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Review: Motorola RAZR MAXX

Existem dois bons motivos para comprar um Motorola RAZR MAXX: sua bateria com duração impressionante e o fato de rodar Android 4.0 quase (eu disse quase) sem modificações.

Pense no RAZR MAXX como o irmão maior do primeiro RAZR com Android, lançado no final do ano passado (leia o review).

É o mesmo hardware: processador dual-core de 1,2 GHz, tela de 4,3 polegadas qHD (540×960) protegida por Gorilla Glass (e corpo em Kevlar), câmera de 8 megapixels, 16 GB de armazenamento interno (expansível com cartões microSD) e 1 GB de RAM. Some um conector micro HDMI ao pacote – vem com cabo na caixa, mas sem o adaptador para a lapdock do Atrix.

Para os padrões de smartphones topo de linha atuais, é uma configuração mediana, já que está um passo atrás dos concorrentes (já com processadores quad-core no mercado, como o Samsung Galaxy S III). Não é um problema urgente, porém. O RAZR MAXX tem bom desempenho.

Seu desenho é igual ao RAZR: margem com bordas levemente curvadas e bastante espaço de moldura na lateral da tela, o acabamento traseiro em kevlar, que o deixa bastante resistente. A bateria não é removível, o aparelho usa microSIM card (que aos poucos se torna padrão de mercado) e há apenas uma parte móvel – a tampa lateral para o microSIM e o cartão microSD.

Muda apenas a espessura do smartphone: antes, eram 7,1 mm em uma estranha saliência traseira por causa da câmera digital, deixando o telefone com um “calombo” atrás. Agora, o RAZR MAXX tem 9 mm de espessura em todo o aparelho: isso o deixa uniforme e um pouco mais parrudo – mais fotos detalhadas do RAZR MAXX no nosso hands-on.Eu, particularmente, não acho o RAZR MAXX um aparelho bonito. Sobra borda e falta tela, pelo menos o acabamento traseiro em kevlar (é forte!) é bastante agradável ao toque.

Não dá para saber se é influência da compra pelo Google ainda, mas a instalação do Android 4.0 na versão que recebi para testes (sem apps de operadora) é praticamente limpa. Não existe mais o MotoBlur (yay!), mas bons recursos já presentes no RAZR, como o MotoCAST (espécie de sucessor aprimorado e discreto do MotoBlur) e as Smart Actions estão lá. A tela inicial mantém os quatro botões fixos (telefone, contatos, mensagens e câmera, além do botão Menu que leva aos apps/widgets).

O MotoCast aparece em vários aplicativos do RAZR: música e fotos são os principais. É preciso criar uma conta no serviço MyMotoCast e baixar um aplicativo para o computador (Mac ou PC), que transforma a máquina em um servidor de mídia que pode ser acessado pelo smartphone de qualquer lugar – basta o PC estar ligado e online e, claro, ter uma conexão de dados no RAZR (Wi-Fi ou 3G).

Já as Smart Actions foram aprimoradas: o aplicativo permite criar regras rápidas de funcionamento do aparelho dependendo da situação. São vários exemplos predefinidos, mas dá para editar e criar novas regras ao seu gosto. O que melhorou? O aparelho ficou “esperto” e identifica situações automaticamente, sugerindo ações na barra de notificação – cabe ao usuário ativá-las ou não.

Para mim, o RAZR MAXX sugeriu Smart Actions para, por exemplo, ativar a economia de bateria quando atinge o nível de 25% (algo… difícil de acontecer em um dia normal) ou ligar o modo “Regra para dormir”, que desativa as conexões (3G, Bluetooth, Wi-Fi) sozinho à noite – economizando ainda mais bateria. Ponto pra Motorola: é um recurso bastante útil para lembrar o consumidor ou fazer o smartphone realizar tarefas por conta própria.

A câmera do RAZR MAXX repete os resultados encontrados no RAZR: bons níveis de detalhe, imagens um pouco subexpostas (mas menos que no RAZR), pouco ruído com boa iluminação – e bastante nas fotos noturnas. Amostras de fotos no nosso Facebook.

Finalmente, o mais importante: a bateria. A Motorola aproveitou o design fino do RAZR para inserir uma bateria de maior capacidade no RAZR MAXX. Sai uma bateria fraquinha de 1.780 mAH, entra uma bateria poderosa de 3.300 mAH. Aumente a capacidade, ganhe mais tempo de bateria: simples assim.

E funciona bastante. Em um dia de uso intenso (3G, GPS, e-mail, ligações, Twitter, Foursquare, Facebook, Internet, SMS, câmera digital), a bateria levou 11h45min para atingir o nível de 50% (e mais de uma vez repetiu esse desempenho).

O RAZR original atingiu 30% em cerca de seis horas (quase metade do tempo). Não carreguei o aparelho nem liguei o modo de economia: mais 10% da bateria gastos com sincronização (lembre que isso pode ser desligado) durante a noite. Resultado: 40% restantes com 23 horas de aparelho ligado é realmente incrível.

Vale lembrar que a Motorola não fez nenhuma mágica ou adotou nova tecnologia com o RAZR MAXX: apenas colocou uma velha e boa bateria de íons de lítio de maior capacidade.

Adicione um game à brincadeira: algumas partidas de Temple Run (insira seu game favorito aqui) aceleraram o gasto da bateria: cheguei a 20% (e o Smart Actions me pediu para ativar seu modo econômico) com 13h de uso do telefone fora da tomada. Ainda assim, impressionante.

O desempenho em benchmarks do RAZR MAXX é superior ao do RAZR. Mas isso não significa que o hardware melhorou: não, é o Android 4.0 que deixa o aparelho mais rápido mesmo. Já vimos isso ocorrer com o Samsung Galaxy S II e era algo esperado no novo modelo da Motorola. Os resultados são bastante parecidos com os do Sony Xperia S, também dual-core com Android 4. Em multimídia, o desempenho é idêntico ao do RAZR: roda AVIs com restrições e MP4s sem problemas.

Veja os números:

  • Vellamo Browser (navegador): 1.247 pontos (788 no RAZR com Android 2.3)
  • Quadrant Standard Edition (desempenho): 2.774 pontos (1.885  no RAZR com Android 2.3)
  • AnTuTu Benchmark (desempenho): 6.284 pontos (5.974  no RAZR com Android 2.3)
  • NenaMark 1 (vídeo): 56,5 quadros por segundo (53,2 qps  no RAZR com Android 2.3)
  • NenaMark 2 (vídeo): 36,8 quadros por segundo (27,7  no RAZR com Android 2.3)

No fim das contas, o RAZR MAXX não se deixa vencer pelo cansaço da bateria, e isso é o grande diferencial. Seu desempenho (mediano perto do que é possível com um Galaxy S III quad-core, por exemplo) permite realizar bem tarefas cotidianas, e sua bateria, de novo, é incrível.

O Xperia S tem uma câmera melhor e tela com maior resolução, mas hoje se você pode ter um aparelho com bateria que aguenta mesmo o tranco do uso diário sem te prender a baterias extras ou ao carregador, o RAZR MAXX é a opção a ser feita. Inicialmente, o RAZR MAXX será vendido apenas pela operadora Vivo, que divulgou um preço sugerido com plano de dados bastante interessante: R$ 699 no plano Vivo Smartphone Ilimitado 200 3G Plus (válido para São Paulo).

Resumo: Motorola RAZR MAXX

ztop indica!

O que é isso? Smartphone com sistema operacional Android 4.0 e nome esquisito
O que é legal? Tela grande e com boa resolução, bom desempenho, boa câmera, excelente bateria
O que é imoral? Tamanho do aparelho pode incomodar
O que mais? Apps MotoCast e Smart Actions ampliam os recursos do smartphone.
Avaliação: 8,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 699 no plano Vivo Smartphone Ilimitado 200 3G Plus (pode variar de acordo com o plano escolhido)
Onde encontrar: Motorola

 

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin