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Pocket review: Prada Phone by LG 3.0

lg prada - 10

No mundo ideal, você tem centenas de milhares de reais na sua conta bancária, com rendimentos que permitem comprar qualquer coisa, a qualquer hora.

Se você vive nesse mundo ideal, o Prada Phone by LG 3.0 pode ser para você: tem uma marca de luxo por trás do produto, um acabamento diferente da maioria dos demais smartphones e custa bastante caro para o que oferece.

Caso contrário, existem opções melhores, com maior desempenho ou até mais baratas no mercado hoje.

De qualquer modo, barato ou caro, a LG diz que o design do Prada Phone serve de inspiração para os demais modelos de smartphones da fabricante coreana na linha Optimus (começando com o simples e básico Optimus L3, passando pelo intermediário Optimus L5 e chegando ao quase avançado Optimus L7, todos já à venda no Brasil). E, bem, se for comparar, o Prada Phone é uma versão um pouco mais bem acabada do Optimus L7 – some o botão central, muda a borda da câmera, o hardware é diferente, embora ambos tenham um processador dual-core de 1 GHz..

Nas configurações, o Prada Phone roda Android 2.3 (“Gingerbread”) com diversas modificações e tem um processador dual-core (OMAP TI) de 1 GHz. Tem uma tela IPS de 4,3 polegadas com resolução 800 x 480, 8 GB de armazenamento interno (expansível com cartões microSD), mede 127,5 x 69 x 8,5 mm e pesa 138 gramas e vem com o pacote padrão de conectividade de aparelhos Android: 3G / Wi-Fi / Bluetooth + GPS.

Traz ainda um leitor NFC embutido, mas é algo inútil ainda no mercado brasileiro para o consumidor final – temos apenas uma solução de pagamento (que é um uso realmente útil para a tecnologia), mas que não funciona para Android.

O design do Prada é minimalista, com poucos botões físicos, que só aparecem na lateral, para controlar o volume…

E na parte superior do aparelho, com o liga/desliga (à esquerda), a portinhola que protege o conector microUSB (uma boa ideia, por sinal) e o conector de fone de ouvido padrão 3,5 mm. Sobrou um botão ali no meio, à esquerda do fone, certo? É o disparador da câmera (!), em um local um tanto inusitado e difícil de manusear – a não ser, claro, que todas suas fotos e vídeos fiquem na vertical.

E mais nada de botões na outra lateral ou abaixo.

Atrás, a câmera de 8 megapixels (sem nenhum grande destaque) e o acabamento especial da Prada. E a marca italiana, claro.

Ao remover a tampa da bateria, sem muitas surpresas também: o módulo NFC fica instalado nessa parte do aparelho. O Prada Phone tem ainda um slot para cartão de memória microSD. A bateria, de 1500 mAH/3,7 volts, tem duração mediana (75% gasto após um dia de uso intenso).

Além do acabamento e seus pequenos detalhes de design, o Prada Phone tem uma interface alterada pela LG que deixa o aparelho com uma cara diferente: todos os ícones e widgets originais do aparelho são em preto e branco. É o grande diferencial, junto com os papéis de parede exclusivos do telefone. Nada que vá mudar sua vida, mas é… interessante. Nada de aplicativos exclusivos: é só a diferença no design mesmo.

O uso da interface monocromática deixa em dúvida o consumidor: na imagem abaixo, a bateria está carregada ou quase no fim? (resposta: quase no fim).

E, bem, as modificações valem apenas para os apps que já vêm como padrão no Prada Phone. Outros apps baixados da Play Store aparecem como em qualquer outro aparelho com Android, com seus ícones coloridos.

Seu desempenho fica na média de aparelhos com configurações similares, como o Samsung Galaxy S II Lite.

  • Vellamo Browser (navegador): 844 pontos // 832 pontos no Galaxy S II Lite
  • Quadrant Standard Edition (desempenho):  2.435 pontos // 2.857 pontos no Galaxy S II Lite
  • AnTuTu Benchmark (desempenho): 5.364 pontos // 5.159 pontos no Galaxy S II Lite
  • NenaMark 1 (vídeo):  56,9 quadros por segundo // 56,6 quadros por segundo no Galaxy S II Lite
  • NenaMark 2 (vídeo):  não rodou // 36.4 quadros por segundo no Galaxy S II Lite

Pelo preço sugerido (R$ 2.099 com exclusividade na operadora Vivo em sua versão desbloqueada; planos específicos podem sair mais em conta), o Prada Phone poderia oferecer muito mais ao comprador, mas dá para entender que o público-alvo desse aparelho está mais interessado em luxo que em desempenho propriamente dito.

O hardware usado no Prada Phone é comum a aparelhos similares que estão em uma faixa intermediária de preço (além do S II Lite, dá para citar o também o Huawei Honor e o LG Optimus L7 – que já rodam Android 4.0 –  na faixa de preço de R$ 999 ou menos).

Em uma comparação simples, dá para dizer que a casca do Prada Phone é luxuosa (interface e design), mas seu motor é 1.0 (hardware de 2011, sistema operacional já antiquado e sem previsão de atualização para Android 4.0). Se seu dinheiro pode pagar por esse luxo, ótimo. Se você tem em torno de R$ 2.000 para gastar com telefonia, compre um topo de linha (iPhone 4S, Samsung Galaxy S III) e pare de reclamar – seus amigos ricos também usam esses aparelhos, certo?

Vale lembrar que a parceria entre LG e Prada não é nova, e esse é o terceiro aparelho lançado: O primeiro, com tela sensível ao toque, foi lançado em 2007 – e vendeu mais de um milhão de unidades, segundo a LG. Era uma época que o iPhone tinha acabado de ser lançado e começava a criar a base para os smartphones atuais, e nem existia Android ainda. A segunda versão saiu em 2009 (com iPhone consolidado e Android dando os primeiros passos). Hoje, o Prada Phone by LG 3.0 é só mais um Android no mercado – e dos mais caros.

 

Resumo: Prada Phone by LG 3.0 (P940)

O que é isso? Smartphone com sistema operacional Android 2.3.7
O que é legal? Tela grande, interface especial
O que é imoral? caro demais pelo que tem de recursos, sem Android 4.0
O que mais? Design interessante
Avaliação: 5,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 2.099 (desbloqueado na Vivo; operadora pode ter preços melhores com pacotes de dados)
Onde encontrar: LG

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin