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Hands-on: Repetidor Wireless D-Link Powerline AV500 N 300 Mbps (DHP-W311AV)

Kit de comunicação Homeplug/Powerline permite que o sinal de internet transite pela fiação elétrica da casa/escritório e com direito à baldeação gratuita para Wi-Fi no ponto final.

Quando o assunto é interligar todos os nossos dispositivos móveis (e nem tanto) em nossas casas com a grande rede, muitos usuários podem literalmente — “dar com a cara na parede” — já que esse obstáculo pode ser uma formidável barreira física que impede o tráfego pleno de dados dentro do aconchego do lar.

No geral, a solução mais simples adotada, é a instalação e uso de rotadores com ponto de acesso Wi-Fi que como todo mundo sabe, utilizam ondas de rádio para propagar o sinal de internet pela casa. Porém, sua eficiência/alcance não é das melhores principalmente na hora de atravessar paredes (e até mesmo lajes), em especial as brasileiras que costumam ser feitas de alvenaria ou de outro material à prova de bafo de Lobo.

De fato, o estudante de graduação Jason Cole do Imperial College London desenvolveu um impressionante estudo (mais detalhes aqui e aqui) e até uma app para Android sobre como o posicionamento de um ponto de acesso Wi-Fi numa residência pode interferir na propagação do seu sinal nos outros cômodos. Note como a qualidade da rede cai dos cômodos maios distantes, sendo que o sinal entra literalmente pela porta:

Esse problema, por sinal, até pode ser contornado com o uso de repetidores de sinal como o DIR-505 da D-Link.

Mas sob um certo ponto de vista, a solução melhor, mais eficiente e até garantida seria puxar um cabo de rede padrão Ethernet pela parede para conectar — por exemplo — o roteador principal da casa à um secundário. O problema neste caso é que, muitas vezes, o usuário não tem a habilidade, os meios físicos e até mesmo a disposição para realizar essa empreitada.

Entre essas duas soluções, existe um meio termo que tira proveito da infraestrutura já existente na casa — como a fiação elétrica ou até de telefone fixo — para interligar cômodos próximos ou distantes. De fato, a indústria já dispõe dessa tecnologia a décadas — só que no início o seu desempenho não era lá grande coisa — sendo que que nestes últimos anos a tecnologia até que melhorou bastante, mas perdeu um pouco do seu charme quando comparado com outras soluções “plug-and-play” como o Wi-Fi. Sendo mais utilizada hoje como um meio auxiliar para interligar redes redes cabeadas e Wi-Fi:

WD_powerline_diagram

Essa tecnologia é a Powerline Line Networking também conhecida como PLC ou HomePlug AV, que segue a norma IEEE 1901/1905.1 que padroniza o seu uso em ambientes domésticas que …

… coincidentemente (duh!) é a mesma adotada pelo Repetidor Wireless Powerline AV500 Wireless N 300 Mbps da D-link (preço sugerido R$ 399) cuja proposta é de oferecer uma solução completa para a montagem de uma infraestrutura híbrida de rede PCL/Homeplug + Wi-Fi dentro da sua casa:

Dlink_Powerline_AV500_retail_box

Entre as vantagens do HomePlug sobre outras redes domésticas como o Wi-Fi está a sua velocidade de transmissão (na teoria, de 14 até 500 mbps), segurança e privacidade (já que seus dados não ficam pairando no ar e ninguém de fora pode entrar na sua rede). Segundo a norma, o alcance máximo entre dois pontos de conexão fica em torno de 200 metros, sendo que até possível cobrir distâncias maiores (até 300 metros), porém com o sacrifício da redução da largura de banda.

Existem desvantagens? Sim, algumas. Como os dados trafegam por meio de sinais de alta frequência (2 a 70 MHz) isso pode ser interpretado como ruído na rede elétrica, o que faz com que esse sinal não pode não conseguir passar (ou ser bem atenuado) por qualquer dispositivo de proteção que tenha algum circuito de filtragem de sinal como um no-break, estabilizador, módulo isolador, conversor de tensão ou até mesmo um simples filtro de linha. E até por causa disso — em contrapartida — o sinal de rede Powerline também não passa pelo relógio medidor de energia da casa, de modo que o usuário não precisa se ter o receio de que o seu sinal de rede escape para a rua.

