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Intel quer descobrir os novos profetas da ficção científica

Concurso literário e artístico pode ser a base de novos desenvolvimentos tecnológicos. 

Antes considerado um subgênero literário, a ficção científica ganhou bastante prestígio nas últimas décadas já que muitos fenômenos, fatos históricos e equipamentos hi-tech descritos nessas histórias deixaram de ser simples quimeras, devaneios ou pura viagem na maionese para se tornarem coisas bem reais nos dias de hoje.

Por exemplo, em 1945 (ou doze anos antes do Sputnik ir para o espaço), Artur C. Clarke já descrevia um sistema de estações retransmissoras de rádio colocadas numa órbita geoestacionária ao redor da terra. Tecnologia  que hoje chamamos de satélites de telecomunicações.

Já no livro Do Androids Dream of Electric Sheep? (que inspirou o filme Blade Runner), Phillip K. Dick cita uma engenhoca (que por sinal, não aparece no filme) chamada “Caixa de Empatia” que permite aos seguidores do Mercerismo passar pelas mesmas experiências e sofrimentos do seu fundador e profeta Wilbur Mercer —  algo por sinal, que lembra muito a realidade virtual.

Isaac Asimov e suas três leis da robótica podem ser realmente colocadas em prática num futuro próximo à medida que a indústria começa a finalizar seus primeiros robôs capazes de interagir diretamente com seres humanos, especialmente em certas atividades como cuidar de pessoas idosas, desabilitadas, enfermas e até crianças.

Isso mostra que muitos autores de ficção científica podem, de um certo modo, serem considerados profetas — ou mais exatamente futurologistas — cujas idéias podem ter até um valor comercial ou mesmo estratégico, já que elas podem servir como um norte para as empresas de tecnologia direcionarem seus projetos de pesquisa e desenvolvimento para o curto, médio e longo prazo.

De fato, algumas indústrias já percebem o grande potencial criativo desse gênero literário e até começa a estudá-lo de maneira mais sistemática de modo a obter resultados mais plausíveis e não cair em roubadas como, por exemplo, criar um sabre de luz estilo Guerra nas Estrelas — algo que nem o físico (e cientista maluco da hora) Michio Kaku foi capaz de imaginar como poderia ser construído, propondo no seu lugar um quebra-galho de plasma com lâmina de cerâmica avançada (buuu!)

Na Intel, esse trabalho é conduzido por Brian David Johson que utiliza estudos de campo, etnografia, pesquisas tecnológicas, análises de tendências e comportamento social para construir uma visão pragmática da tecnologia sobre o ponto de vista dos consumidores.

Tive a oportunidade de conhecê-lo em uma mesa redonda durante o último Intel Developer Forum, em setembro, onde ele descreveu seu trabalho, em especial no campo da ficção científica.

Uma das suas técnicas que mais me chamou a atenção é um método que ele bolou que transforma os escritores deste gênero em “simuladores”. Ele sugere um tema, delimita certos parâmetros (para o pessoal não viajar muito) e deixa que eles façam seu relatos, obtendo assim resultados mais efetivos e dentro do esperado.

Muito desse trabalho se concentra no site The Tomorrow Project, um amplo projeto de discussão continuada que engloba livros, vídeos, palestras, eventos e outras iniciativas do mundo real e virtual onde cientistas, pensadores, escritores, empreendedores, celebridades, aficionados por tecnologia e até pessoas comuns trocam informações sobre o mundo atual e aquele que gostaríamos de criar.

Num papo informal com Brian no fim daquele encontro, ele me disse que esse projeto iria para o Brasil ainda neste ano e, de fato, o Tomorrow Project Brasil foi anunciado ontem (27) no Brasil, numa parceria entre a Intel e a FIAP, sendo que numa das suas primeiras iniciativas locais é um concurso que irá aceitar contos, vídeos e ilustrações com o tema “Um dia da minha vida em 2025“. Os trabalhos devem explorar fundamentalmente o elemento humano e as tecnologias em desenvolvimento — da robótica até biologia sintética — que podem alterar o nosso futuro.

O anúncio foi feito por Fábio Tagnin, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Intel Brasil (e chapa deste ZTOP). Ele comenta que o Brasil precisa participar dessa conversa, ajudando a indústria a compreender quais são seus desejos e apreensões com o futuro transformando-se assim num player ativo na construção do nundo em que viveremos amanhã.

Esse concurso já foi realizado nos EUA e na Inglaterra, sempre com o apoio de uma universidade local. A grande novidade na edição brasileira é que nos outros países só foram aceitos contos de até 3.000 palavras, enquanto que aqui também serão aceitos vídeos de até quatro minutos e ilustrações.

Os projetos devem ser artísticos e de fácil compreensão para que possam ser aproveitados até mesmo pelo público leigo. E os melhores trabalhos — selecionados por um corpo de especialistas indicados pela FIAP e Intel — serão publicados no site da iniciativa e posteriormente em formato de livro eletrônico.

Para ajudar os participantes, o site da iniciativa possui diversos materiais para consulta. Fora isso, Tagnin citou o bom e velho Asimov, que em 1953 já descrevia os diferentes estilos de ficção científica:

Os participantes precisam ter mais de 18 anos e seus projetos precisam ser originais e inéditos. As submissões podem ser feitas até o dia 14 de abril de 2013, mas vale a pena observar que somente os 200 primeiros trabalhos (considerados válidos) serão aceitos ou seja, nada de deixar para última hora!

As informações completas (incluindo as regras) podem ser lidas aqui.

Exemplo de inovação: Quem imaginaria isso 20 anos atrás?

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.