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Jen-Hsun fala sobre seus afetos e desafetos

NVISION 08 – Logo após seu keynote de abertura do NVISION 2008, Jen-Hsun Huang, CEO da NVidia participou de uma seção de perguntas e respostas com a imprensa e num papo aberto e informal ele falou um pouco de tudo: sua visão do mercado, estratégias da sua empresa e até mesmo da movimentação da concorrência.

Antes de mais nada, Huang reforçou sua mensagem de que a sua indústria precisava de um evento próprio já que muitos ainda não perceberam o quão amplo é o mercado de computação visual e suas aplicações e que ele espera que no futuro outras grandes empresas participem das futuras edições desse evento, incluindo a concorrência. De fato, Huang comentou que até a ATI foi convidada a participar do NVISION mas eles declinaram o convite o que não é de se estranhar, já que se trata de uma iniciativa nova e muitos preferem esperar o balanço final antes se comprometerem com a próxima edição. E se o problema estiver no nome, pode-se considerar alternativas. De fato, o executivo não achou NVISION um nome tão bacana, ele preferia algo como NVidia Developers Conference ou GeForceHec (referindo-se aos eventos da Intel e Microsoft).

Como era de se esperar, alguém perguntou sobre sua opinião sobre Larrabee. Huang disse não poder falar muito sobre um produto que ainda nem foi oficialmente mostrado para o mercado, e quando ele aparecer o executivo afirma que sua tecnologia estará tão avançada que será até injusto fazer comparações. Ele acredita que todo esse barulho que a Intel está fazendo com Larrabee vem do fato de que eles mesmos começarem a dar valor para a computação visual. Se no passado as GPUs da NVidia não passavam de chips de funções fixas, sua atual geração de produtos são completamente programáveis numa linguagem de alto nível como C/C++ de modo que eles podem ser considerados processadores de uso geral.

Para Huang, o grande atrativo do x86 é o que ele chama de “compatibilidade de código” e que se não fosse pelo seu tempo de mercado, ele não acredita que alguma empresa escolheria essa linguagem para um novo processador. E mais: é preciso questionar se o Larrabee é compatível com Windows ou com outros avanços do X86 como as extensões de 32/64 bits e até mesmo SSE3 “e a resposta é não”. E se a vantagem do X86 está nas suas ferramentas de programação, outras CPUs também oferecem esse recurso. E de qualquer modo, a NVidia apóia o X86 e no seu uso combinado com sua GPU ou com qualquer CPU incluindo outras plataformas como o SGI (muito usado em carros), ARM (ainda popular em dispositivos de mão, incluindo o iPhone) e até Power PC usado em videogames. “De fato a Internet não gira ao redor do x86. Isso pode até parecer uma frase de efeito, mas de fato isso não é tecnicamente verdadeiro” comenta o executivo.

Com relação ao segmento de computação móvel é interessante notar que a NVidia não apoia os chamados MID (Mobile Internet Device) apostando todas as suas fichas nos smartphones, segmento que a empresa acredita que estará a segunda revolução da computação pessoal. O melhor exemplo é o iPhone e sua atual capacidade do usuário baixar aplicações diretamente no mesmo e ter uma experiência agradável com isso.

Tivemos a oportunidade de perguntar para Huang sobre como anda sua parceria com a VIA Technologies e ele disse que eles possuem um grande processador antes chamado Isaiah e agora conhecido como Nano. “Se você combinar um nano com uma placa GeForce e colocá-lo dentro de um gabinete, você pode achar que tem um PC de alto desempenho. Tudo roda nele!” disse o executivo. “A diferença é que ele é pequeno, custa pouco, consome pouca energia. É inacreditável!”. A NVidia está tão impressionado com o produto que irá otimizar toda a sua linha de software para o Nano, garantindo total compatibilidade com o produto. Quando perguntado se a empresa tem intenção de criar produtos específicos para o Nano, Huang disse que as placas GeForce serão as mesmas dos PCs e serão instaladas no seu slot PCI-E. Somente seu software interno será otimizado para a CPU da Via.

Quando perguntado sobre a concorrência do processador Cell-BE da IBM no mercado de supercomputação, Huang reconhece que a Big Blue fez um grande trabalho no Cell mas ele observa que esse chip não conta com o mesmo carro chefe que facilite sua penetração no mercado como a NVidia tem, e o nome desse carro é o GeForce no qual a empresa investe US$ 1 bilhão por ano – contra US$ 100 milhões que a IBM investe em P&D no Cell – e esse por sinal é o que torna o CUDA no GeForce tão revolucionário, ou seja, sua empresa tem a possibilidade de introduzir a tecnologia CUDA no mercado sem que os usuários tenham que pagar algo a mais por isso, já que ele vem implementado nas placas GeForce.

No final da coletiva, Jen-Hsun gentilmente posou para algumas fotos com jornalistas sendo que na minha vez havia um colega da AFP – Glenn Chapman – que insistia numa pergunta para o CEO da NVidia. Como o tempo estava se esgotando eu botei ele no meio da foto e pedi pro Paulo Couto do Forum PCs tirar a foto.

Chapman gostou tanto da imagem que pediu para mandar uma cópia pra ele. ;^)

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • ASF

    Acredito que ficou faltando uma pergunta importante, com relação ao suporte da NVidia a tecnologias de software e padões open source.

    Ou seja, como a empresa enxerga e pretende abordar no futuro essas tecnologias, e como elas podem ter impacto no seu modelo de negócios.

    Cito: drivers para sistemas open source como Linux, xBSDs, etc. E tecnologias como OpenCL, por exemplo.