ZTOP

Review: Nokia 808 PureView

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Mais do que uma câmera digital com smartphone integrado, o 808 PureView é uma quebra de paradigma que mostra que existem outras novas maneiras de capturar fotos de qualidade.

Revelado durante o último Mobile World Congress 2012 em Barcelona, o Nokia 808 Pureview seria mais um smartphone cheio de estilo do pessoal de Espoo ainda baseado no cada vez menos relevante sistema operacional Symbian Nokia Belle, se não fosse por um recurso que deixou todo mundo de queixo caído: uma câmera embutida de 41 megapixels!

Desenvolvida em parceria com a alemã Carl Zeiss, o módulo da câmera do 808 vem equipado com uma objetiva de cinco elementos e um grupo (sendo todas as superfícies aesféricas) com distância focal de 8,02 mm/f2.4, o que equivale a uma grande angular de 26 mm (em 16:9) ou 28 mm (em 4:3).

A câmera e possui sistema de autofoco cuja distância mínima é de 1,5 cm até o infinito, disparador mecânico (mais eficiente que o eletrônico), filtro de densidade neutra (ND) para maior controle da exposição em ambientes muito claros e até uma portinha interna que impede a entrada de luz pela lente quanto ela não estiver em uso.

Apesar de todo oba-oba do marketing da Nokia em cima dos 41 megapixels, a fabricante deixa claro que nem todos esses pontos são aproveitados para capturar uma foto.

Isso porque para tirar máximo proveito da largura é necessário abrir mão da altura e vice-versa, resultando assim em duas resoluções máximas: 7.152 x 5.368 pixels (= 38 megapixels) no formato 4:3 0u 7.728 x 4.354 (= 34 megapixels) no formato 16:9. Essa idéia em si não é nova e já foi adotada pela Panasonic na sua linha de câmeras Lumix LX3/LX5.

Aí pode surgir a dúvida: para que serve uma câmera de celular capaz de capturar imagens do tamanho de um outdoor, além de encher o cartão de memória e impressionar as garotas (e os amigos nerds?)

Neste caso, a resposta está na tecnologia PureView, que tira proveito de toda essa informação visual de duas maneiras: a primeira é o chamado Oversampling, que é algo como uma “interpolação ao contrário”: em vez de criar um pixel de imagem a partir de um pixel capturado pelo sensor, o PureView combina a informação de vários pixels para gerar um “superpixel” mais sensível e capaz de capturar cenas com mais clareza e menos ruído, por sinal um recurso já explorado pelas câmeras da Fuji, como a Finepix X-10

 

Assim, o PureView abre mão da resolução máxima em favor de uma melhor qualidade de imagem e mesmo que a resolução caia para 5 megapixels, trata-se de um tamanho ainda bastante útil para a maioria das aplicações do dia a dia (por isso a câmera do novo Lumia 920, anunciado na última semana, tem a tecnologia PureView, mas não os zilhões de megapixels). E caso seja necessário, a câmera pode armazenar a imagem na sua resolução máxima (em 34 MP ou 38 MP) para ser tratada posteriormente.

Outra sacada — esta sim genial da Nokia — é de tirar proveito dessa capacidade de capturar imagens de 38 ou 34 megapixels para fazer uma espécie de zoom digital, só que de uma maneira decente.

Por exemplo: na cena abaixo (capturada pela 808 na sua resolução máxima) existe um elemento do nosso interesse que gostaríamos de isolar e captura em uma foto.

Se nas câmeras convencionais isso é feito por meio de sistemas ópticos que aproximam a imagem, no caso da 808 ela simplesmente “recorta” esse detalhe da imagem de 34/38 MP e, no máximo, faz um oversampling para diminuir (nunca ampliar) a imagem para um dos três tamanhos pré-definidos (8 MP, 5 MP ou 2 MP).

O resultado disso é que é possível obter imagens de excelente qualidade utilizando uma lente simples sem recurso de zoom, resultando assim num conjunto menor, mecanicamente mais simples e com menos partes móveis.

Observe porém que essa tecnologia tem seus limites, sendo que neste caso o poder do zoom é relativamente limitado indo até 3x no registro de fotos, 4x na captura de vídeos em full HD 1080p, 6x em vídeo HD 720p e até 12x no formato nHD (640 x 360 pixels). Note que existe uma relação direta entre  fator de ampliação e tamanho da imagem – quanto menor a imagem maior a aproximação.

