a sua parcial-compatibilidade com a plataforma PC com DOS.

omnigo_100_keyboard

Seu processador de 16 bits é um Vadem VG-230 de 16 MHz, um ” PC-on-a-chip” baseado no NEC V30  e compatível com o 80186. Sua memória interna é formada por 3 MB de ROM e 1 MB de RAM com possibilidade de expansão por meio de um slot PCMCIA do tipo II. Sua tecla sensível ao toque pode ser operada por meio de uma caneta stylus que fica embutida no produto.

Entretanto, a grande sacada desse produto é sua capacidade de rebater a tela para trás, de modo que ele possa ser usado como um PalmTop. O interessante é que para entrar com dados nesse modo, ele utiliza um sistema de reconhecimento de escrita baseado no alfabeto sintético Graffiti, o mesmo usado nos handhelds da linha Palm.

omnigo_100_pda

Seu pacote de aplicativos pré-gravados é formado por  uma agenda de compromissos, lista de telefone, editor de textos (com algum suporte de formatação), planilha eletrônica, banco de dados (ou mais exatamente um fichário), relógio mundial, cronômetro, leitor de eBooks (Geoworks Book Reader) e 0 Jotter, um tipo de bloco de anotações que aceita rabiscos no lugar de texto formatado.

Como era de se esperar de uma empresa com tradição em calculadoras, o OmniGo vem acompanhado com uma versão genérica com funções científicas e outra financeira com cálculo de porcentagens (TVM), fluxo de caixa, cálculo de porcentagens, estatísticas, conversão de unidades e moedas, cálculo de dadas, solver de equações e até um emulador de HP-12C (uia!).

omnigo_100_12c

O sistema é alimentado por duas pilhas AA e uma CR2032 para backup de dados. Ao contrário de seus antecessores, o OmniGo não aceita um adaptador de rede elétrica nem vem equipado com porta IrDA. Ele se comunica com o PC por meio de uma porta serial RS-232-C, que também pode ser usado para ser ligado numa impressora com essa interface. Vale a pena observar que o cabo de dados da HP 200LX também pode ser usado no OmniGo 100.

Se comparado com a 200LX, achei que o OmniGo seria mais um produto “pronto para uso” do que uma plataforma de aplicações propriamende dita.  Seu pacote de aplicações atende bem as necessidades básicas de um usuário de PDA da época, ou seja, nada de cliente de email, terminal de dados ou navegador web. Eu achei ele um pouco lerdo para abrir alguns aplicativos (talvez por causa do GEOS) e seu gerenciador de arquivos procura simplificar as coisas para o usuário, organizando suas informações dentro de uma hierarquia própria, apesar de usar internamente a estrutura do DOS e sua leitura no PC.

Vale a pena notar que o OmniGo aceita o uso de cartões CompactFlash (por meio de um adaptador PCMCIA) no lugar dos raros cartões de memória Flash ou SRAM.

Um dos pontos fracos do OmniGo 100 — e de todos os concorrentes de seu tempo — era qualidade visual das tela  LCDs. Para contornar esse problema, a HP introduziu o OmniGo 120 em 1996, equipado com 2 MB de RAM e uma tela LCD de fundo verde metálico altamente reflexivo desenvolvido pela Polaroid e que foi sucedido pelo HP 320LX, o primeiro produto da casa baseado no Windows CE 1.0 em 1997 e que deu origem a linha de produtos Jornada.

Trivia:

A Vadem, que criou o processador do OmniGo, também desenvolveu o Clio PC Companion, outro portátil do tipo convertible cujo desenho ainda hoje mantém-se moderno:

vadem_clio

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • que clássico – realmente um achado, uma verdadeira pepita nessa jazida da Sta. Efigenia.

    O sincronismo é feito com programa próprio, semelhante ao palm desktop, ou via outlook? E o drive de reconhecimento? Veio c/ CD de install?

    Mas não sinto inveja. No trabalho, usamos um toshiba 166MHz c/ 16Mb de ram. Os equipamentos que trabalhos necessitam de porta serial onboard que todos os notebooks extinguiram (exceto o dell latitude).

  • Oi David,

    Como disse no texto, ele está mais para uma agenda eletrônica do que para um handheld propriamente dito, ou seja, nada de Palm Desktop ou Outlook. Os arquivos podem ser sincronizados com o PC por meio de um programa próprio e seus arquivos de dados — quando copiados para o cartão PCMCIA — podem ser abertos em um notebook com Windows ou num PC por meio de um adaptador USB.

    CD de install? Ele nem veio com cabo de dados!

    [ ]s

    M.

  • Também, por R$ 10… Mas achei um site com um howto de como fazer o cabo: http://geoswiki.acc.de/Geoswiki/index.php/Omnigo_FAQ#Building_your_own_OmniGo_serial_cable

    Já não tem desculpa de não… “Sincronizá-lo” com o desktop!

  • Sniffer

    Um Omnigo por dérreal? Mas vá ser nerd/geek assim lá na Santa Ifigênia, sô!

  • Ahh ano passado, comprei um TK85 da Microdigital. Tem uma loja na Santa Efigênia, que tem cada raridade, estações Silicon Graphics, Alphas da Digital. De verdade as vezes dá vontade de comprar e tocar paul, para ver no que dá.

    [ ]´s

    Edu Lima

  • Lucas Jardim

    E viva ao dia internacional do orgulho geek, comemorado hoje, dia 25 de maio!!! Parabéns Nagano!! =D

  • @Blueberry,

    Interessante o esquema, mas eu já tenho o cabo de comunicação. É o mesmo do HP 200LX.

    O que eu estou atrás é de um esquema para montar um cabo para meus Psions: um Organiser II e um Workabout de 256KB.

    [ ]s

    M.

  • Nagano,parabéns pelo achado. R$ 10 por uma HP12C que funciona a pilha, quem diria… Só na Santa mesmo.

  • Jose Carlos Yazbek

    Ola Mario,
    interessante ver como a tecnologia de 10 ou 15 anos atras, parece ter mais de 50 anos….o tempo é mais rápido no mundo da tecnologia do que no mundo físico.
    Lembro quando a Apple lançou o Newton, um inovação, tão avançada para seu tempo que não deu certo. Depois chegou um tal de Palm com sincronismo via PC. Plataforma simples e aberta e sucesso criou um novo mercado que depois incorporou o telefone.
    Hoje estamos presenciando uma migração do smartphone para o notebook e do notebook para o smartphone. Qual dos dois irá levar a melhor? Do mesmo jeito que os thin client não vingaram, devido à erosão continua do preço dos desktops iniciada em 1996 com a maior agressividade da AMD no mercado de processadores, hoje os netbooks chegaram na hora certa com o preço certo. So que a confirguracao ainda deixa a desejar…o que esta sendo ajustado no momento em que escrevo. Com as recentes atualizações de processadores e chips graficos integrados, presenciaremos uma evolução dos netbooks, para muito alem do que um simples dispositivo de acesso a internet desprovido de desempenho. Dessa forma, o netbook estará avançando no lugar quase inexpugnavel dos notebooks que ainda são os líderes de mercado, tanto no mercado internacional como brasileiro. Adeus ao meu bom e velhor desktop….
    Mario, Abração!
    JC Yazbek

  • Pingback: Lenovo IdeaPad Yoga: Ultrabook conversível roda Windows 8()