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Olhando além da superfí­cie do Microsoft Surface

Logo do Microsoft SurfaceA Microsoft mostrou hoje um produto que deixou boa parte do mundo da informática de queixo caí­do. Chamado Surface, ele pode ser descrito como uma “mesa inteligente”, com o tampo fazendo as vezes de monitor de 30 polegadas sensí­vel ao toque. A diferença é que ele é capaz de reconhecer múltiplos toques simultâneos, como o iPhone, e interagir com objetos reais colocados sobre o tampo, graças a um sistema de tags e câmeras digitais. Mas não se animem, o Surface é caro (entre 5 e 10 mil dólares) e não vai ser vendido ao consumidor final, sendo destinado a uso em lojas, hotéis e cassinos.

O ví­deo de demonstração (em Flash, 18 minutos) é de derrubar o queixo. Sem desmerecer o produto (realmente interessante), o que muita gente não sabe é que a tecnologia não é algo exclusivo desenvolvido a sete chaves nos laboratórios da Microsoft. Na verdade a idéia vem sendo explorada há muitos anos, com vários protótipos para fins variados construí­dos por vários grupos, alguns usando tecnologia e componentes Open Source.


A SenseTable é um dos projetos mais antigos, desenvolvida por James Patten, do MIT, como parte de sua tese de mestrado. Embora não seja “sensí­vel ao toque”, o sistema rastreia a posição de objetos inteligentes sobre uma superfí­cie e projeta informação sobre eles. Dentre os usos imaginados estão gerenciamento de cadeia de suprimentos, planejamento urbano, arte visual interativa e reprodução e composição de música eletrônica. Atualmente Patten tem sua própria empresa, o Patten Studio, e novos projetos como o Pico (uma versão menor e mais capaz da mesa interativa) e o AudioPad, desenvolvido como um instrumento musical.

Já a reactable, desenvolvida por uma equipe do grupo de tecnologia musical do instituto audiovisual da Universidade Pompeu Fabra em Barcelona, na Espanha, é descrita em seu site oficial como um instrumento musical eletrônico colaborativo com uma interface “tabletop” sensí­vel a múltiplos toques. Vários “músicos” podem controlá-lo compartilhando e movendo objetos sobre uma superfí­cie luminosa. Os objetos são marcados com “etiquetas” especiais, reconhecidas por um sistema de visão composto por câmeras sob o tampo, mais ou menos como o Surface faz para reconhecer copos e cartões. No festival musical Coachella 2007, na Califórnia, o instrumento foi apresentado ao público pela primeira vez pela cantora islandesa Bjork. Embora a especificação do hardware não seja divulgada, o software é Open Source e pode ser baixado no site do projeto.

Outro projeto similar é o MTC (Multi-Touch Console), construí­do por membros de uma equipe chamada c-base na Alemanha. Trata-se de outra mesa sensí­vel ao toque, empregando um sistema de câmeras e projetores para rastrear os movimentos dos usuários e projetar imagens no tampo, de forma muito parecida com o Surface. O sistema pode registrar um número ilimitado de toques simultâneos com precisão de alguns milí­metros, e vai ser usado para pesquisas na área de interatividade.

E por fim, o primeiro projeto que vem í  cabeça ao ver o Surface é o iPhone, da Apple. Ele pode não reconhecer objetos colocados sobre a tela, mas a interface multi-toque funciona da mesma forma, e até mesmo alguns dos exemplos, como a manipulação de fotos, são muito similares. E ao contrário do Surface, que depende de câmeras, projetores e sensores externos, tudo está contido em um único dispositivo que cabe na mão. E antes que os macmaní­acos acusem a Microsoft de, mais uma vez, copiar a Apple, o que acontece aqui está mais para um caso de “evolução convergente”, onde projetos independentes chegam a um mesmo resultado (no caso, por serem ambos baseados em idéias que circulavam por aí­ há tempos).

O produto da Microsoft é mesmo potencialmente revolucionário, mas não é único. É bom que a empresa fique de olhos bem abertos, para não acabar sendo atropelada por um derivado dos muitos projetos existentes por aí­. – Agradecimento especial ao amigo Fabio “FZero” pelos links e sugestão do tema desta nota.