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Nokia: parceria com Microsoft ainda levanta dúvida sobre serviços

A Nokia fechou a parceria com a Microsoft para usar Windows Phone em seus smartphones. Da parceria, alguns serviços fornecidos pela Nokia ficaram bem claros que continuam a ser usados – como mapas, por exemplo. Mas e os demais serviços que competem com o que a Microsoft já oferece hoje ao consumidor? E quem vai comprar um telefone com Symbian hoje?

Em um encontro hoje com a imprensa, a Nokia anunciou uma transição da sede da empresa na América Latina de Miami para São Paulo. E trouxe o VP de operações Niklas Savander da Finlândia para comentar o processo iniciado em 11 de fevereiro. Sobre o anúncio local, quase todas as operações de Miami migram para São Paulo, ficando por lá apenas o comando para América Central, Venezuela e Caribe. Motivos? Bom monento político e econômico local. Fábrica continua a mesma em Manaus, vão abrir vagas de América Latina em São Paulo (ou migrar quem sobrou lá pra cá, certo?)

Mas, voltando ao momento Microsoft, perguntei pro Savander sobre a estratégia de serviços da Nokia: desde o lançamento do N95, em 2006, o pessoal de Espoo batia na tecla de que a companhia iria se transformar de fabricante de hardware em provedora de serviços de internet (mapas, músicas, serviços financeiros etc). E aí?

Diz Savander:

Vamos continuar a fornecer serviços em featurephones, com ‘lifetools’, navegação com menos banda, mensagens, localização etc. Já nos aparelhos topo de linha, Mapas e Loja são o principal. Todos os aparelhos da Nokia virão com a Ovi Loja, com a marca da Nokia, temos o direito de criar a fachada para as lojas nos aparelhos com Windows Phone.

Mas teremos que sentar com a Microsoft e negociar outras coisas que ainda não têm resposta: mensagens e música. Mensagens serão necessárias nos aparelhos básicos com Series 40. Já temos acordos com a Microsoft para o mercado corporativo, como uso do Exchange no E7.

A grande questão aqui é qual será a consequência para os serviços de música. Eles têm o Zune, nós temos o Ovi Music/Music Unlimited. Não temos decisão ainda em relação à parceria. É uma oportunidade para dar uma olhada como vamos lidar com isso e seguir adiante.

Sobre dependências da Microsoft:

A Microsoft, com a parceria, passa a depender da Nokia em localização (Nokia vai integrar Ovi Mapas e serviços de localização em tudo que for Windows Phone, incluindo licenciamento de software por outros fabricantes). Essa combinação vai gerar mapas mais precisos e a inserção de objetos em mapas sem intervenção humana. Como consequência, vai levar a internet para uma nova dimensão.

E, Niklas, cá entre nós, quem compra um aparelho com Symbian hoje? (Ele disse que a Nokia vai lançar “vários” aparelhos com Symbian ainda este ano, já que a transição pro Windows Phone vai demorar “vários trimestres”):

Fizemos uma pesquisa com consumidores em nossas lojas. Apenas 0.75% perguntam qual é o sistema operacional do aparelho. O OS é uma questão importante para o mercado, para as operadoras e para a gente. Hoje, o consumidor não se importa com isso. É uma decisão do consumidor, no fim das contas.

Tablets têm futuro?

O mercado de tablets é muito atraente, crescendo muito rápido, comendo o mercado dos notebooks, mas temos que nos perguntar “qual o ponto de entrada nesse mercado? nos atrai?” sim, mas precisa saber quando entrar, e é difícil se diferenciar . Estamos avaliando se vamos fazer um, pode ser com a Microsoft, pode ser com o Meego, pode ser com qualquer um. Não é só uma escolha tecnológica, mas uma escolha de valor”


Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

  • Ligeirinho

    De fato, para o consumidor leigo, o OS não é tão importante. O leigo não pergunta o nome de sistema, mas sim se ele funciona bem e é prático, ou não. Um exemplo é meu irmão, que ganhou um Windows Phone e não domina bem o aparelho já que não domina ou pesquisa muito sobre isso (não desmerecendo a capacidade, pelo contrário, ele é muito mais inteligente e esperto que eu 😀 ).

    Quem pesquisa mais (Como nós que lemos o Ztop, Giz e afins 🙂 ) é outra coisa. Mas creio que quem trabalha com celulares sabe que é possível atender tanto os leigos quanto os mais letrados com um bom, funcional e prático sistema.

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  • Hugo

    Muito engraçada a resposta da Nokia à pergunta sobre valer a pena comprar telefones com Symbiam, já que ela está investindo suas últimas cartas numa mudança global que inclui como carro-chefe justamente a alteração do sistema operacional de seus smartphones. Se realmente apenas 0,75% de seus clientes se preocupam em perguntar sobre o sistema do aparelho, por que então a Nokia mudou para o Windows Phone 7? E se o que vale é o celular em si, as funções físicas, por que ela perdeu mercado para os smartphones com Android?