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O carro movido a pilha da Panasonic (sem brincadeira!)

Panasonic Eco Ideas 2010 — Apesar de não ser o seu principal negócio, a Panasonic desenvolve os elementos de seu próprio veículo elétrico cujo conceito transcende a idéia de que o carro do futuro deve ser apenas um meio de transporte.

Como era de se esperar, a Panasonic concentra seus desenvolvimentos nos sistemas eletrônicos (monitoração de instrumentos, navegação, entretenimento), itens de conforto (condicionador de ar, aquecimento de bancos) e fornecimento, geração e armazenamento de energia para veículo. Sob esse ponto de vista, a aquisição da Sanyo foi uma jogada muito importante para a empresa fortalecer seu know-how no campo da tecnonologia de baterias recarregáveis, algo que a Sanyo nadava de braçada na frente da concorrência.

Para mim, a grande surpresa foi perceber que esses módulos de baterias de íons de lítio para carros são compostos por 140 pilhas recarregáveis que fornecem algo como 25,2 volts/58 Ah. Segundo a Panasonic, seu veículo elétrico utiliza quatro desses módulos fornecendo energia suficiente para acelerar o mesmo a velocidades de até 160 km/h. A autonomia estimada está em torno de 7 horas de uso normal.

Com relação ao tempo estimado de recarga, numa estação de “carga rápida” (disponível em postos nas estradas) esse tempo estaria em torno de 30 minutos, o que achei muito para a tarefa — principalmente se eu fosse o terceiro ou quarto cara na fila da bomba. Eu comentei isso com a porta voz da Panasonic, mas ela explicou que idéia é que o motorista utilize esses postos apenas para “completar” a carga em vez de esperar a bateria se esgotar. Por exemplo, ela mostrou que uma recarga de 50% leva em torno de 15 minutos, algo bem mais suportável principalmente para o terceiro ou quarto cara da fila na bomba.

No caso das residências, a Panasonic prevê o uso de unidades domésticas de menor potência cuja idéia é a de deixar o veículo recarretando na tomada durante a noite.

Entretanto o que mais me chamou a atenção nesse conceito nem foi o esse sistema de propulsão e sim a idéia da Panasonic de transformar o carro numa extensão da casa — algo que pode ser estranho para nós, brasileiros — mas que pode fazer muito sentido num país como o Japão onde espaço de moradia é um item de luxo.

Batizado de “One More Room” ele se baseia se na idéia de que as pessoas poderiam fazer mais coisas dentro de seus carros mesmo com ele parado dentro da garagem conectado aos sistemas de dados e de energia da casa. Assim, seria possível — por exemplo —  que o usuário pudesse responder emails, ouvir umas músicas ou até mesmo navegar na internet diretamente do painel do carro e tudo isso sem arruinar a bateria.

Imagine por exemplo, usar o carro como seu próprio centro de relaxamento, usando o banco do carro como cadeira de massagem (tecnologia que a Panasonic já domina), respirando um arzinho condicionado e purificado com a tecnologia de íons Nanoe dentro de um ambiente iluminado por um LED especial que faz bem para a pele e não arrepia o cabelo devido à estática no ar, um luxo!

E como era de se esperar de uma empresa que fabrica TVs, a idéia é de até de utilizar o para-brisa frontal como uma tela de cinema recebendo conteúdo diretamente da central de entretenimento da casa, transformado o carro no seu home theater particular com som HD de múltiplos canais fornecido pelo próprio sistema de som do carro.

A previsão é que essas tecnologias comecem a aparecer em produtos de linha — o que pode incluir carros de outras marcas — a partir de 2011.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.