No caso do produto da D-Link, o AV500 é formado por dois adaptadores Ethernet para Powerline — o DHP-308AV e o DHP-W31oAV — dois cabos de rede, CD de instalação e alguma documentação impressa:

Dlink_Powerline_AV500_unbox

Esse kit permite montar uma conexão ponto-a-ponto onde o DHP-308AV injeta o sinal de rede (vindo do roteador/modem da casa) na fiação elétrica da casa que pode ser captada por qualquer tomada ligada na mesma. A grande sacada é que o kit da D-Link ainda oferece um atrativo adicional já que o DPH-W310AC incorpora uma interface Wi-Fi o que permite que o mesmo também, funcione como um ponto de acesso/repetidor de sinal sem fio:

Dlink_Powerline_AV500_ecossistema_completo1_leg

Vale a pena observar que esta rede pode-se espalhar para outros ambientes da casa, bastando para isso adicionar um ou mais adaptadores DHP-W310AV que podem ser adquiridos à parte pelo preço sugerido de R$ 299:

Dlink_Powerline_AV500_ecossistema_completo2_leg

Fora isso, essa idéia de que toda tomada da casa pode virar uma porta de rede, também pode ser usada em conexões conexões temporárias, bastando para isso retirar o adaptador Poweline da tomada e levá-lo para outros ambientes — tanto dentro quanto fora de casa — o que pode ser algo bacana para oferecer para seus convidados na próxima festa no quintal ou na laje.

Como era de se esperar, ambos os dispositivos vem equipados com plug de tomada compatível com o nosso padrão nacional (padrão ABNT NBR 14136:2002) sendo que o fabricante recomenda que a tomada esteja alinhada na horizontal de modo que, quando instalados, os dispositivos fiquem alinhados na vertical. Vale a pena observar que ambos os dispositivos são bivolt (100 a 240 V AC, 50/60 Hz) e são alimentados pela própria rede elétrica (duh!)

Dlink_Powerline_AV500_plugs

Fisicamente falando o DPH-W310AC mede aproximadamente  5,8 x 10,5 x 4,0 mm (LxAxP) e ~175 gramas de peso, sendo que ele pode ser facilmente confundido com um bloco transformador…

Dlink_Powerline_AV500_W310AV_na_mao

…  se não fosse pela porta de rede RJ-45 padrão Fast Ethernet (10/100 mbps com auto MDI/MDIX) que fica logo abaixo do botão de busca/conexão da rede Powerline (batizada de “Common Connect“) e o botão de “Reset” que precisa ser pressionado por ~5 segundos para retornar sua configuração para o original de fábrica:

Dlink_Powerline_AV500_W310AV_porta_lan

No seu painel frontal podemo ver um pequeno painel de LEDs estado que proporciona uma visão bem completa do estado da rede/dispositivo:

Dlink_Powerline_AV500_W310AV_LEDs_Leg1

Já no lado oposto podemos ver os selos de certificação do produto e o mais interessante: Informações sobre o nome da rede, endereços MAC e as senhas originais de fábrica, o que é algo super bacana — ou mesmo um salva-vidas — no caso da perda do manual do usuário.

Dlink_Powerline_AV500_W310AV_certificacoes

Fora isso, sua interface Wi-Fi é compatível com os padrões 802.11 b/g/n com velocidade máxima de até 300 Mbps (segundo o fabricante), protocolo de segurança WPA/WPA2/WEP e AES de 64/128 bits e suporte para IPv6.

Uma pausa neste post para um aviso importante:

Apesar da sua aparência e modus operandi serem muito parecidos, DHP-W31oAV não é um repetidor Wi-Fi como é o D-Link DIR-505:

Dlink_DIR505_na_mao

Isso porque no DHP-W310AV o sinal da rede/internet vem pela rede elétrica que depois é irradiada pela sua porta Wi-Fi, já o DIR-505 recebe o sinal da rede via cabo de rede ou sinal de Wi-Fi vindo do roteador e o retransmite com mais força para ambiente ao seu redor.

Resumindo: Apesar das semelhanças, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa — capisce?

Já o DHP-308AV é um adaptador menor (5,2 x 7,0 x 2,6 cm — LxAxP) e mais simples…

Dlink_Powerline_AV500_308AV_na_mao

Equipado apenas com uma porta de rede RJ-45 padrão Ethernet 10/100 na sua base e o botão “Common Connect” da interface Powerline:

Dlink_Powerline_AV500_308AV_porta_lan

Seu painel de LEDs também é mais resumido, mas nem por causa disso menos informativo:

Dlink_Powerline_AV500_308AV_LEDs_Leg

O mesmo também pode ser dito do seus selos de certificação/dados da rede:

Dlink_Powerline_AV500_308AV_certificados

O processo de instalação de uma rede Powerline AV500 não exige prática muito menos mesmo habilidade. Mas como dissemos no início deste hands-on é importante que o usuário tenha sim algum conhecimento básico — ou pelo menos um grande palpite — de como a rede elétrica da sua casa foi construída. De fato, a D-Link faz as seguintes recomendações antes do usuário planejar/iniciar a montagem da sua rede:

  1. Não conecte os dispositivos Powerline num cabo de extensão, filtro de linha ou estabilizador de rede elétrica. Isso pode impactar negativamente o desempenho da rede até ou mesmo impedir seu funcionamento.
  2. Evite usar os dispositivos Powerline numa tomada elétrica que está localizada perto de um aparelho que consuma grandes quantidades de energia, como uma lavadora ou secadora de roupas ou mesmo um refrigerador. Isso também pode impactar negativamente o desempenho da rede até ou mesmo impedir seu funcionamento.
  3. Para evitar choques elétricos, certifique-se de conectar os cabos de alimentação em tomadas corretamente aterradas.
  4. Instale os dispositivos Powerline em um local seco, bem ventilado e longe da luz direta do sol. Também evite cobrir os pontos de ventilação dos dispositivos.
  5. Certifique-se que os dispositivos Powerline sejam plugados em tomadas na parede que permitam que eles fiquem alinhados no sentido vertical.
  6. Evite instalar os dispositivos Powerline perto de um aquecedor de ambiente.
  7. E para dizer que não dissemos o óbvio — não mergulhe os dispositivos Powerline na água ou limpe-o com líquidos ou solventes. Para limpá-los desconecte-os da tomada e utilize apenas um pano úmido.

Para minimizar ao máximo interferências que poderiam ser causadas pelas instalações aqui da Zumo-Caverna, optamos por utilizar uma régua de tomada “caseira” feita com os mesmos materiais (ou até melhores) usados numa construção real, que foi ligada na nossa rede elétrica de 120 volts:

Dlink_Powerline_AV500_308AV_teste_tomadas

Na tomada mais à esquerda, ligamos o adaptador Powerline DHP-308AV e este ao nosso roteador/modem ADSL via cabo de rede padrão Ethernet…

Dlink_Powerline_AV500_instala_1

… e no lado oposto, ligados o adaptador Powerline + Wi-Fi DPH-W310AC…

Dlink_Powerline_AV500_instala_2

… que poderia ser ligado num switch de rede, mas preferimos ligá-lo diretamente num notebook ThinkPad X201 para realizar nosssos testes.

Dlink_Powerline_AV500_teste_setup_leg

Vale a pena observar que a rede Powerline é “bi-direcional” ou seja, não é obrigatório que o sinal da rede vinda do roteador tenha que entrar pelo DHP-308AV e sair pelo DPH-W310AC. Se o usuário quiser trocar os adaptadores de posição a rede vai funcionar do mesmo jeito, só que neste caso o ponto de acesso Wi-Fi pode ficar no mesmo ambiente do roteador que, muitas vezes, já conta seu próprio ponto de acesso.

Dlink_Powerline_AV500_teste_setup_inverso

Feito isso, devemos pressionar o botão “Commom Connect” em ambos os dispositivos, o que inicia o processo de busca + conexão — o que é inidicado pelo LED Powerline que pisca na cor verde…

Dlink_Powerline_AV500_instala_3

… que passa para a luz constante quando a conexão é estabelecida:

Dlink_Powerline_AV500_instala_3b

A partir desse momento a rede Powerline está operacional e pronta para uso. Note que nenhuma configuração adicional é necessária já que ela funciona — na sua essência — como uma “ponte” entre duas portas Ethernet sendo o seu funcionamento praticamente transparente para o usuário final. No seu modo “default” a rede Powerline vem pré-configurada como uma rede aberta/pública, de modo que para adicionar novas conexões à essa rede, basta plugar o adaptador Powerline e pressionar seu botão “Commom Connection” — simples não?

Já para ativar o ponto de acesso Wi-Fi do DPH-W310AC o procedimento é bem parecido com o de outros produtos semelhantes da casa, ou seja, com a ajuda de um computador ligado na mesma rede do dispositvo, o usuário deve entrar no seu browser e digitar o endereço http://dlinkapEB3B/ ou http://dlinkapEB3B.local/ para ter acesso à tela de login do dispositivo e entrar com o User Name e aquela senha impressa no verso do dispositivo — o que pode ser um pequeno transtorno — já que poderá ser necessário desligar/remover o mesmo para ter acesso a essa informação.

Dlink_Powerline_AV500_setup1

Felizmente, a D-Link repete essa informação no “D-Link Wi-Fi Configuration Card” que já acompanha o produto (yaay!) e que depois também pode ser usada para anotar os novos SSIDs e senhas da rede Wi-Fi:

Dlink_Powerline_AV500__setup_card

Feito isso, o usuário passa por uma série de passos para  configurar sua rede Powerline e Wi-Fi…

Dlink_Powerline_AV500_setup2

… o que inclui a definição do novo nome de rede SSID e senha da rede e administrador, sendo que feito isso, a rede Wi-Fi está pronta para uso:

Dlink_Powerline_AV500_setup6

No geral, as opções de configuração do DPH-W310AC são parecidas com outros roteadores de rede da casa, obviamente com mais ou menos opções que atendem as necessidades deste produto…

Dlink_Powerline_AV500__menu_setup_wireless

… como ativar/configurar um servidor DHCP local, tipo de conexão IPv6, endereço IP estático/dinâmico, número máximo de clientes (até 32), autenticação de senha com CAPTCHA, etc.

Dlink_Powerline_AV500__menu_setup_LAN

A novidade fica por conta da configuração da rede Powerline que pode configurada para ser uma rede aberta/pública ou privada, cadastrar os dispositivos ligados na rede e até priorizar o acesso via QOS:

Dlink_Powerline_AV500__menu_setup_PLC

Como dissemos antes, o desempenho de uma rede Powerline pode variar de acordo com a maneira como a rede elétrica da casa foi construída e — é claro — sua idade/estado de conservação. Procuramos minimizar ao máximo esses fatores com o uso da nossa régua de tomadas caseira, e nos limitamos a fazer alguns testes de transferência de arquivos no nosso servidor de dados e o notebook abaixo:

Dlink_Powerline_AV500_instala_4

Como massa de dados utilizamos um diretório contendo 100 MB de arquivos (ou mais exatamente 3.474 arquivos distribuídos em 110 diretórios e subdiretórios) onde medimos o tempo que levou para copiar toda essa informação do servidor para o notebook (e vice-versa) individualmente ou dentro de um grande aquivo .zip não compactado.

Os resultados foram os seguintes (valores em segundos):

Servidor p/ notebook Compactado Não compactado
Medição 1 26,08 s 120,49 s
Medição 2 26,45 s 118,80 s
Medição 3 26,41,s 118,75 s
Média 26,31 s 119,35 s
Notebook p/ servidor Compactado Não compactado
Medição 1 9,73 s 246,03 s
Medição 2 9,96 s 242,02 s
Medição 3 9,97 s 294,01 s
Média 9,89 s 260,69 s

 

Para efeito de comparação, refizemos essa mesma medição sem a interface Powerline, ou seja, o cabo da rede ligado direto no notebook (valores em segundos):

Servidor p/ notebook Compactado Não compactado
Medição 1 9,91 s 51,57 s
Medição 2 9,50s 50,61 s
Medição 3 9,91 s 50,54 s
Média 9,77 s 50,90 s
Notebook p/ servidor Compactado Não compactado
Medição 1 10,02 s 169,09 s
Medição 2 9,95 s 161,69 s
Medição 3 9,80 s 167,06 s
Média 9,92 s 165,94 s

 

O que esses números mostram é que o desempenho da rede Powerline é boa, mas ainda não é comparável a uma conexão Gigabit Ethernet (10/100/1000 mbps). O que até era de se esperar, já que as portas de rede usadas no DHP-308AV e no DHP-W31oAV seguem o padrão Fast Ethernet (10/100 mbps).

Outro teste que fizemos foi ver o comportamento/estabilidade do fluxo de dados durante uma cópia de arquivos feito pela rede Powerline quando este é exposto à interferências da rede elétrica. Para isso copiamos do nosso servidor um arquivo de vídeo de 3 GB do servidor para o notebook e ficamos de olho nos gráficos do comando de cópia do Windows 10, auxiliado por um utilitário de medição de largura de banda.

Como referência de desempenho, primeiro copiamos o arquivo sem passar pela rede Powerline usando uma conexão cabeada Gigabit Ethernet:

Dlink_Powerline_AV500_teste_Capture_sem_powerline

E aqui a mesma operação passando pela rede Powerline:

Dlink_Powerline_AV500_teste_Capture_com_powerline

Em ambos os casos pudemos observar uma certa regularidade na transferência dos dados, sem grandes variações na velocidade propriamente dita.

Ai a primeira coisa que fizemos foi ligar o DHP-W31oAV num filtro de linha vulgar…

Dlink_Powerline_AV500_teste_filtro_1

… e o comportamento curiosamente não foi muito pior do que observamos na medição sem o filtro de linha:

Dlink_Powerline_AV500_teste_Capture_com_powerline_FILTRO1

Nosso palpite é que a capacidade de filtrar o ruído desse filtro de linha “vulgar”pode não ser lá grande coisa, o que pode não ter atrapalhado muito o desempenho da rede Powerline.

Ai partimos para a ignorância e usamos um filtro de linha industrial com mais “substância” fabricado pela MTM eletrônica…

Dlink_Powerline_AV500_teste_filtro_2

… e o resultado foi bem interessante, já que o desempenho da rede Powerline caiu quase que pela metade, apesar de que a partir de um certo ponto a velocidade voltou a aumentar:

Dlink_Powerline_AV500_teste_Capture_com_powerline_FILTRO2

Outra coisa que fizemos foi ligar uma furadeira elétrica de 420 watts para ver se seu funcionamento poderia interferir no desempenho da rede:

Dlink_Powerline_AV500_teste_furadeira

Acionamos a furadeira três vezes e, de fato, notamos alguma variação na velocidade da rede, mas nada que poderíamos chamar de desastroso — como a rede entrar em colapso e cair. A única coisa que notamos foi uma queda momentânea, mas não podemos afirmar que isso foi causado pelo acionamento do motor da broca:

Dlink_Powerline_AV500_teste_Capture_com_broca_leg

Para quem já testou soluções de PLC/Powerline com velocidade de 1 mbps (não, isso não é um erro de digitação) a atual geração de desses produtos Homeplug/Powerline já está bem funcional e evoluído. Mas como dissemos acima, o seu apelo de oferecer uma solução de conectividade dentro de casa perdeu muita força desde a popularização das redes Wi-Fi, de modo que a idéia de uma solução híbrida como a da D-Link não deixa de ser uma maneira de combinar o melhor de dois mundos dentro de um mesmo produto.

Mas como os testes acima mostram, o desempenho da rede Powerline não chega a ser tão veloz quanto uma rede Ethernet “pura” — em especial se ela já for Gigabit — mas esse é o preço que se paga para não ter que puxar uma fiação nova dentro de casa. Porém, se você está planejanto/construindo/reformando sua casa, a instalação de alguns cabos de rede para criar o seu próprio backbone doméstico para interligar por exemplo, o nível térreo e o primeiro andar de um sobrado, deveria ser uma opção a ser considerada.

Mas quando isso não é possível, o Repetidor Wireless Powerline AV500 Wireless N 300 Mbps da D-Link pode ser uma interessante alternativa.

