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Intel Bay Trail quer ser o Atom pra toda obra

IDF 2013: Sucessor do Clover Trail é tão potente que é intenção da Intel também usá-lo em outras plataformas, incluindo notebooks e desktops de entrada.

Quem leu nosso review do Dell Latitude 10 notou que não ficamos muito impressionados com o desempenho do seu SoC (system on a chip) Atom Z2760 “Clover Trail” que, para nós, era o mesmo de um netbook com Atom N260.

Para aprimorar o produto, a Intel anunciou neste IDF 2013 o Bay Trail, um novo SoC baseado no novo núcleo de processamento Silvermont de 22 nm (contra 32 nm do Saltwell) que incorpora recursos bem interessantes como suporte para 64 bits (algo desejado pelo mundo corporativo) , modo turbo (de até 2,4 GHz em alguns modelos) e o mais impressionante: o uso de uma aceleradora gráfica Intel de sétima geração, por sinal do mesmo tipo usado no Ivy Bridge (processadores Intel Core de 3a geração presentes em notebooks e desktops desde o ano passado).

IDF2013_D2_BayTrail_maagic

Para demonstrar o poder de processamento desse novo chip, a Intel apresentou alguns números que, se forem confirmados por reviews independentes, podem ter o mesmo impacto  no mercado como foi a chegada do primeiro processador Core que substituiu o Pentium por favor me esqueçam 4.

E o que esses números mostram é que no modo de uso clássico de um tablet (consumir dados, trocar mensagens, navegar na web etc.) o Bay Trail cosegue ser mais de 2 vezes mais eficiente que o Clover Trail:

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Mas até ai nada demais, já que o que realmente chama a atenção é o fato da Intel afirmar que o Bay Trail também é uma boa plataforma de produtividade, o que derruba o paradigma de que um tablet não é das melhores plataformas para gerar conteudo:

IDF2013_D2_BayTrail_test_creative

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Finalmente, equipado com uma aceleradora gráfica relativamente moderna, o Bay Trail vem com a promessa de oferecer uma excelente experiência em jogos de Tablet/Android e até alguns jogos de PC.

IDF2013_D2_BayTrail_tests

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De fato, a Intel está tão entusiasmada com o potencial desse novo produto que está desenvolvendo toda uma nova estratégia/ecossistema ao redor desse novo chip. Entre eles a criação de um novo padrão de formato (ou dispositivo de convergência) que eles chamam de “2-em-1” que e como eles dizem, “um tablet quando você quer ou um notebook quando você precisa”.

IDF2013_D2_2_in_1

De um certo modo, os 2-em-1 são velhos conhecidos do mercado e podem ser do tipo que gira, tomba ou torce a tela…

IDF2013_D2_BayTrail_sony_2_in_1

… ou aqueles que a tela destaca do teclado:

IDF2013_D2_BayTrail_asus_2_in_1

E de fato, várias empresas já anunciaram seus modelos que devem chegar ao mercado nos próximos meses:

IDF2013_D2_2_in_1a

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Outra iniciativa ainda mais interessante é que o Bay Trail também será usado em outras plataformas como mini-notes, All-in-Ones e até desktops.

IDF2013_D2_BayTrail_uses

A idéia neste caso é de atender ao segmento de entrada/valor com uma plataforma de menor custo e o mais supreendente: ele poderá ser vendido como um chip Celeron/Pentium com direito a selo e tudo (embaixo), o que acredito que será a primeira vez que veremos dois chips completamente diferentes com a mesma marca, apesar da Intel ter afirmado que irá criar algum meio de diferenciar os Celerons baseados em Bay Trail dos modelos baseados no Core ix.

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De um certo modo, a Intel pode ter chegado um pouco depois da concorrência no segmento de ultraportáteis, mas o lançamento do Bay Trail pode ser aquilo que eles precisam para reconquistar os corações de mentes de alguns usuários que partiram para outras plataformas, apesar de que nesse mercado o que interessa é a experiência de uso e não tanto o seu hardware.

Sob esse ponto de vista, o que a Intel está oferecendo para o mercado é um produto que pode oferecer algo a mais que seus concorrentes, o que pode ser uma proposta interessante para alguns usuários, em especial aqueles que já passaram pela experiência de comprar seu primeiro tablet e agora serão mais exigentes na hora da troca do mesmo.

Mas isso só o tempo dirá.

Disclaimer: Mario Nagano viajou a San Francisco a convite da Intel, mas todas as opiniões e as fotos bacanas são dele.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.