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Qualcomm: Snapdragon deixa de ser chip para se tornar plataforma

Snapdragon passa a ser um conjunto de hardware, software e serviços voltados para dispositivos premium de alto desempenho.

Para mim, uma das idéias mais brilhantes que a Qualcomm já teve para aumentar o reconhecimento e a relevância da empresa com o público em geral foi criar a marca Snapdragon. Um nome muito mais fácil de ser assimilado, compreendido e até ser falado pelas pessoas do que um codinome ou part number sem rosto, cheio de números e consoantes.

Aliás, até me lembro de um monótono almoço de fim de ano da Qualcomm do Brasil em 2008, onde ouvi pela primeira vez a menção deste nome e que — de imediato — me fez perder o interesse no pãozinho com manteiga, ao mesmo tempo que dúvidas começaram a pipocar da minha cabeça do tipo “Snapdragon? O que é? De onde vem? Como vive? Do que se alimenta? Ele morde? Cospe fogo? Bate no Godzilla?

Fato é que essa estratégia mostrou ser tão bem sucedida ao ponto de até ser copiada por outras empresas, como a Nvidia com seu processador Tegra ou a Corning que chamou um vidro à prova de riscos que ela tinha no catálogo de Gorilla Glass. E isso sem falar de um concorrente japonês que chamou seu vidro anti-risco de Dragontail.

Assim, passado quase uma década da sua criação, a Qualcomm anunciou na semana passada (16/mar) sua nova estratégia de marca para o Snapdragon, que deixa de ser um simples processador para se tornar uma plataforma computacional, formada por diversas soluções voltadas para produtos mais premium e de maior valor agregado.

Quem nos explicou isso pessoalmente lá na sede da empresa em San Diego foi Mike Roberts, diretor senior de marketing da Qualcomm, que disse que Snapdragon Processor deixará de ser usado em favor de um novo nome — Snapdragon Mobile Platform — que engloba não apenas os processadores/SoC da casa…

…  e sim todo um conjunto de soluções de hardware, software e serviços como o sistema de RF responsável pela recepção do sinal do smartphone, o sistema de recarga Quick Charge, o circuito de som Aqstic audio DAC, interface de rede Wi-Fi (802.11ac e 11ad) e de toque, diversas tecnologias se segurança como o reconhecimento biométrico, etc. — tudo trabalhando em perfeita harmonia junto com o SoC com o objetivo de oferecer a melhor experiência de uso para o usuário final:

Desse modo, apenas as novas plataformas mais premium da casa — como o novo 835 — manterão o nome Snapdragon enquanto que os chips da série 200 serão chamados apenas de Qualcomm Mobile, diferenciando assim os produtos de entrada/volume dos modelos mais premium/topo de linha, criando assim uma maior expectativa, percepção de valor e até desejo de compra por parte do consumidor final por este último.

Quando questionamos se essa nova diferenciação não abriria uma janela de oportunidade para a Qualcomm criar uma nova marca específica para seus produtos de entrada, Mike explicou que não há interesse nisso, já que isso exigiria algum investimento (= $$$) em marketing e se for para isso, a empresa prefere aplicar esses recursos na marca Snapdragon.

E cá entre nós, quem não se lembra da marca Celeron?

Fora isso também perguntamos se existe a intenção de que a marca Snapdragon comece a estar mais evidente nos produtos de seus parceiros (“Snapdragon inside”?) e a resposta que tivemos é que isso vai depender mais do parceiro já que, para algumas delas a marca da Qualcomm é até maior/mais reconhecida que sua própria marca ou vice-versa.

É… Faz sentido.

Disclaimer: Mario Nagano viajou para San Diego a convite da Qualcomm, mas as opiniões e fotos bacanas são dele.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • sigma7777777

    Acho que estão chamando de plataforma por causa do contra-processo contra a Apple. De certa forma as empresas que aderirem ao ex-chip estarão assumindo que suas soluções dependem da plataforma da Qualcomm e precisam pagar por isso (talvez). Imagino que a Samsung progressivamente dê prioridade a sua solução própria, o Exynos, e outras talvez tentem obter chips MediaTek.