Fora isso acreditamos que essa solução também pode ser útil em outros casos como por exemplo, levar o sinal de rede para uma sala ou cômodo fora da casa e/ou prédio como um depósito, portaria, edícula, etc. e isso sem falar na possibilidade de montar soluções até bem mais elaboradas, como montar uma rede de câmeras IP de vigilância, onde a conexão de dados e de alimentação poderia ser feita por um simples fio elétrico.

Legal né?

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Souzabsb

    Interessante o produto.
    Muito bem detalhado a realização do teste, esclareceu sobre a performance do device.

  • evefavretto

    Bom, testar numa tira de tomadas com menos de 10m realmente vai mostrar boa parte do desempenho de um sistema desses, mas não reflete o uso real, que vai sofrer com interferência, degradação e o risco das tomadas não estarem no mesmo circuito, passando por disjuntores diferentes, e até fases diferentes.
    Eu tenho um par de HomePlugs AV200 da TP-Link, e, pela forma que a fiação do meu apartamento(de uns 15 anos) é feita, o desempenho pra subir um andar mal chega a 50Mbps(na melhor tomada, as outras dão menos ainda), lamentável.

    Outra coisa meio chatinha é que nenhum fabricante parece interessado em trazer produtos HomePlug AV2 pro Brasil(que usam MIMO e transmitem em mais de um pino da tomada), que oferecem desempenho ainda maior.
    Ah, o pessoal do HomeGrid Forum(sucessor dos caras do HPNA) parece que, lá fora, começou a finalmente lançar produtos com a spec concorrente, o G.hn.

    • Mario Nagano

      Oi @evefavretto

      Sim, seu ponto de vista bate com o nosso, ou seja, o desempenho desse tipo de produto — depende e muito — do local onde ele vai ser usado. E isso também é válido para as redes WI-Fi.

      Na época em que tocava o PC World Test Center, a gente passou muito tempo pensando na metodologia ideal para testar redes sem fio com nossos poucos recursos, e a conclusão que chegamos é que a melhor solução era mesmo fazer essas montagens ponto-a-ponto do tipo receptor ao lado do transmissor para eliminarmos o máximo possível qualquer variante fora do nosso controle.

      E pra não dizer que não falei das flores, nós estabelecemos um ponto fixo na redação bem longe do lab (com algumas paredes, móveis, impressoras, etc.) para posicionar um notebook com Wi-Fi e fazíamos todas a medições depois do expediente para novamente eliminar qualquer interferência variável. Desse modo poderíamos pelo menos ter uma referência de desempenho para comparativos e até referenciar resultados novos com mais antigos.

      E até por causa disso que este post é um “Hands-On” e não um “Review” ou seja, uma análise onde normalmente não avaliamos desempenho nem damos nota. Neste caso, até fizemos algumas medições mais para tirar dúvidas do tipo, “o Homeplug é mais veloz que o Ethernet?” ou “filtro de linha realmente interfere no desempenho dessa rede?”

      Resumindo, agradeço muito os seus comentários porque eles reforçam algo que eu tentei deixar claro no texto e às vezes não fica claro, ou seja, o desempenho das redes Powerline depende muito da infraestrutura disponível.

      Brigadão cara.

      M.

    • Mario Nagano

      Oi @evefavretto:disqus

      Sim, seu ponto de vista bate com o nosso, ou seja, o desempenho desse tipo de produto — depende e muito — do local onde ele vai ser usado. E isso também é válido para as redes WI-Fi.

      Na época em que tocava o PC World Test Center, a gente passou muito tempo pensando na metodologia ideal para testar redes sem fio com nossos poucos recursos, e a conclusão que chegamos é que a melhor solução era mesmo fazer essas montagens ponto-a-ponto do tipo receptor ao lado do transmissor para eliminarmos o máximo possível qualquer variante fora do nosso controle.

      E pra não dizer que não falei das flores, nós estabelecemos um ponto fixo na redação bem longe do lab (com algumas paredes, móveis, impressoras, etc.) para posicionar um notebook com Wi-Fi e fazíamos todas a medições depois do expediente para novamente eliminar qualquer interferência variável. Desse modo poderíamos pelo menos ter uma referência de desempenho para comparativos e até referenciar resultados novos com mais antigos.

