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MWC 2013: o ano do superfoblet

O Mobile World Congress 2013 terminou ontem à tarde com mais uma clássica constatação sobre grandes feiras de tecnologia: mesmo com seus lançamentos e anúncios grandes, a indústria prefere guardar seus maiores segredos para eventos fechados e próprios. Explico: no primeiro dia, a Samsung disse que fará um grande anúncio em 14 de março em Nova York (provavelmente o Galaxy S IV).

Bem, pode não ser um local de grandes novidades, mas o MWC ainda é um sucesso de audiência, com mais de 72 mil pessoas lotando Barcelona, seu metrô, hotéis e restaurantes.

De qualquer modo, dá para afirmar sem medo que duas tendências saem dessa edição: os foblets (smartphones + tablets) estão cada vez mais amigáveis ao consumidor e os fabricantes já falam em soluções de “LTE em conta” para os próximos meses. 

Primeiro, os foblets. Tela de alta definição são o item necessário – LG, ZTE, Asus, Sony – entendem que um aparelho com área visual acima de 5 polegadas precisam de boa qualidade de imagem.

>>>LEIA TODA A COBERTURA DO MWC 2013

Meu favorito na feira, nesse sentido, foi o lindo LG Optimus G Pro, que nem parece que tem uma tela de 5,5 polegadas. A impressão é que os fabricantes em geral entenderam que a tendência criada pela Samsung com seu Galaxy Note (e o sucesso de vendas do aparelho) é forte e precisam do seu foblet – cada um com sua identidade e aplicativos próprios.

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Teve também o lindo, leve e fino HTC One, a aposta da turma de Taiwan em uma retomada. Meio que ignorei esse aparelho desde que a HTC abandonou o mercado brasileiro. Passei um tempo com o One e não achei que vale todo o barulho – principalmente em torno dos recursos da câmera (o tal “Camera Zoe”, que filma e fotografa ao mesmo tempo, é bem confuso).

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Mas existe um passo além do foblet: o superfoblet. Sim, é um tablet… que faz ligações. O MWC 2013 teve dois anúncios nesse sentido: o Samsung Galaxy Note 8, que lembra um grande Galaxy S III, e o Asus FonePad, o primeiro tablet com processador Intel Atom. Ambos chegam ao Brasil: o Note 8 em abril e o FonePad em algum momento desse semestre. E a HP mostrou seu primeiro tablet Android: que decepção.

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Também foi um MWC de falta de novidades. A Motorola, agora uma empresa 100% pertencente ao Google, montou um estande enorme sem nenhum novo aparelho. Perguntei a um demonstrador “cadê os produtos novos” e a resposta foi “temos o RAZR i, nosso mais novo aparelho”. O RAZR i é de setembro de 2012… Acho que novidades da Motorola mesmo só quando o tal “Phone X” for revelado (no Google I/O em maio, talvez?).

Ainda nas ausências, o Google não montou seu parque de diversões (buáaa) e a Microsoft nem deu sinal de vida – ontem à noite, após o final da feira, soltaram um comunicado que o “Windows Phone mira a segunda posição na América Latina”. Achei otimista, mas eu também acredito que meus quatro gatos são os mais bonitos do mundo. Pelo menos a BlackBerry, que acredita mais na Venezuela que no Brasil (o Z10 sai primeiro lá na nossa região), tinha um escritório para demonstrar produtos (e eu fui lá ver o Q10).

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Foi um MWC também em que os fabricantes falaram muito em aparelhos mais básicos e intermediários. A Nokia (que todo ano tem o estande mais divertido e com gente que entende do que está falando sobre os produtos, além de um ótimo café :P) mostrou seus novos Lumia, o 520 e o 720 (abaixo) – e o 520 deve ser lançado este ano no Brasil, por sinal. Mas também falou de um fone de 15 euros (algo em torno de R$ 40!) e mostrou seu design organizado por cores.

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E, sim, tem o LTE/4G. Para o mercado brasileiro, é o tema importante do ano, já que as redes devem estar disponíveis e funcionando para valer nas cidades-sede da Copa das Confederações, em junho. A Samsung disse que seu Galaxy Express, um modelo intermediário, chega com preço competitivo em abril. A LG anunciou sua linha F, mas não informou se vai para o Brasil ou não (já que nossa frequência utilizada para o 4G é  diferente do resto do mundo).

Finalmente um tema antigo e conhecido do brasileiro se torna grande notícia no MWC também: o smartphone com dois chips. Antes renegado a “xing-lings”  da vida, os aparelhos com dual-SIM despertaram interesse dos fabricantes: LG lança agora seu Optimus L3 e a Sony Mobile, seu Xperia E Duos.

Falando com a Samsung, os executivos comentaram que apenas Brasil, Rússia e Índia têm interesse por aparelhos de dois chips. No lado pop e barato, o Firefox OS se mostrou uma grande promessa. Tá cheio de coisas pra resolver ainda até o lançamento oficial em algum momento deste ano. E a Jolla me pareceu bastante interessante – pena que começa na China e Europa.

Agora é hora de arrumar as malas e voltar pra casa. Ainda tenho alguns posts para escrever sobre o MWC, mas isso fica para a semana que vem, e preciso procurar um novo sabor de Angry Birds para beber enquanto não vou ao aeroporto.

>>>LEIA TODA A COBERTURA DO MWC 2013

Disclaimer: Henrique viajou a Barcelona a convite da Samsung. Todas as opiniões são dele. 

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin