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Mesmo com bug, chipset do Sandy Bridge continua a ser vendido

Como já havíamos revelado aqui no ZTOP, a Intel confirmou que, a partir de um acordo feito com os fabricantes de PCs, a empresa vai voltar a fornecer o atual chipset da série 6 (sim, aquele com defeito), porém dentro de certas condições.

O anúncio oficial do pessoal de Santa Clara diz o seguinte:

SANTA CLARA, Calif., Feb. 7, 2011 – On January 31, 2011, Intel disclosed a design issue with a support chip, the Intel® 6 Series Chipset that has the potential to impact certain PC system configurations. Intel subsequently initiated extensive discussions with computer makers about this topic. Both Intel and its customers are focused on delivering the highest quality PC systems based on Intel® 2nd Generation Core® Processors. As a result of these discussions and specific requests from computer makers, Intel is resuming shipments of the Intel® 6 Series Chipset for use only in PC system configurations that are not impacted by the design issue.

Only computer makers who have committed to shipping the Intel® 6 Series Chipset in PC system configurations that are not impacted by the design issue will be receiving these shipments.

Ou em bom português (segundo o Google Translate):

SANTA CLARA, Califórnia, 7 de fevereiro de 2011 – Em 31 de janeiro de 2011, a Intel divulgou um problema de design com um chip de apoio, a Intel ® 6 Series Chipset que tem o potencial de impacto determinadas configurações do sistema PC. Intel posteriormente iniciou discussões com fabricantes de computadores sobre o assunto. Tanto a Intel e seus clientes estão enfocados na distribuição de sistemas de alta qualidade para PC baseado em Intel ® Core ® 2 ª geração de processadores. Como resultado destas discussões e pedidos específicos dos fabricantes de computadores, a Intel está retomando as transferências do Intel ® 6 Series Chipset apenas para uso em configurações do PC, sistema que não são afetados pelo problema de design.

Somente os fabricantes de computador que se comprometeram a enviar o Intel ® 6 Series Chipset nas configurações do sistema do computador que não são afetados pelo problema de design estarão recebendo essas transferências.

Esse anúncio de um certo modo bate com o que havíamos ouvido antes (só que extra-oficialmente) que a Intel recomendou aos parceiros que têm plataformas com portas SATA 0 e 1 habilitadas e disponíveis que a produção e distribuição dos produtos continue  normalmente. Caso contrário, — onde as portas SATA 2 a 5 estejam disponíveis ou que possam ser habilitadas — a empresa recomenda que esses produtos sejam recolhidos e enviados para troca.

Na minha opinião, essa solução apesar de racional e até pragmática, pode causar um certo alvoroço — para não dizer uma crise de desconfiança — no mercado como um todo, já que muitas coisas podem surgir dessa decisão.

Por exemplo:

Se a Intel fosse uma banca de frutas na feira, eu diria que essa (re)oferta de chips é como aquele montinho de mamão com algum canto amassado que o feirante até retira com a faca e vende mais em conta para não jogar fora. Apesar da aparência não ser lá grande coisa, o gosto vai ser o mesmo e depois de virar suco ou salada de fruta ninguém vai notar a diferença mesmo.

Logo espera-se no mínimo, que se o pessoal de Santa Clara resolveu vender seus Cougar Points com “pontinha amassada” para os fabricantes de suco, que o faça por um precinho muuuito mais em conta que uma frutinha 100% boa. Mas, com isso a Intel pode vir a criar o que poderíamos chamar de uma categoria de produtos de segunda linha, o que não cairia bem no estômago de alguns consumidores.

E quem compraria esse chipset? O meu palpite ficaria com os fabricantes de portáteis, já que na maioria dos casos eles só usam uma porta para ligar um HD, outra para a unidade de DVD/blu-ray e os entusiastas não tem muito o que mexer dentro dessas máquinas. Acredito que nesse caso os modelos high-end equipados com portas eSATA ficariam de fora, a não ser que o fabricante adicione um chip controlador SATA independente o que dependendo do caso, pode até valer a pena.

Mas, nesse caso, eu ainda insisto — quem compraria algo equipado com um chip bugado? — como o chipset não é um componente facilmente identificável, cria-se uma má impressão no usuário final que poderia contaminar até as futuras versões livres de problemas. E qual a solução? Talvez colocar uma etiqueta avisando que esse chipset ainda é o velho, mas que funciona sem problemas e rezar que o consumidor engula essa história.

E os fabricantes de placas-mãe? Ai o cenário começa a ficar meio nebuloso, já que se alguns fabricantes poderão decidir por simplesmente recolher as peças com o chipset bugado e destruí-las, outros podem se sentir tentados a tirar proveito desse chipset mais em conta para fazer todo tipo de traquinagem tecnológica, desde lançar placas-mãe com apenas duas portas SATA (algo comum entre as mini-ITX) ou até mais se soldar um chip SATA adicional para liberar mais portas. Para mim, o cenário mais temeroso seria o da oferta de uma placa ATX normal totalmente low-cost até com espaço na mesma para as quatro ou seis portas SATA, só que com apenas dois conectores soldados: as portas ruins continuam lá mas não podem ser usadas e o fabricante ainda economiza 50% em conectores de HD em cada placa.

