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Hands-on: Câmera Hasselblad True Zoom para Moto Z

Com o apelo de transformar seu Moto Z numa câmera zoom de verdade, o novo acessório True Zoom da Hasselblad é muito bacana na teoria, mas nem tanto na prática.

Revelado para o público em junho deste ano lá em San Francisco, o Moto Z  (e seu irmão menor e mais gordinho, o Moto Z Play) formam a nova linha de smartphones topo de linha da Moto (ex-Motorola)

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… que poderiam ser mais uns smartphones bestas premium do mercado se não fosse pelos Moto Snaps, um novo conceito de acessórios acopláveis na parte de trás dos aparelhos da linha Z que vão muito além da bateria extra ou da capinha enfeitada:

De fato, a proposta do Moto Snaps é super ambiciosa no sentido de que a Lenovo está incentivando a comunidade de desenvolvedores a criar seus próprios Moto Snaps, por meio dos MDK (Motorola Development Kit) o que pode ser o início de um novo e excitante ecossistema que tenta repetir o sucesso das placas de expansão para o Apple II e dos PCs.

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Dentre os primeiros Moto Snaps a chegar ao nosso mercado, estão o Incipio Offgrid Power Pack (R$ 399), o Moto Insta-share Projector (R$ 1.499) e o JBL Soundboost Speaker (R$ 699).

Porém,  o acessório que mais chamou a nossa atenção é o Hasselblad True Zoom (R$ 1.499):

hasselblad_moto-x_overallMas antes disso…

Pausa para um momento Ztop+Zumo de reflexão:

Quando ouvi falar deste lançamento, a primeira coisa que me veio na cabeça foi — fora o vil metal, por que é que a Hasselblad entrou nessa parada? — já que o seu grandioso legado está fortemente associado ao mercado profissional de médio formato e mais ainda com a fotografia de estúdio, já que seu obturador central ou de folha (Synchro-Compur) permite o uso de flash em qualquer velocidade o que torna as Hassels ferramentas ideais para os artistas da iluminação.

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De fato, ela poderia até ser uma marca desconhecida do grande público — como a Mamiya, Alpa ou até mesmo a Linhof — se não fosse pelo fato dela ter sido escolhida pela NASA para fornecer suas câmeras para o projeto Apollo — decisão que a 100% americana  Kodak nunca se conformou — e os suecos tiram proveito até hoje.

Mas, afinal, não é disso que são feitos os sonhos?

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Fato é que NASA sempre foi meio agnóstica com relação a isso enviando diversos produtos “de prateleira” para o espaço, sendo que a câmera que acompanhou John Glen no seu histórico vôo orbital ao redor da terra foi uma ordinária Minolta Hi-Matic (vendida nos EUA como Ansco Autoset 35mm) comprada numa farmácia local e modificada para uso com o traje espacial. Já na famosa foto de Ed White flutuando no espaço durante a missão Gemini IV, dá para ver uma Zeiss Ikon Contarex Special fixada no seu equipamento de manobra no espaço.

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O meu palpite é que o pessoal da Moto/Lenovo estava atrás de uma marca famosa que pudesse ser associada ao seu novo produto e a Hasselblad foi meio que um achado, já que estava disponível (ao contrário da Leitz e a Zeiss), e nos últimos anos ela lançou alguns modelos bem extravagantes como a Hasselblad Lunar de 2013 que era — na sua essência — uma Sony Alpha num corpo super enfeitado.

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Essa estratégia também vai de encontro com algo que já ouvi de Mike Bell — ex-Big Kahuna do grupo de mobilidade da Intel— que afirmava que as empresas de tecnologia podem até manjar muito de hardware e software, mas muito pouco do mercado de luxo.

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Assim ele sempre defendeu a idéia de que a melhor estratégia neste caso é de fechar parcerias com a indústria da moda e acessórios de luxo que sabem muito bem como esse mercado funciona. Bons exemplos são o Smart Bracelet MICA e o Tag Heuer Connected Watch que acabou de chegar ao Brasil  e que é — na sua essência — um smartwatch com Android Wear + hardware da Intel:

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Isso porque um dispositivo/acessório vestível não deixa de ser uma manifestação do nosso gosto pessoal, da nossa personalidade e até mesmo da maneira com que queremos que as pessoas nos vejam — sendo que muitos não querem ser vistos como aquele cara que anda com um smartphone no pulso, né?

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Sob esse ponto de vista, o que é que os suecos podem oferecer para o consumidor final além de um nome bacana para impressionar as garotas e os amigos nerds?

Vamos tentar entender no resto deste post.

Mas então — voltando ao que interessa — desenvolvida na Suécia em colaboração com a Motorola em Chicago a Hasselblad True Zoom pesa 144 gramas e mede aproximadamente 15,2 x 7,3 x 19,0 mm (LxAxP), o que faz com que ela não seja exatamente um equipamento compacto…

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… principalmente quando colocada ao lado do produto que ela pretende substituir/complementar, ou seja, as câmeras compactas do tipo point-and-shot com zoom:

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Isso porque — como qualquer acessório Moto Snap — sua largura e altura devem casar com as do Moto Z…

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… cujo encaixe é feito apenas por magnetos localizados nos quatro cantos do próprio acessório, ou seja, nada de furos, engates ou travas mecânicas:

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A superfície de contato é de policarbonato fosco à prova de marcas de dedo (yaay!) sendo que o módulo da câmera do do Moto Z fica protegido numa depressão circular forrada com uma espuma macia:

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Já na sua base, podemos ver o conector de dados do Moto Snaps (com seu número de série no meio), alguns selos de certificação e uma inscrição comemorativa “Hasselblad 1941 – 2016 Celebrando 75 anos de criatividade inspiradora“. Note que os números 41 e 16 estão em negrito, e o motivo será explicado mais adiante neste post.

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A primeira vista, esse engate magnético, apesar de elegante, não nos pareceu muito confiável já que, a primeira imagem que nos veio à cabeça é que num movimento mais brusco o celular sairia voando da câmera ou vice-versa. Mas pelos testes que fizemos, esse sistema é bem mais forte do que imaginávamos:

Fora isso, essa combinação de câmera zoom + smartphone tem a vantagem de oferecer para o fotógrafo uma generosa imensa tela Super AMOLED de 5,5″ Quad HD de 2.560 x 1.440 pixels no Moto Z (ou Full HD 1.920 x 1.080 pixels no Moto Z Play, demonstrado abaixo) que funciona bem tanto em locais fechados quanto abertos.

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A instalação do smartphone adiciona de 5 a 7 cm na espessura e de 136 a 165 gramas ao conjunto dependendo do modelo (Moto Z ou Moto Z Play)…

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… que somado à sua empunhadura, proporciona uma pegada até que bem firme…

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… apesar de que durante os testes, notamos que segurando a câmera apenas com a mão direita, existe a tendência da base do dedo polegar deitar sobre a carreira de botões de comando do Android o que pode fazer com que acionemos uma delas por acidente…

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… o que pode levar a pequenos desgostos como perder aquela foto de disco voador, monstro do lago ou até mesmo uma sua de tiete com Steve Wozniak porque a app de câmera foi desativada quando apertamos a câmera de emoção e o botão Back ou Home do Android foi acionado! X-(

Sob esse ponto de vista, melhor não arriscar e pedir a ajuda da mão direita na hora de fazer a foto:

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Sua empunhadura é feita do mesmo material do corpo da câmera — policarbonato com detalhes em metal — recoberto com algum tipo de material emborrachado que, além de dar um certo ar de sobriedade ao conjunto, melhora a sua pegada ao mesmo tempo que não acumula marcas de dedos (yaay!)

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É também neste lado que fica um slot que ajuda a separar o módulo da câmera do smartphone:

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Seus controles físicos se resumem ao básico – o botão “olha eu aqui mamãe!” de disparo rodeado pelo controle de Zoom e o botão de liga/desliga que além de ativar a câmera, também “acorda” o smartphone caso ele esteja dormindo. O interessante é que, neste caso, como medida de segurança, o sistema libera o uso da app de câmera e a visualização das fotos capturadas “nesta sessão”, mas não do resto.

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Ao lado da lente na posição de 10 horas, existe um LED laranja que funciona como luz de auxílio de foco em locais mal iluminados.

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Já do outro lado fica o flash de xenônio cujos números de potência/alcance não foram divulgados pela empresa (boo!) e cujo ajuste se limita ao esencial — automático, ligado, desligado — nada de redutor de olhos vermelhos, sincronismo com a segunda cortina, etc.

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O que notamos em nossos testes é que esse flash trabalha em duas etapas: ao pressionarmos o disparador ele realiza dois disparos seguidos, sendo que o nosso palpite é que a primeira é usada para a câmera analisar a cena (ficou muito claro ou escuro) fazer as correções necessárias e realizar o segundo disparo, agora com a exposição correta.

No geral, achamos seu desempenho bom para retratos e fotos em grupos — algo como 1 a 5 metros de distância —  mas não espere iluminar um teatro, um estádio, o Pão de Açúcar e coisas do tipo. Para isso aconselhamos o uso dos modos Retrato Noturno e Paisagem Noturna disponíveis na app da câmera.

A sua objetiva Zoom de 4.5~45mm / f3.5~6.5 funciona como uma grande angular de 25 mm até uma teleobjetiva de 250 mm, o que cobre praticamente todas as necessidades básicas de um fotógrafo amador e entusiasta e como no caso do flash, a fabricante não divulgou detalhes mais técnicos sobre a sua construção, uso de lentes especiais etc. Vale a pena lembrar que, historicamente, a Hasselblad sempre adotou lentes de terceiros (como Kodak, Zeiss e mais recentemente Fuji) de modo que não dá pra saber se essa lente foi ou não realmente desenvolvida pela empresa.

moto_hassel_objetiva

Uma curiosidade que descobrimos durante os testes, é que o número 4116 gravado na base da lente é uma referência a frase “Hasselblad 1941-2016escrita na parte de trás da câmera perto do conector do Moto Snaps que, por sua vez, faz parte de outra iniciativa mais ampla da Hasselblad batizada de 4116 Collection

Ela comemora os 75 anos da empresa com uma série de iniciativas que incluem  o lançamento da True Zoom, uma parceria tecnológica com a empresa ALPA que torna suas câmeras compatíveis — como a ALPA 12 FPS — com os backs digitais e lentes da Hasselblad…

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…e até uma linha de bolsas criadas em colaboração com a fabricante sueca de acessórios Sandqvist:

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Como diria Mike Bell, um luxo!

Quando fora de uso a lente fica protegida dentro de uma sólida base de metal e só fica exposta quando a câmera é ligada…

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… o que adiciona de 2 a 3,4 cm da espessura da câmera.

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Achamos que essa objetiva não deve ser muito resistente a quedas e batidas, de modo que recomendamos que ela deva ser desligada antes de a guardarmos no bolso ou na bolsa (ou colocada na capinha protetora que já acompanha o produto).

Outro detalhe que pode passar desapercebido na hora da compra é que a True Zoom não possui encaixe para tripé (WTF!) …

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… muito menos algum ponto de fixação para amarrarmos uma correia de pulso ou mesmo de pescoço:

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A nossa impressão é que esse recurso aparentemente tão banal não foi implementado por receio da Moto ou da Hasselblad de que — caso a correia fosse fixada na câmera — o smartphone poderia se desprender do smartphone ou vice-versa devido a um movimento mais brusco (como segurar a câmera pela correia e brincar de chicote) ou mesmo numa tentativa de furto.

Sem a correia o fotógrafo é obrigado a sempre segurar todo o conjunto na mão e — caso isso canse — já acompanha o produto um elegante estojo de material aveludado cujo espaço interno é suficiente para abrigar tanto  a câmera quanto a câmera mais o smartphone.

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Já a falta do ponto de fixação para tripé pode ser resolvido com o uso de um suporte para smartphone, como este ou este. Note que os modelos do tipo garra — muito usados em paus de selfie — não encaicam bem nessa câmera.

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Com relação a sua app de foto, a primeira coisa que nos chamou a atenção foi a simplicidade da sua interface com o usuário. E isso não é frescura de designer sueco e sim do fato que essa app realmente não oferece muitos recursos, o que pode até chocar alguns entusiastas já que, afinal, não é uma Hassel?

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No lado direito da tela, encontramos o ajuste de flash (ligado, desligado, auto), o temporizador (desligado, 3 e 10 segundos) e o modo “Hasselblad” que dá acesso a recursos adicionais que serão descritos adiante. Já do lado direito podemos ver em cima o botão de opções da câmera (presente tanto na Hassel quanto na câmera do smartphone) e embaixo o seletor de uso da câmera dianteira ou traseira.