      E até por causa disso que este post é um “Hands-On” e não um “Review” ou seja, uma análise onde normalmente não avaliamos desempenho nem damos nota. Neste caso, até fizemos algumas medições mais para tirar dúvidas do tipo, “o Homeplug é mais veloz que o Ethernet?” ou “filtro de linha realmente interfere no desempenho dessa rede?”

      Resumindo, agradeço muito os seus comentários porque eles reforçam algo que eu tentei deixar claro no texto e às vezes não fica claro, ou seja, o desempenho das redes Powerline depende muito da infraestrutura disponível.

      Brigadão cara.

      M.

      PS: Anos atrás a HP me convidou para conhecer os laboratórios de testes da HP em Houston no Texas e é assim que gente grande — ou pelo menos os Texanos — testam redes Wi-Fi:

    • ditom

      Muito interessante esse g.hn. Espero que não seja como o HPNA que, aqui, só conta com um fabricante, e que não comercializa no varejo.
      Montar uma rede doméstica é um desafio. Fazer um conduíte exclusivo é impraticável normalmente. Usar o conduíte da antena é bem complicado já que o coaxial consome bastante espaço. Junto com o par de telefone pode ser uma boa, mas nem sempre estão perto de tomadas, e sempre estão longe da terminação das antenas.
      Ou seja, as melhores alternativas seriam PLC e HPNA. O problema da segunda é falta de fornecedor. Da primeira, o risco dos circuitos elétricos da instalação impedirem o uso.
      Na minha casa já testei HPNA em comodato, com boa performance. Queria testar PLC para decidir.
      Agora que soube desse G.hn, vou ter de pesquisar mais um pouco… Já há algum produto disponível no mercado?

      • evefavretto

        Tem nos EUA um aparelho da Comtrend, mas ele opera pela fiação elétrica. Não sei se e quando vão sair modelos usando cabeamento coaxial e telefônico, que a spec também prevê.
        Dito isso, G.hn e HomePlug AV2 MIMO, por fiação elétrica, nas versões atuais, estão relativamente próximos(os princípios fundamentais são os mesmos).
        Existe também o MoCA, que usa coax, mas nunca vi por aqui(deve aparecer com o sistema multiroom da Sky).

        • ditom

          O problema, penso eu, é ter de importar. Meu apartamento é do tipo estreito e comprido. Por conta da antena da TV, o modem ficou nos fundos e o sinal de Wi-Fi mal chega no meio dele. Estou pendurado no HPNA dos pontos da gvt, mas preciso de uma estratégia para terminar com a dependência. Por enquanto é ou passo fio com os coax ou vai de plc. Pelo que você informa, o céu seria G.hn…

          • evefavretto

            Cat5e/6 é sempre mais garantido, mas pode ser complicado por causa do conduíte.
            De qualquer forma, parte dos ganhos de G.hn e das novas versões do HomePlug AV2 se devem ao MIMO, ou seja, se o adaptador não tem acesso ao pino terra(ou se não houver fiação), não adianta nada.

  • Vagner Alexandre Abreu

    Agora que fui ver que o filtro de linha foi fabricado pela Milmar… o_O

  • Oscar Romero

    Vivo em um apartamento de uns 50m2 e to tendo um problema meio irritante com o Powerline. Aqui tenho um DPH-W3011AC onde o menor de 3 leds vai na sala linkado ao modem ruim da NET e o outro maior de 4 leds esta na tomada do meu quarto. O notebook que fica em meu quarto no wifi pega perfeitamente, em uma conexão de 30mb chega a 25mb, mas meu smartphone e ipad pegam terrivelmente e em alguns momentos toda a conexão cai, do note e dos aparelhos. Mas sendo que a conexao da NET esta funcionando, pois no wifi do modem ruim ta funcionando tudo ok. Pesquisando li a respeito de um conflito de IP, mas seila eu acho que já de fabrica a Dlink nao viria com algo pra dar dor de cabeça e me fazer mudar o IP do Powerline. Mas e ai, qual seria o conflito? Talvez pelo wifi do modem estar ainda ligado os canais entraram em conflito?