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Pesquisadores criam tela que nos faz sentir o toque

Nova tecnologia permite criar a sensação de uma tela mais lisa ou áspera ao toque de acordo com o contexto e em qualquer parte da mesma.

Com a popularização da tecnologia de telas touchscreen — em especial nos tablets e smartphones — muitos usuários ainda sentem falta nelas de algum tipo de resposta táctil (ou háptico), em especial na execução de algum comando como acontece hoje no bom e velho teclado ou botão de mouse. De fato, alguns produtos do mercado já oferecem algum tipo de feedback háptico — caso do Blackberry Storm ou o Motorola Rokr E8 — mas uma pesquisa que está sendo desenvolvida pela Universidade da Columbia Britânica em Vancouver pode elevar esses dispositivos para um nível de percepção ainda mais sofisticado.

Batizada de T-PaD ( Tactile Pattern Display ) trata-se de uma tela que utiliza vibrações de alta freqüência para criar uma fina camada de ar entre a superfície de vidro e o dedo do usuário, o que faz com que ela deslize suavemente sobre a mesma quando ligada, mas que sofre uma leve resistência quando desligada passando assim a impressão de que a superfície tornou-se áspera.

Um protótipo desse display (a) foi apresentada no ACM Conference on Human Factors in Computing Systems que aconteceu na semana passada no Canadá.

Nesta demo, discos piezoelétricos montados numa placa de vidro ( Actuated Surface ) que vibram a 26 KHz quando energizados passando o mesmo para o vidro. Ao mesmo tempo, sensores a laser monitoram o movimento do dedo fazendo com que as vibrações variem de acordo com a posição do mesmo em qualquer parte da tela e de acordo com o contexto da aplicação, permitindo assim que o usuário tenha uma sensação física semelhante a que temos no mundo real.

Assim por exemplo, se o usuário estiver num gerenciador de arquivos (a) e tocar num documento e arrastá-lo para uma pasta (b) ou para a lixeira (c) o usuário irá sentir a tela mais áspera quando passamos sobre outros objetos na tela. O  gráfico (d) mostra exatamente isso sendo que o dedo vermelho indica o aumento da aspereza (friction) da tela e o dedo azul a tela lisa.

Num trabalho científico apresentado durante a conferência, os pesquisadores apresentaram outros exemplos de como algumas aplicações poderiam interagir com a tela T-PaD:

Rádio relógio: Ao rolar as colunas de horas/minutos (a) ou AM/PM (c) a sensação de arraste pode ser momentaneamente desativada para passar a informação que estamos entrando ou saindo (d) da faixa de seleção. No caso de menus do tipo pull-down (nesse caso pull-up) o mesmo procedimento pode ser usado para indicar que estamos passando de uma opção para outra:

 

Processador de textos: Nesse exemplo, ao “pegarmos” (A) uma palavra previamente selecionada temos a sensação de arrastarmos a mesma pelo texto até soltá-la na sua nova posição (b). O gráfico (c) mostra a sensação de tela lisa (dedo azul) antes de pegar a palavra, a sensação de estar pegando a mesma pode ser reproduzida na forma de aumento da aspereza (dedo roxo) e o arraste como uma textura constante (dedo vermelho). Ao soltar a mesma a tela a tela volta a ficar lisa (dedo azul).

 

Jogos: Nesse exemplo mais coplexo: é possível simular a sensação de estarmos aplicando cada vez mais mais força na mola (a) aumentando o nível de aspereza da tela (d). As rebatidas podem ser erráticas (b) ou intencionais (c) sendo que a sensação de impacto pode ser reproduzida com o aumento da aspereza (e).

 

Apesar disso tudo, essa tecnologia ainda não está pronta para o mercado já que existem diversos problemas a serem resolvidos. Por exemplo, o dispositivo além de grande consome bastante energia. A sensação táctil só é sentida quanto o dedo se movimenta e dar uma batidinha na tela com a ponta do dedo não gera nenhuma sensação em especial, o que significa que o conceito é muito interessante mas ainda precisa ser bem aperfeiçoado.

 

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.