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Qual a cara do YouTube do futuro?

YouTube de amanha

Se o YouTube hoje é considerado divertido, incrível, global, viciante, estúpido, hilário, útil, educacional e inúmeros outros termos em uma nuvem de tags compilada pelo site de vídeos, o que nos reserva o YouTube de amanhã? Ricardo Reyes, diretor de comunicação do serviço, deu algumas dicas do que pode acontecer durante o Google Press Summit, que aconteceu na semana passada aqui em São Paulo.

Na mesma nuvem de tags aplicada ao que os usuários do YouTube pensam sobre o futuro do serviço, o resultado surge na foto acima: simples, informativo, sem restrições, em alta definição. “Mas é impossível prever tudo o que pode acontecer”, diz Reyes.”Lembre que no passado não era simples compartilhar vídeos do mesmo modo que ocorria com fotos. Precisava de players distintos, demorava, era muito lento”, explica. Daí surgiu o YouTube e o mundo passou a ver a tecnologia Flash de outro jeito.

“Sempre quisemos fazer do modo mais fácil para simplificar o upload e o compartilhamento de vídeos, com intervalos de tempo entre um e outro reduzidos. Isso continua a ser feito, já que temos que lidar com distintos níveis de banda larga ao redor do mundo”, diz Reyes. Vídeos prontos para o celular são tendência também. “Estamos de olho no modo que países como Japão e Coréia consomem vídeos no celular”.

Uma história curiosa, que pelo menos eu não conhecia, é a dos bastidores da “briga” entre YouTube e a emissora NBC. A “culpa” foi do vídeo Lazy Sunday, um dos primeiros curtas digitais do Saturday Night Live, que foi ao ar no fim de 2005. O YouTube diz, segundo Reyes, que Lazy Sunday deu um novo fôlego ao SNL. A NBC, por outro lado, diz que o YouTube começou a crescer só depois desse vídeo estourar. “De qualquer modo, amigos contam para os amigos, e o site começou a ficar cada vez mais popular”.

De 2005 para cá, muita coisa mudou. “Somos o número 1, mas ainda temos espaço para crescer. Pensamos em quatro Rs para isso: reach (alcance), revenue (receita), research (pesquisa) e rights management (gerenciamento de direitos autorais)”, comenta o diretor. Alcance? Mundo todo, tanto espectadores quanto anunciantes. Pesquisa? experimentos com comerciais online e ferramentas como o YouTube Insight. Receita? dinheiro vem de modelo de alinhamento com o Google, anúncios mostram o que você busca, sem necessariamente ser um vídeo.

E, finalmente, direitos autorais. Essa é a pedra no sapato do YouTube, ou melhor, um “espaguete de direitos globais”. E é aqui que o YouTube encrenca em questões de vídeos que só passam em um lugar e não em outro (que sites como Hulu e algumas emissoras dos EUA já fazem): restringir endereços IP.” Ano passado, durante os jogos olímpicos de Pequim, o YouTube teve de “disputar” com as emissoras (de novo, a NBC) a questão dos direitos. Afinal, a NBC pagou um caminhão de dinheiro pelo direito de transmitir na TV. “Com isso a gente acaba em um ‘cobertor de direitos’ que, ao cobrir um, descobre outro. Acaba sendo um jogo de adivinhação sobre quem são os donos dos direitos, como na música, ou ainda pior”. Na prática, mais cedo ou mais tarde, a restrição por IPs virá.

Ainda nos direitos autorais, Reyes contou que mais de uma vez grandes ‘empresas de entretenimento’ (estúdios de cinema?) sobem vídeos promocionais para o YouTube e, no dia seguinte, chega uma carta do departamento jurídico pedindo a remoção do mesmo. Marketing e advogados não se entendem, pelo visto.

Nos Estados Unidos, o Hulu é visto como o novo YouTube. Não é bem assim. “Para a gente, Hulu nos torna uma empresa melhor. Um site de vídeos apenas não é bom. O Hulu nega que a teoria de que a experiência de vídeo online é curta, com as pessoas perdendo interesse rápido. Veja só, o conteúdo é bem produzido, eles têm anúncios, mostra uma evolução e progresso do vídeo online, com apoio das grandes emissoras”, finaliza Reyes. Não é à toa que o site começa a trazer filmes antigos e seriados para correr atrás do “amado” Hulu.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

  • Lucas Jardim

    Se as emissoras colocassem seus vídeos online, em seus próprios sites, ou fizessem como a record, que criou um canal no youtube, metade das questões de direitos autorais estariam resolvidas! Ou alguém duvida que um vídeo postado, originalmente, pela emissora em alta qualidade e melhor do que um vídeo, gravado da televisão, pelo espectador, que muitas vezes colocam uma versão resumida e de péssima qualidade?!

    As emissoras e anunciantes ainda estão na era do papel e caneta, do DVD, das mídias físicas e de meios de comunicação de 50, 100 anos atrás!

    Por isso as maiores empresas do mundo são do ramo da tecnologia: Microsoft, Google…

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