Assim, se existe um preço a ser pago pelo uso dessa tecnologia é que no seu modo de resolução máxima (34/38 MP), o zoom digital simplesmente não funciona (algo que não acontece com os sistemas com zoom óptico). Mas a idéia neste caso é que esse modo de altíssima resolução seja usado apenas em casos especiais e não nas fotos do dia a dia.

Mas voltando ao que interessa, recebemos para testes um 808 Pureview na sua embalagem original, com todos os acessórios o que inclui a bateria, adaptador de rede elétrica AC-50, cabo de carregamento e de dados (USB) CA-190CD, fone de ouvido com microfone (+plugs extras de diversos tamanhos) WH-209, correia de pulso, cartão NFC Info Card e documentação que vem dentro de um compartimento da caixa.

Medindo aproximadamente 6,0 x 12,3 x 1,4~1,8 cm (LxAxP) e 171 gramas de peso (com a bateria), o 808 é um celular do tipo barra com tela AMOLED 2.5D de 4″  (640 x 360 pixels) sensível ao toque. Ela fica protegida por trás de uma película de Gorilla Glass, o que garante que pode sobreviver a alguns acidentes sem perder a boa aparência. Seu processador é um ARM 11 de 1,3 GHz + aceleradora de mídia Broadcomm BCM2763, 512 MB de RAM, 512 MB de ROM e memória interna de 16 GB expansível via slot micro SD.

Ele segue o padrão GSM quadribanda e é compatível com as redes 2G/3G, DLNA, Bluetooth 3.0, Wi_fi 802.11 b/g/n e o novo NFC. E como era de se esperar de um smartphone topo de linha, ele vem recheado de sensores como acelerômetro, magnetômetro (bússola eletrônica), proximidade de tela etc. Seu sensor GPS é do tipo assistido por rede celular (A-GPS), mas pode trabalhar conectado com um GPS externo como o Nokia LD-3W/4W.

O 808 não pode ser considerado um equipamento pequeno, mas ele ainda entra sem problemas no bolso da calça e até mesmo de algumas camisas. Seu gabinete é de policarbonato (nome bonito para plástico injetado) cujo acabamento fosco, além de belo, oferece uma excelente pegada e é mais resistente a marcas de dedos (yaaaay!).

Para os padrões atuais o corpo do 808 não é exatamente fino, mas ele compensa isso como uma excelente ergonomia e uma sensação táctil bastante agradável, ao contrário da frieza sem vida do metal + vidro.

O modelo que recebemos é de um tom de vermelho super vibrante…

… apesar de que a empresa também oferece o 808 em tons mais neutros e comportados como branco e preto:

Aqui uma comparação com o Nokia N82, outro clássico da sua época por ter sido um dos primeiros modelos da casa…

… a vir equipado com um flash de xenônio, recurso também presente no 808…

… que também vem com um iluminador LED que pode ser usado como luz de auxílio para foco ou para iluminar cenas para filmagens.

Como dissemos anteriormente, o 808 PureView é ainda baseado no sistema operacional Symbian Belle (atual Nokia Belle), que apesar da sua longa fama de facilidade de uso e estabilidade, teve problemas sérios na mudança da interface com teclado (quando a Nokia reinou nos celulares) até a para os aparelhos com toque de tela, o que fez com que ele perdesse muito espaço para concorrentes bem mais novos (some a isso a lentidão de resposta da Nokia ao mundo touchscreen e, bem, o resto é história, levando a turma de Espoo a investir todas as fichas no Windows Phone)

Fato é que apesar disso, achei a interface do Belle bastante fluída e intuitiva e seus aplicativos bem implementados, sendo que alguns deles…

… como o Nokia Maps podem ser até mais interessantes que os da concorrência, já que ele funciona com mapas armazenados no próprio aparelho — com direito a atualizações gratuitas (-$$$) — e não em servidores remotos que precisam ser acessados via conexão de dados (+$$$).

Assim, decidimos não falar muito dos recursos do Belle e nos concentrar no seu hardware e nos recursos da sua câmera.

Uma das coisa que mais chama a atenção dessa tela AMOLED é sua nitidez e alto contraste (em especial nos tons de preto), ao ponto de não conseguirmos notar onde termina a tela e começa a moldura do telefone.

De fato, diversos recursos ficam quase que invisíveis para o usuário final, como o seu sensor de proximidade da tela (que percebe, por exemplo que o smartphone está com a tela voltada para a mesa de trabalho, o que pode ser interpretado como “não posso atender agora”), o sensor de brilho da tela e sua pequena câmera frontal com resolução VGA que pode ser usada para vídeo-chamadas.

Já na sua base existe uma longa tecla que concentra algumas funções básicas do aparelho como atender ligação (esquerda), tecla “home” (centro) e encerrar ligação (direita). Esta última também serve para ligar/desligar o aparelho. Curiosamente essas teclas são iluminadas, mas isso só é percebido em ambientes bem escuros:

Na lateral direita concentram-se os outros controles externos do aparelho, como o controle de volume, o botão que liga/desliga a tela AMOLED (e o touchscreen) e o botão de disparo da câmera.

Interessante notar que, ao puxarmos o botão central e o segurarmos por alguns segundos, o LED da câmera acende, funcionando assim como uma lanterna — legal!!!

Do outro lado, não existe nenhum controle/comando em especial, mas podemos ver claramente o “ressalto da câmera” que teve ter provocado acaloradas discussões entre o pessoal de design e da engenharia da Nokia na época do seu desenvolvimento sendo que — pelo visto — os técnicos levaram a melhor (pelo menos desta vez).

Eu inicialmente fiquei meio que incomodado com essa “corcova” atrás do telefone, mas com o passar do tempo notei que ela não incomoda em nada o seu uso, já que o aparelho é tão grande que tendemos a segurá-lo um pouco abaixo da câmera (o que deve ter sido um alívio para os designers).

Na parte de cima do 808 podemos ver a porta HDMI tipo D, a entrada de som do microfone secundário (usado pelo sistema de cancelamento de ruído), a porta Micro USB e a conector para fone de ouvido/microfone. Uma sacada interessante dessa porta USB é que ela pode ser usada para funcionar no modo USB-OTG (USB On The Go!) que permite ligar o 808 diretamente num dispositivo USB como um memory key. Mas para isso é necessário o uso de um adaptador especial que não acompanha o produto (boo!)

Aqui podemos ter uma vista mais clara do conector HDMI-D (a direita). E por que ela está coberta com uma tampinha escrita “HDMI”? Nosso melhor palpite é que isso foi feito para evitar que um usuário mais distraído tente encaixar um cabo Micro-USB nele, correndo até o risco de danificar a porta.

Já a porta Micro-USB segue o raciocínio contrário, ficando totalmente exposta agilizando assim a sua localização e uso tanto para transferir dados…

… quanto para recarregar sua bateria usando o adaptador de rede elétrica Ac-50 que já acompanha o produto.

Na base do aparelho, podemos ver um longo pezinho de borracha na parte de trás e abaixo dele a entrada de som do microfone principal (que capta a voz do usuário) e uma abertura à direita…

… usada para prender a correia de pulso da Nokia ou qualquer outro penduricalho que os asiáticos (e muitos ocidentais) tanto apreciam.

Ao contrário de outros modelos da Nokia como o N9 ou mesmo os Lumia 800/900/920…

… o painel do 808 pode ser removido para termos acesso à sua bateria modelo BV-4D de 3,8 volts cuja autonomia declarada pela empresa é de 6,5 horas de conversação em 3G ou 525 horas em stand-by (também em 3G). Note que o corpo do aparelho é realmente feito de plástico vermelho e não pintado.

Ao remover a bateria temos acesso aos dois compartimentos para os cartões microSD e micro-SIM que começa aos poucos a se tornar um padrão de mercado e que pode obrigar o usuário a ter que trocar o seu cartão SIM atual por um novo ou recortar o velho com o uso de uma ferramenta especial.

Interessante notar que devido a cor do aparelho é possível ver claramente as suas antenas embutidas.

Fora isso, ainda existem dois pinos de contato…

… que se conectam com o sensor (ou seria antena?) NFC montado na parte de dentro da capa traseira do 808.

Finalmente chegamos à câmera da 808 PureView. Ao contrário de outras câmeras do passado, esta não possui portinha deslizante…

…  existindo no seu lugar um filtro protetor transparente sobre a objetiva e uma portinha interna que impede a entrada de luz  quando ela não estiver em uso. O que parece ser uma ranhura logo abaixo do “41MP sensor” é a saída de som do seu alto-falante mono.

Para quem já está acostumado com câmera de celular, bater fotos com a 808 é algo bastante simples e intuitivo. Basta enquadrar o tema e pressionar o botão de disparo ou tocar em qualquer parte da cena para indicar o ponto de foco e tocar mo ícone de disparo.

E ao contrário das câmeras dedicadas, a da 808 permite adicionar informações de geotagging nas imagens e encaminhá-las diretamente para colegas e parentes, sites de fotos e redes sociais – mais notadamente o Facebook.

Talvez o comando menos intuitivo seja o uso do Slide Zoom, já que é preciso tocar no lado esquerdo da tela (sorry, canhotos!) e esperar aparecer a barra de rolagem que controla a área de zoom, ou mais exatamente a área do sensor de onde será recortada a imagem. Feito isso, basta reenquadrar a imagem e bater a foto.

O vídeo abaixo mostra esse procedimento em ação:

O modo de operação da câmera da 808 está dividido em três níveis de dificuldade: o modo Automático, Cenas e Criativo.

Como o próprio nome sugere, o modo Automático faz tudo praticamente sozinho, permitindo apenas que o usuário defina se ele quer usar ou não o flash da câmera. As quatro opções disponíveis são Ligado, Desligado, Automático e com Redutor de olhos vermelhos.

Já o modo Cenas oferece diversos ajustes (ou programas) pré-definidos pelo fabricante, como Paisagem, Automático, Macro, Retrato, Esportes, Noturno, Retrato Noturno, Refletores (ou fotos em teatros) e Neve.

 

De fato, a diversão começa com o modo Criativo que libera diversos ajustes de imagens que realmente permitem capturar imagens mais interessantes.

Apesar de a câmera não dar o controle direto sobre a velocidade/abertura, ela permite por exemplo, ajustar a exposição (+/- 4,0 pontos de exposição em passos de 1/3), ajustar o balanço de branco (Automático, Ensolarado, Nublado, Luz Incandescente, Luz Fluorescente) e selecionar a sensibilidade ISO (de 50 até 1.600 + Automático).

Além disso, nesse modo é possível ativar ou não o filtro ND, o que permite um maior controle de exposição da cena, principalmente em ambientes muito claros como na praia ou sob o sol forte.

No modo criativo também é possível ajustar a câmera para que ela tire imagens na resolução máxima ou no modo PureView (em 8 MP, 5 MP e 2 MP). Fora isso é possível fazer outros ajustes como nível de compressão dos arquivos em JPEG, ajuste individual de Saturação, Contraste e Nitidez das imagens, ativar o modo de bracketing (3 ou 5 fotos em sequência com diferenças de -0,3/+0,3, -0,7/+0,7, -1,0/+1,0, -2,0/+2,0 pontos de exposição), usar o intervalômetro (de 2 a 500 imagens com pausa de 5s até 30 min entre elas), além de filtros básicos de cores como Normal, Vívido, Sépia ou Preto e Branco.

Todos esses ajustes podem ser agrupados e gravados em três configurações personalizadas (C1, C2 e C3) permitindo acessá-los rapidamente com apenas um toque na tela de configuração.

E como é a qualidade de imagem da 808? Quando as condições de iluminação são as melhores os resultados são realmente muito bons. O exemplo abaixo foi tirado no modo automático na resolução máxima (7.728 x 5.368 pixels)…

… e mostramos alguns detalhes dessa foto em 100%  para que possamos ver o nível de detalhamento:

Aqui outro exemplo de foto tirada no modo grande angular de 26 mm:

Detalhes em 100%:

… foto contra-luz:

… e na falta do gato oficial do ZTOP em reviews (isso é departamento do Henrique), vai mesmo o do sítio da minha prima que pedimos para fazer uma pose:

Ampliação de 100%:

Este é um exemplo de macro no modo PureView em 5 MP. Notem o efeito de desfoque (bokeh) dessa imagem:

Detalhe em 100%:

Outra macro no modo PureView em 5 MP. Curiosamente, o modo macro não fica disponível no modo de alta-resolução:

Detalhe em 100%:

Com relação ao uso do flash, os resultados são bons quando não ultrapassamos a distância máxima sugerida pela Nokia. Neste caso, 4 metros:

Aqui algumas imagens com os filtros básicos de cores como o Vívido:

O Preto e Branco:

E o Sépia:

E como ela se comporta em relação a um smartphone de mercado? Para isso montamos o 808 em ponto fixo e fizemos umas fotos em 8 MP:

… e depois colocamos no seu lugar o meu Milestone 3 da Motorola, que também dispõe de uma câmera de 8 MP:

À primeira vista as imagens nos parecem bem parecidas em termos de cores e nitidez:

Nokia 808 Pureview

Motorola Milestone 3

Entretanto ao ampliar a imagem em 100% podemos ver que o nível de ruído no fundo da imagem do 808 é bem mais suave e uniforme…

Nokia 808 modo Pureview (8 MP)

… ao contrário do Milestone, que nos pareceu bem mais irregular e desuniforme, formado por pontos maiores e menores:

Motorola Milestone 3 (8 MP)

E só por curiosidade, comparamos novamente essa imagem do Nokia 808 no modo Pureview de 8 MP:

Nokia 808 modo Pureview (8 MP)

Com outra tirada na mesma câmera, porém no modo de resolução máxima de 34 MP (embaixo). Note que apesar do nível de ruído parecer maior na imagem de 34 MP ela é igualmente suave e uniforme e mostra que o resultado processado via oversampling (acima) mantém o nível de qualidade.

Nokia 808 na resolução máxima (34 MP)

E mesmo depois da foto tirada, a 808 possui um rico arsenal de ferramentas de edição e tratamento de imagem, que vai do simples ajuste automático de cores e contraste, ajuste de brilho, contraste e saturação, redutor de olhos vermelhos, e ajuste de cores por canal RGB. Tudo pode ser previamente feito na imagem para depois ser gravado por meio de um comando próprio.


A imagem também pode ser rotacionada, espelhada, recortada e redimensionada…

… e o mais interessante:  é possível adicionar diversos efeitos especiais na imagem…

… como aplicar filtros diversos:

Colar imagens de cliparts…

… ou mesmo bordas decorativas.

Eu sempre achei esses recursos meio inúteis em um PC, mas num celular esse tipo de aplicação casa bem para aquelas fotos casuais que as pessoas tiram de farra e depois enviam para seus parentes e amigos.

Além de fotografar, a 808 também grava vídeos em Full HD 1080p, HD 720p e normal 360p a 30, 25, 24 e 15 fps (quadros por segundo) com direito aos três níveis de dificuldade e a maioria dos ajustes de exposição/balanço de branco. O modo de flash nesse caso é substituído pelo iluminador a LED e o foco pode ser contínuo ou manual:

O material gravado pode ser editado no próprio smartphone e compartilhado no Youtube, redes sociais, transmitido para TV via cabo HDMI ou via rede DLNA.

Aqui um exemplo de gravação de vídeo noturno no modo grande angular:

E aqui com “zoom” aplicado:

Aqui um vídeo de dia, capturado originalmente pelo Henrique:

Nossas conclusões:

Pelo que vimos em nossos testes, temos que concordar com o pessoal da Nokia de que a proposta do 808 Pureview é de “permitir que todos os fãs de fotografia possam ter sempre à mão uma câmera de boa qualidade onde quer que estejam”.

Eu interpreto essa declaração de duas maneiras: a primeira é que a Nokia realmente tem em mãos uma tecnologia matadora que está bem à frente da concorrência no que se refere a câmeras de celulares.

Ao mesmo tempo, ela deixa claro que ela não quer começar uma guerra santa com os fabricantes de câmeras — que devem ter ficado meio que incomodados em saber que um fabricante de celulares lá da Finlândia criou uma câmera de 41 megapixels capaz dar uma surra em uma câmera de bolso. Isso pode até ser verdade entre os modelos de entrada, mas não necessariamente entre os modelos mais avançados e topo de linha, mesmo que muitos deles eles nem cheguem a 34/38 megapixels. E como vimos nos testes, a própria Nokia acredita que as resoluções que serão mais usadas no dia a dia sejam as de 5 MP e 8 MP.

