ZTOP

IDF 2008: A Intel e o poder do Atom!

idf_2008_day_1_intro.jpg

IDF Spring 2008 – Tem iní­cio hoje (2/4) a edição de primavera do Intel Developer Forum de 2008 que, como no ano passado, está sendo realizado em Shanghai, na China. E, devido í s diferenças de fuso horário, a Intel organizou um dia antes uma conference call que contou com presença de Anand Chandrasekher, vice-presidente sênior e gerente geral de ultramobilidade para os jornalistas que ficaram deste lado do planeta, para passar alguns assuntos que serão tratados durante os keynotes do chamado “Day 1” (termo cunhado por Justin Rattner, CTO da empresa).

Sob um certo ponto de vista, essa apresentação complementa outra realizada no último dia 17/03 (e já noticiada por este Zumo) onde Pat Gelsinger concentrou sua apresentação nos novos produtos para desktops, servidores e a chamada Computação Visual. Desta vez, Chandrasekher fala sobre produtos móveis e sua nova menina dos olhos: a plataforma Intel Atom.

Segundo o executivo, í  medida que a internet se envolve cada vez mais na vida das pessoas, existe a demanda pela melhor experiência de uso da rede, o que hoje só é possí­vel ser feito com o uso de desktops e notebooks. A Intel acredita que as pessoas desejam levar suas experiências de uso da Internet consigo, na forma de dispositivos móveis mais potentes e altamente compatí­veis com os padrões da internet, os chamados MIDs (Mobile Internet Devices). E a resposta da empresa veio na forma das novas plataformas Atom e Centrino Atom.

idf_2008_day_1_atom.jpgAntes conhecido pelo codinome Silverthorne, o Atom é uma impressionante pastilha de silí­cio com menos de 25 mm², 47 milhões de transí­stores produzidos no processo de 45 nm. Seu envelope térmico fica em torno de 0,65~2,4 watts trabalhando entre 800~1,86 GHz e, o mais importante, ele é totalmente compatí­vel com os atuais chips Core 2 Duo (Meron) com suporte para virtualização, SSE3, Hyperthreading e Digital Media Boost.

De um certo modo, isso explica por que a Intel passou para frente sua tecnologia XScale para a Marvell (baseada na microarquitetura ARM) que, apesar de excelentes, não falavam X86. Assim, a Intel unifica sua linha de produtos com praticamente todos os seus processadores falando quase o mesmo dialeto, com exceção talvez do Itanium, que vai bem obrigado e que está feliz com seus 64 bits e a sua vida quase no anonimato.

idf_2008_day_1_silverthorne.jpgChandrasekher também revelou que 2008 também será o ano do Menlow, a primeira plataforma móvel baseada no Atom, desenhada a partir do zero e voltada para desempenho e baixo consumo, formado pelo processador Atom e uma nova famí­lia de SHC’s (System Controller Hub) especí­fico para MIDs codinome Poulsbo. Trata-se de uma solução de chipset altamente integrado e de baixo consumo, com suporte para gráficos 3D (DX9L e OpenGL), decodificador de ví­deo para 720p e 1080i (Full-HD) e outros recursos de E/S como PCI Express, SDIO, USB (Host e Client), memóriaDDR2 400/533 MHz e som em HD.

Disponí­vel em três modelos, a Intel anunciou o suporte da sua nova plataforma para vários SOs como Windows e Linux. E com essa plataforma, espera-se que o Atom possa entrar em novos segmentos de mercado como os computadores de carros, terminais de PDV, sistemas de monitoração médica, sistemas de automação industrial e robótica e até sistemas de jogos eletrônicos.

A Intel irá fornecer a plataforma Atom na forma de kits (processador + SHC) nas versões de 800 MHz, 1,1 GHz, 1,33 GHz, 1,6 GHz e 1,86 GHz por US$ 45, US$ 45, US$ 65, US$ 95 e US$ 160 respectivamente, sempre preços unitários para lotes de mil peças.

idf_2008_day_1_mobile_marketing.jpgE não é só isso… A Intel já mostrou em seu roadmap o sucessor do Menlow – a plataforma Moorestown – formada pelo Lincroft, que integra o processador Silverthorne de 45 nm, interface de ví­deo/aceleradora gráfica e o controlador de memória num único chip e um controlador codinome Langwell, que suportará diversas soluções de E/S para displays, armazenamento e comunicação sem fio. Chandrasekher afirma que Moorestown consumirá 10 vezes menos energia que seu antecessor, além de marcar a chegada dessa plataforma nos primeiros smartphones.

idf_2008_day_1_montevina.jpgNo segmento de portáteis – assunto do keynote de David Perlmutter – a Intel irá mostrar uma nova tecnologia anti-furto que, segundo Chandrasekher, seria um novo componente da plataforma VPRO com lançamento previsto para o final desse ano. Ele também deve falar sobre a chegada da nova plataforma móvel Centrino 2 (codinome Montevina) para junho desse ano que virá com melhores recursos para virtualização e suporte nativo para ví­deos em full HD, incluindo os leitores de discos Blu-ray e HD DVD. Se ele se empolgar pode ser que ele fale – ou mesmo lance finalmente – o Core 2 Extreme QX9300 o primeiro quad-core para portáteis. Com certeza, o executivo falará sobre o sucessor do Montevina – a nova plataforma Calpella – previsto para 2009 e que será a primeiro Centrino baseado na versão móvel do Nehalem e sua nova microarquitetura.

Outro assunto abordado por Perlmutter será a demonstração da segunda geração do Classmate PC – que a Intel está chamando de Netbook – ainda baseado no processador Celeron M, com suporte para redes Wi-Fi e Mesh. O modelo mais avançado terá uma tela de 9″, bateria de seis células, 512 MB de memória, webcam integrada e um disco rí­gido de 30 GB (poderia ser até esse modelo já mostrado da Seagate). O sistema operacional é o bom e velho Windows XP e Linux e os primeiros modelos devem chegar a partir de junho desse ano. Segundo Andrew Chien, VP do grupo de tecnologia corporativa da Intel e diretor da Intel Research, as futuras versões do Classmate virão com o processador Atom (Yay!). No futuro, o Classmate PC também virá equipado com o processador Atom.

idf_2008_day_1_mobile_targeting.jpgO interessante é que o Netbook começa a ampliar seu público alvo também para os chamados “mercados maduros”. Enquanto entre os emergentes, o Netbook está fortemente voltado para o mercado de educação e o primeiro contato com o PC, nos paí­ses desenvolvidos o Netbook também poderia ser usado como um complemento de educação é até como um segundo notebook da casa ou o primeiro computador para crianças de 6 a12 anos, já que os mais crescidinhos vão querer algo mais potente para jogar Crysis a 120 qps.

Um bom exemplo da “descoberta” desse mercado é o sucesso inesperado do Asus eee PC, que mostrou que existe um mercado para um portátil simples e compacto que atenda as necessidades básicas de Internet de qualquer pessoa. E imaginem um desses com um HD de verdade e um Atom dual core?

O último keynote será de Pat Gelsinger, mas boa parte de sua apresentação já foi adiantada na semana passada.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.