Como a câmera possui botão físico de disparo, essa interface não oferece esse recurso, apesar de que é possível configurar o sistema para focar e disparar com um toque na tela.

Note também que a área de foco (em amarelo) é cercado por um dial que permite ajustar o brilho da imagem diretamente nele.

Ao pressionarmos o ícone da câmera no canto superior direito, temos acesso a três opções (a partir da direita): modo filmadora, modo panorama e modo de câmera avançado…

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… sendo que este último dá acesso a justes que permitem um maior controle da imagem como ajuste de foco (manual, automático e macro), ajuste de branco (luz incandescente, fluorescente, luz do sol, dia nublado e automático), ajuste de velocidade do disparador (automático ou 4~1/2.000 seg), ajuste de ISO (automático ou ISO 100~3.200) e ajuste de exposição (+/- 3 pontos).

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Esses ajustes podem ser acionados individualmente…

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… ou todos ao mesmo tempo. Note no canto superior esquerdo um ícone (restore?) que retorna tudo para o modo automático e sem ajuste de exposição e o botão [X] que sai deste modo.

Vale a pena observar que aparentemente não existe um meio de salvar esses ajustes já que, ao desligarmos e religarmos a câmera, todas as opções também voltam ao modo auto (boo!)

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Em teoria, um dos destaques dessa câmera é a implementação da tecnologia Hasselblad que podem ser acessados por meio do botão [H]. Mas para nossa surpresa, esses recursos se resumem a três modos de captura — Cor em jpeg, Preto e Branco em jpeg e Cor em jpeg + RAW — e seis modos de cenas ou seja, nada de HDR, filtros criativos e coisas do tipo:

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Assim — novamente, em teoria — o maior diferencial dessa câmera em relação a concorrência, é a possibilidade de capturar imagens em RAW ou mais exatamente em DNG (Digital Negative) que é um tipo de arquivo criado pela Adobe com o objetivo de oferecer para o mercado um formato RAW genérico e uso livre e gratuito criando-se assim uma alternativa aos formatos proprietários adotados pelos fabricantes de câmeras.

A empresa alerta que, o tamanho de uma imagem em de DNG gerada pela True Zoom (25.467 KB) é bem maior do que a sua equivalente em jpeg (que pode variar de 444 KB até 6.077 KB) o que pode ser algo a ser considerado, já que a câmera não possui memória interna sem slot para cartão micro SD, o que faz com que as imagens fiquem armazenadas na memória interna do smartphone ou no seu cartão Micro SD caso ele esteja disponível.

Um detalhe curioso é que, na hora de transferir as imagens da câmera para o computador, é preciso desconectar o True Zoom do smartphone o que nos leva a crer que ela utiliza essa porta para se comunicar com o smartphone (via conector do Moto Snaps).

No caso da Hasselblad, a empresa dispõe de um software de processamento de imagens em RAW — o Phocus 3.1 — o mesmo usado nas suas câmeras profissionais e que está disponível para os usuários registrados, via download gratuito.

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Puxando a tela pela borda esquerda, temos acesso ao menu de setup da câmera, onde encontrar diversos ajustes como som de captura, ativar modo de câmera instantânea (aquele que você torce o pulso), geolocalização, tamanho da foto ou do vídeo…

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… e até um “Tutorial-Rápido” que dá algumas dicas básicas em apenas quatro telas!

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Com relação aos testes de campo, optamos por usar o tradicional formato quadrado (1:1) das Hasselblad da série 500 C/M na sua resolução máxima — 1.504 x 1.504 pixels — e assim fomos à luta:

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Aqui um recorte de 100% da imagem acima:

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Clique para ampliar

Fotos em preto e branco:

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E de fato, o uso do zoom adiciona maior liberdade de enquadramento. Aqui um exemplo da mesma imagem no modo grande angular…

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… no seu modo tele 10x (250 mm)…

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… e aqui usando seu zoom digital de 4x (que pode ser ativado ou não), que apesar do ganho na ampliação começa a produzir alguma degradação da imagem:

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Aqui outro exemplo da mesma cena com a lente zoom no modo grande angular…

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… modo tele…

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… e tele + zoom digital de 4x:

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Segundo o fabricante existe um modo Macro onde a lente pode aproximar a uma distância de até 5 cm com a lente no modo grande angular e 1,5 m (uia!) no modo tele. Isso pode dar um nó na cabeça do usuário de modo que a maneira mais fácil de fotografar em macro com essa câmera é posicionar o zoom da lente no modo grande angular e ir aproximando do tema até o foco travar. Também é possível travar o foco na posição Macro (via opção de ajuste de foco) e encontrar o ponto de foco na área desejada.

O resultado pode ser visto nas imagens abaixo:

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Aqui um recorte de 100% da imagem acima:

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Clique para ampliar

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Outro detalhe relevante é que devido ao uso de uma lente zoom pouco luminosa —  f3.5~6.5 — o efeito de desfoque de fundo (ou bokeh) não é tão ressaltado…

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… como o que pode ser obtido com uma lente de grande abertura — como a Pentax-M 50mm/f1.7 (embaixo) — que pode desanimar alguns entusiastas:

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Aqui uma foto feita no modo “manual” onde ajustamos a sensibilidade ISO (= ISO 100) e aumentamos a velocidade de exposição (= 4 segundos) para obter uma melhor qualidade de imagem (= menos granulada) em baixa luz:

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O problema é que para chegar neste resultado foi necessário primeiro fazer diversos testes — já que os recursos de preview são limitados — e fixar a câmera num tripé já que, numa exposição de 4 segundos com a câmera na mão, não há sistema de estabilização que resista.

Já o seu modo panorama funciona usando o método “sweep” ou seja, em vez de tirar várias fotos e combiná-las numa única imagem, na True Zoom a câmera trava a lente no modo tele e o usuário com o botão de disparo pressionado, inicia um movimento de varredura que pode ser tanto na horizontal quanto na vertical que pode ser parcial quanto total, sendo que ao fim deste movimento, tem início o processamento e gravação…

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… da imagem final:

moto_hassel_app_hassel_pano_sweep_final

Clique para ampliar

Aqui um exemplo do modo Paisagem Noturna:

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Já o modo filmadora, o True Zoom apresenta dois recursos bem interessantes, um botão que permite bater uma foto (capturar um frame?) sem interromper a gravação e se for o caso, também existe um botão de pausa que permite interromper a gravação por alguns instantes para iniciar uma nova tomada e até tirar outra foto sem sair dela.

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Aqui um exemplo de vídeo capturado pela câmera:

Ah sim, e para explodir esse post de pageviews… Fotos de gatos!

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Finalmente, esta foto foi tirada meio que acidentalmente durante a primeira vez que liguei a câmera e apontei sua lente para meu leitor de cartões SD. A luz do LED deve ter ricocheteado por todos os elementos da objetiva, criando assim esse efeito psicodélico:

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My God, It’s full of stars!” (c) 2001 David Bowman

Quem disse que essa câmera não cria efeitos especiais?

 

Nossas conclusões:

No geral, a experiência de uso da True Zoom (ou pelo menos a versão que testamos) é muito parecida com a de usar um software na versão 1.0 ou mesmo um RC1 já que, apesar de tudo funcionar de acordo com o esperado e não travar sob nenhuma circunstância, sempre temos a sensação de que existem arestas a serem ajustadas e coisinhas a serem melhoradas.

Por exemplo, fora o que já comentamos anteriormente como o seu tamanho relativamente grande, a ausência de um ponto para fixar correia e/ou o tripé e a enervante possibilidade de sair acidentalmente do app de foto por pressionar sem querer os botões home/back do Android — também  achamos a sua velocidade do foco meio lenta (perto de 1 segundo) entre pressionar o botão e travar o foco.

O seu modo macro também não funciona de maneira muito intuitiva, de modo que é preciso algum treino — e um monte de fotos desfocadas — até dominá-lo de maneira satisfatória:

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Mas dentro de condições ideais de iluminação, temperatura e pressão do ar a True Zoom produziu imagens até que de boa qualidade com cores equilibradas e agradáveis, mas dentro do que poderíamos esperar de uma point-and-shoot.

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Observamos porém que todas essas imagens foram capturadas em jpeg, de modo que existe a possibilidade delas saírem bem melhores se processadas no Phocus a partir de arquivos em DNG.

A questão que fica é se o consumidor realmente precisa de um módulo Hasselbad True Zoom.

Se de um lado ela realmente oferece recursos bem interessantes num smartphone — como zoom de verdade e flash de Xenônio — ela não oferece muita coisa além do suporte para RAW se é que o usuário liga pra isso já que muitos estão mais interessadas no imediatismo (entenda-se postar imagens no Facebook, Instagram, Snapchat, Tinder, etc.) do que obter imagens tão boas quanto as tiradas de uma Hasselblad — o que parece não ser o caso do engine de jpeg da True Zoom.

De fato, antes de optar pela compra do True Zoom o usuário deveria levar em consideração se a própria câmera traseira do seu Moto Z ou Z Play não atenderia às suas necessidades fotográficas, que ela já vem de graça com o smartphone e suas especificações técnicas não são tão modestas, mesmo quando comparadas com a True Zoom:

Hasselblad True Zoom Camera traseira do Moto Z Camera traseira do Moto Z Play
Peço sugerido R$ 1.499 Acompanha a câmera (R$ 3.199) Acompanha a câmera (R$ 2.199)
Tipo do Sensor / fabricante 12 MP BSI CMOS / n.d. 13 MP IMX214 Exmor RS / Sony 16MP OV16860 / OmniVision
Tamanho do sensor (diagonal em pol.) 1/2,3″ 1/1,12″ 1/2.4″
Pixel dot 1,55 µm 1,12 µm 1.3 µm
Equivalência ISO Automático, 100, 200, 400, 800, 1600, 3200 Automático, 100, 200, 400, 800, 1600, 3200 Automático, 100, 200, 400, 800, 1600, 3200
Objetiva 4,5~45 mm
(equiv. 25~250mm)
Fixa 3.68 mm
(equiv. 27mm)
Fixa 4.68 mm
(equiv. 27mm)
Zoom óptico/digital 4x /10x n.a./ 8x n.a./ 8x
Abertura máxima f3.5~6.5 f1.8 f2.0
Estabilizador de imagem
Foto/vídeo
óptico/digital óptico/digital óptico/digital
Fash Xenônio Dual LED Dual LED
Suporte para macro? Sim (5 cm com 1x/1,5 m com 10x) sim (~7 cm com trava de foco) sim (~7 cm com trava de foco)
Tecnologia de autofoco Phase Detect/Contraste Laser/contraste Laser/contraste
Resolução da foto 2,3 MP (1:1), 5 MP (4:3), 6 MP (16:9) 9 MP (16:9), 9 MO (1:9) e 12 MP (4:3) 16 MP (4:3), 11,9 MP (16:9), 8 MP (4:3) e 6 MP (16:9) 16 MP (4:3), 11,9 MP (16:9), 8 MP (4:3) e 6 MP (16:9)
Resolução de vídeo VGA 480p, HD 720p, 1080p Full HD VGA 480p, HD 720p, 1080p Full HD, Ultra HD 4K VGA 480p, HD 720p, 1080p Full HD, Ultra HD 4K
Formato da saída de imagem JPG, RAW/DNG JPG JPG
Formato da saída de vídeo MP4 MP4 MP4

 

Aqui alguns dados complementares sobre as dimensões das imagens em pixels e o respectivo tamanho do arquivo.

Resolução / relação de aspecto Hasselblad True Zoom
12 MP
Camera traseira do Moto Z Play
16 MP
2,3 MP / 1:1 1.504 x 1.504 pixels
444 MB
n/a
5 MP / 4:3 2.592 x 1.936 pixels
1,2 MB
n/a
6 MP / 16:9 3.264 x 1.284 pixels
1,4 MB
3.264 x 1.836 pixels
2,8 MB
8 MP / 4:3 n/a 3.264 x 2.448 pixels
3,2 MB
9 MP / 1:1 3.008 x 3.008 pixels
2,0 MB
n/a
9 MP / 16:9 4.400 x 2.240 pixels
1,9 MB
n/a
11,9 MP / 16:9 n/a 4.608 x 2.592 pixels
4,0 MB
12 MP / 4:3 4.000 x 2.992 pixels
2,6 MB
n/a
16 MP / 4:3 n/a 4.608 x 3.456 pixels
5,0 MB

 

Já o o tamanho de uma imagem em de RAW/DNG gerada pela True Zoom é sempre o mesmo, independente do modo em que foi capturado em jpeg — 25.467 KB.

Como já disse o Henrique no seu hands-on feito no dia do lançamento, a iniciativa da Lenovo é interessante e a fabricante tem um discurso bastante sóbrio de “isto não é um substituto da câmera digital, mas vai melhorar suas fotos do celular”. Afinal, é um módulo que não precisa estar conectado o tempo todo ao seu Moto Z ou Moto Z Play.

E, veja bem, a Hasselblad emprestou o nome e a marca para o módulo, mas isso não significa que vai ter a altíssima qualidade de uma médio-formato de milhares de dólares.

Já o meu comentário é que a Hasselblad True Zoom tem sim o seu valor como produto e conceito, funciona bem, mas acho que ele poderia melhorar em pequenas coisas que maximizariam — em muito — o seu prazer e experiência de uso.

Assim, os interessados mais empolgados podem até já adquirir esse produto sem receio que ele trave ou pegue fogo (já que a True Zoom não tem bateria interna — yaay!), mas esteja preparado para pequenos incômodos que não comprometem a qualidade da foto, mas podem em algum momento colocar à prova a sua paciência.

De fato, minha recomendação é que caso o usuário puder esperar um pouco, eu até aconselharia aguardar pelo menos a liberação de um novo firmware para ver se eles corrigem alguns problemas operacionais — e se a espera puder ser maior esperar pela versão 2.0 dessa câmera, para ver se o fabricante se convence a colocar um encaixe de tripé ou pelo menos um adaptador feito sob medida.

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Ligeiro

    Que inveja poder estar perto do Steve Woz… errr…

    Acho que vou na linha do parágrafo final: quem quer e não é um “early adopter”, espera para ver se não virá um outro módulo melhorado e com mais funções. O legal de ver testes como o que o Nagano mostrou é justamente evitar de fazer uma compra “por impulso”. 🙂

    Ah, Nagano, dá uma revisada na tabela de comparações com celulares, pois tem seção duplicada (a suporte para macro) e algumas falhinhas de texto 😉 =D

  • Valeu a espera pelo mega review de Nagano San.

    Como entusiasta de camera-phone (já tive SE Satio, N8 e K Zoom), fiquei mais inclinado ao Moto Z que LG G5 (facilidade de trocar o modulo e xenon), além de preferir o Z Play ao Z top-of-mind (mais bateria e menos resolução de tela).

    A questão da interface decepciona, mas não é possivel usar um aplicativo de terceiros?

    E consegui efeitos de bokeh usando macro, mas o objeto precisa estar realmente próximo – a lente escura deve ser por causa do zoom ótico, imagina colocar uma lente começando em f/1.8. Não é barato nem em equipamentos dedicados, poderia inviabilizar o preço do aparelho.

    E sempre lembro do ditado: A melhor camera é aquela que você tem na mão. Nem sempre estarei com minha point&Shot, mas o celular sim – e um flash pode fazer falta.
    Agora é vender meu note 5 e torcer por uma promoção de verdade na black fraude

    P.S.: Cats, cats everywhere! 😀

  • Adriano De Lima

    Excelente review, como de costume.
    Até me interessei bastante pelo equipamento, mas seu custo e cuidados me impedem a aquisição.
    E por meu uso mais despojado, acredito que a câmera do Google Pixel já irá me atender muito bem.
    Só espero conseguir um bom preço e lamentar a ausência do flash de xenônio.
    Ou então esperar pelo próximo cameraphone, afinal a Nokia logo mais pode despontar com novos aparelhos neste mesmo padrão de qualidade de outrora.

  • lcolonezi

    Acho que a escolha da Hasselblad se deve a ser a única fabricante de câmeras que não atua no segmento de câmeras compactas. Canon, Nikon, Sony, Olympus, Panasonic, Fuji, todas elas tem uma point and shoot ou compact mirrorless. A Hasselblad depois do fracasso de maquiar cameras sony alpha se dedicaram ao formato médio.

    Do módulo a decepção fica pelas fotos não serem muito superiores aos das fotos do proprio celular. Já que há um outro sensor, porque não colocar um sensor de uma polegada? Câmaras como a Sony RX100 usam sensores desse e são bem compactas. O smart da Panasonic usa um de 1 polegada, até o famoso Nokia 808 tinha um sensor de 1/1.2 polegadas

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