Com isso eu quero dizer que a 808 PureView deve ser visto não como uma ameaça para a indústria de câmeras, e sim como uma mudança de paradigma que mostra que existem maneiras novas, mais simples e até mais elegantes de ser capturar uma foto do que o modelo tradicional de “câmera escura” com objetiva na frente e algum tipo capturador de imagem no fundo, uma ideia copiada da visão dos animais e que evoluiu para um equipamento há mais de cem anos e que até hoje segue as mesmas regras básicas.

E isso é bom ou ruim? Para mim isso é ótimo, já que iniciativas como essa da Nokia são “inovações” de fato, um dos melhores motivadores para que a indústria (neste caso de fotografia) se mexa e crie produtos e serviços ainda mais interessantes bons exemplos são a Lumix SZ5, a Nikon Coolpix S800c e mesmo a Samsung Galaxy Camera que, de um certo modo, também começam a invadir a praia dos celulares.

Mas apesar da tecnologia PureView ser interessante, ela tem alguns limites, principalmente em relação à sua capacidade de aproximar uma imagem que está diretamente relacionada ao tamanho da imagem (quanto menor, mais aproximação), ao contrário do sistema convencional capaz de trabalhar com qualquer nível de aproximação trabalhando sempre na sua resolução máxima.

Mesmo assim, eu acredito que a proposta da tecnologia PureView casa — e muito bem — com o Nokia 808. E se existe algum incômodo neste casamento é o fato de ele rodar o Nokia Belle.

De fato, muitos questionaram na época do seu lançamento por que a Nokia lançou o 808 ainda com seu sistema antigo e não com Windows Phone. E a resposta foi (e ainda é) que o projeto do PureView já estava bem avançado bem antes de Stephen Elop ter escrito aquele famoso recado para seus funcionários de que a Nokia estava numa plataforma de petróleo em chamas e empurrou a mesma para um bote salva-vidas pilotado pela Microsoft (deixando pra trás para virar churrasquinho projetos importantes como o Meego e parceiros igualmente valiosos como a Intel — que por sinal não gostou nada disso).

Assim, para não perder tempo, a Nokia optou por estrear essa tecnologia em um smartphone com Belle e a promessa de implementá-la em futuros modelos da casa com Windows Phone, alguns podem ter achado essa decisão meio sem pé nem cabeça, mas agora ela até faz sentido após o recente anúncio do Lumia 920 com Windows 8.

Sob esse ponto de vista ainda vale a pena investir no 808? Eu diria que isso depende da cabeça do usuário: Se ele estiver ciente que esse smartphone é como um canivete suíço que já vem pronto e cheio de recursos, restando para ele apenas aprender como tirar o máximo proveito de cada lâmina, o 808 é um prato cheio e diversão garantida, principalmente para os entusiastas de fotografia.

Como já dizia o velho Horácio — Carpe diem quam minimum credula postero!

Mas se o usuário é um daqueles que acham que smartphone é  como um notebook e que deve ser entupido com tudo quanto é tipo de aplicação útil ou fútil e depois disso, já fica todo ouriçado a espera da próxima versão do seu SO só para atualizá-lo, pode ser que o Lumia 920 seja uma melhor alternativa — ou não, como vimos com o Windows Phone 7.

Resumindo: se você vive (e curte) o presente, o Nokia 808 PureView é uma opção a ser considerada (carpe diem meu fio, carpe diem!). Mas se você vive em função do futuro, melhor esperar pelo Lumia 920, com recursos similares e um sistema operacional moderno e bem mais completo.

Ah sim, tem mais fotos tiradas com o 808 no nosso Facebook.

Resumo: Nokia 808 PureView

O que é isso? Smartphone com Nokia Belle de uso geral, mas com ênfase em fotografia.
O que é legal?  Belo design, facilidade de uso, câmera excepcionalmente boa para um telefone móvel.
O que é imoral? Zoom limitado, sistema operacional antiquado e sem maiores possibilidades de atualização.
O que mais?  Software Nokia Mapas e Dirigir é outra killer app inclusa.
Avaliação:  8 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 1.999 (desbloqueado)
Onde encontrarNokia

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.