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Hands-on: tampa-lente Olympus BCL-1580 Body Lens Cap

A Olympus pode não ser a maior entre as fabricantes de câmeras do Japão mas é  uma das mais criativas tando o assunto é tecnologia, inovação e design – como criar uma tampa para câmera que também atua como lente (!)

Bons exemplos vêm de longa data como a Olympus Pen F original, a XA, a Ecru, o O-Product, LT-1  a mju mini/Verve (embaixo), Camedia E-10/20, a E-300/E-330 e mais recentemente a OMD-EM5. O mais legal é que eles têm coragem de colocar muitas dessas idéias no mercado, mesmo que seja para levar uma bela fubecada.

mju_mini_DIGITALAssim, só mesmo o pessoal da montanha sagrada para lançar um acessório tão banal e ao mesmo tempo tão curioso quanto a BCL-1580, uma tampa protetora para corpo de câmera Micro Four Thirds que permite tirar fotos!

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Como assim? É que tecnicamente falando, a BLC-15 é uma objetiva equipada com uma minúscula lente de 15mm/f8 que, apesar das suas limitações, permite registrar fotos casuais de maneira simples e ágil.

Abaixo, a BCL-1580 ao lado de uma tampa de corpo convencional…

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… que segue o padrão Micro Four-Thirds, o que significa que ela também pode ser usada nas DSLM Lumix da Panasonic. Note a inexistência de contatos elétricos na parte de trás da lente (à esquerda) o que faz com que ela não troque informações com o corpo da câmera, o que neste caso não faz muita diferença, diga-se de passagem.

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Feita totalmente em policarbonato preto com detalhes em metal, a BCL-1580 é um disco de 5,6 cm de diâmetro x 9,9 cm de espessura e 22 gramas de peso.

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Sua lente é descrita como um triplete (de cooke?) formado por  três elementos em três grupos com tratamento antirreflexivo (coating da lente). Note o furo do seu diafragma com abertura fixa de f/8. Sua distância focal é de 15 mm (equiv. 30 mm) ou uma meia grande angular de uso geral, mais indicada para fotos de paisagens e grupos de pessoas.

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Seu único controle é uma pequena alavanca na sua base cujo movimento controla o movimento de uma portinha deslizante que protege a lente quando fora de uso e duas posições de foco: o modo padrão e um modo macro dcom distância mínima de 30 cm.

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Um dos seus grandes atrativos é seu tamanho reduzido, menor até que as chamadas lentes pancake. Aqui uma comparação da BCL-1580 de 15mm/f8 com a Lumix-G de 20mm/f1,7 que já foi na época do seu lançamento a menor lente para Micro Four Thrids.

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Isso fica mais evidente quando montada na câmera:

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Assim, com a BCL-1580 é possível que muitas DSLM fiquem finas o suficiente ao ponto de entrar sem problemas em alguns bolsos de calças ou casacos.

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E com relação a sua facilidade de uso?

Com uma abertura focal tão pequena, sua zona de foco é ampla o bastante para garantir que qualquer objeto a partir de uma distância mínima até o infinito esteja em foco.

O seu manual do usuário não deixa isso claro, mas nosso palpite é que ele essa distância mínima fique em torno de 90 cm a 1 metro, o que torna o seu uso bastante simples e ágil já que a câmera calcula a exposição automaticamente, bastando para isso usar a câmera no modo “A” + modo “sem lente” nos modelos da Panasonic (mais sobre isso aqui). No caso das Olympus basta ajustar a câmera no modo “A” e ajustar (manualmente) o estabilizador de imagem para trabalhar com uma lente de 15 mm.

Depois desses ajustes iniciais, basta enquadrar a cena desejada e tirar fotos num ritmo até mais veloz numa lente convencional já que ela não precisa verificar o foco da cena antes de cada disparo!

Nos testes realizados, a BCL-1580 apresentou um desempenho notável para uma objetiva do seu porte e faixa de preço (~US$ 50) ou seja, se você esperava pagar pouco e ter a experiência de uso de uma Toy Lens como a Olga HWL-OP (analisada recentemente por este ZTOP) podemos garantir que ela está mais para uma lente de grife do que um brinquedo de plástico.

A BLC-1580 apresentou boa qualidade de imagem e excelente nível de contraste. Também notamos que a parte central da imagem apresenta um melhor nível de nitidez do que suas bordas, o que já era de se esperar de uma lente tão simples e pequena.

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E respeitando-se a sua zona de foco (= distância hiperfocal), é possível obter resultados muito bons mesmo em ambientes fechados e com objetos mais próximos.

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E mesmo no modo macro as imagens saíram boas e, no caso de dúvida, sempre é possível usar os recursos a câmera para garantir um foco mais exato.

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Nossas conclusões:

Para uma lente de apenas US$ 50 a nova 15 mm da Olympus foi uma grata surpresa já que, ao contrário de outras lentes nessa faixa de preço como a da Holga ou mesmo a 3D da Panasonic (que colocaria na categoria de lentes de farra/para zoar), a BCL-1580 mostrou ser uma lente realmente útil, sendo capaz de produzir resultados bem interessantes que — dentro dos seus limites — podem ser confundidos com lentes bem mais caras e sofisticadas.

Mas isso significa que ela substitui — digamos — uma Lumix G de 14mm/F2.8 ou mesmo a Olympus m.Zuiko de 17mm/f2.8? Não, eu não digo isso, já que essas lentes oferecem melhor qualidade de imagem e são bem mais luminosas (bokeh anyone?), o que é mais percebido apenas ao ampliar a imagem ou analisá-la na escala de 100%. E como boa parte das imagens que circulam da rede não são muito grandes, as coisas meio que ficam no mesmo nível.

Assim eu diria que o público alvo da BCL-1580 seria aqueles que gostam de produzir fotos casuais, flagrando cenas e situações que só podem ser capturadas com uma point-and-shoot (cuja tradução literal é aponte-e-dispare) e que costumam divulgar suas imagens em redes sociais e coisas do tipo. Se comparado com os celulares, eu diria que a lente da Olympus tem a vantagem de usar um sensor de imagem muuuito maior que o de um smartphone, garantindo assim melhores resultados.

E é claro — como sempre digo — com uma dessas na sua DSLM você nunca mais vai perder aquela foto de disco voador, lula-gigante, celebridade, monstro do lago ou artista famoso (ou nem tanto) só porque sua câmera não estava pronta para disparar.

Agora não tem mais desculpa! 🙂

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.