E quem compraria isso? Tanto as mini-ITX  quanto as ATX com duas portas SATA atenderiam bem à maioria dos integradores de PCs de entrada (e até mainstream) que equipam seus sistemas com apenas um HD e um leitor de CD/DVD. E com um monte de lacres colados no gabinete ameaçando o usuário de perda de garantia caso o mesmo seja aberto, acho difícil que algum consumidor perceba a diferença, principalmente na loja.

Finalmente a Intel disse ter reservado quase 1 bilhão de dólares para resolver esse problema e com esse anúncio, entende-se que o pessoal de Santa Clara pode até ecomonomizar uma graninha nessa brincadeira, o que pode ser uma boa notícia para os acionistas e até para os ambientalistas já que nem todos os equipamentos fabricados (e as placas em que muitas delas já estão soldadas) podem acabar no lixo.

Num mundo perfeito, acredito que a Intel iria simplesmente recolher todas as peças e fazer picadinho delas. Mas num mundo competitivo como o nosso, essa crise pode ser um grande prejuízo para alguns e uma grande oportunidade de lucros para outros. E com 9 milhões dessas pecinhas bugadas circulando pelo planeta, é provável que isso irá sobrar para algum usuário. E o que poderemos fazer? Eu diria que poderíamos assumir duas atitudes:

A primeira e mais simples é sermos práticos e aceitar a idéia que seu suco ou salada de frutas que você está consumindo tenha sido feito com uma ou outra frutinha amassada. Fato é que se o fabricante seguir à risca a orientação da Intel, o PC não terá problemas. E caso dê algum problema, acredito que nenhuma empresa séria irá negar suporte técnico ou mesmo uma substituição.

A outra é de exercer o seu direito de consumidor e simplesmente recusar a oferta desses produtos e esperar pelo stepping B3 (o que deve ocorrer até meados deste ano). Vivemos num país livre e ninguém é obrigado a comprar nada que não queira. E cá entre nós, com a chegada do Sandy Bridge, muitos sistemas com Core ix de primeira geração — que é um produto excelente — tem caído muito de preço o que pode ser uma oportunidade até mais interessante se você não se importar de desfilar por ai com um modelo do ano passado.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Duda

    Opa, História número 1000, vamos comemorar…

  • Vegetando

    Comprei um notebook da Sager através da MicroWay. A Sager informa que a linha de notebooks que eu comprei, a NP5160, só será enviada no fim de Março ou começo de Abril: http://www.sagernotebook.com/index.php?page=News_… . A MicroWay, por outro lado, respondeu que meu pedido será atendido até dia 15 de Março:

    "Nós ainda não recebemos nenhum equipamento com esse processador/chipset, o primeiro lote que iremos receber é o lote que está o seu equipamento, que tinha previsão de embarcar da Sager HOJE. Porém, ontem recebemos um comunicado da fábrica que por causa desse recall da Intel, a previsão de entrega desse primeiro lote passa a ser no final de fevereiro. Portanto sua entrega deverá estar acontecendo até dia 15 de março. Ainda bem que aconteceu isso com os notes ainda sendo fabricados.

    A Sager e acredito que todos fabricantes no momento não estão mais aceitando pedidos desses equipamentos. A Sager vai primeiro atender os pedidos que já recebeu (nosso primeiro lote por exemplo) e só depois de todos pedidos de todos revendedores serem atendidos é que voltará a aceitar novos pedidos, e ai sim o prazo vai ser para Abril / maio somente."

    Como o notebook tem uma porta eSata, acredito que ele não deveria receber uma placa mãe com o chipset defeituoso. Apesar de a porta eSata provavelmente ser pouco utilizada, seria uma surpresa desagradável ter algum problema após a garantia de 2 anos terminar.

    Agora é tomar a decisão de ser paciente e esperar o notebook chegar ou partir para um modelo da linha anterior, com garantia mínima de qualidade.

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  • dflopes

    não podemos ser tão exigentes >.<

    se vier barato, que mal tem uma vitamina com um mamão amassado comprado na "viração" da feira???
    Ainda mais se for um notebook???

    Mas, se vender nas casas "populares" de varejo, nem vão notar a diferença… ¬¬

    P.S.: E parabéns pelo milésimo post!

  • Renan

    Meu, sabe o que eu acho?!
    É um p*t* mundo injusto meu!!!! huAuhhuHUAhuA

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  • Fernando

    Hoje já há uma briga muito grande por preços isso vai acirrar ainda mais, eu previro esperar uns 6 meses para ter certeza que vou comprar algo que eu possa utilizar na sua plenitude.colocando em notebooks de baixo custo que não possem eSata, isso vai embora Rapidinho no mundo…
    mas fica aquela pulga atras da orelha a partir de agora , qq probleminha que a maquina apresentar o chipset será o vilão por abrir esse precedente