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Hands-on: GPS Tomtom VIA 1605M com Free Lifetime Maps

Simples e prático, o novo Tomtom VIA 1650M tem dois atrativos: uma generosa tela de 6″ e atualização gratuita de mapas para o Brasil e EUA por toda a vida (do equipamento)

A Tomtom é meio que a Philips dos GPS: companhia europeia fundada em 1991 na Holanda,  começou fazendo sistemas de automação comercial, passando depois para softwares para PDAs — época em que começou a desenvolver seus primeiros sistemas de navegação.

Em 2002,  lançou seu primeiro Tomtom Navigator, um kit para handheld com Windows CE formado pelo software de navegação, suporte para carro e um receptor GPS, uma solução bem interessante numa época em que esse recurso só estava disponível na forma de acessório embutido no painel dos carros.

TOMTOM_navigator

Já em 2004 surge o Tomtom GO, a primeira solução completa de GPS baseado no  engine NavCore que depois evoluiu para diversas linhas como o ONE, Rider, XL, EASE e mais recentemente o VIA. Essa linha está entre nós desde 2011 e que  recebeu quatro novos modelos com uma oferta bem interessante: Free Lifetime Maps. Nessa versão, o consumidor não precisa mais pagar pela atualização dos mapas que já vêm no seu aparelho.

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A versão analisada por este ZTOP é o VIA 1605M (preço sugerido: R$ 729), um dos modelos da chamada linha básica equipada com uma tela LCD de 6 polegadas e que já vem com mapas do Brasil e EUA + atualização vitalícia. Observamos que os modelos 1505M e 1435M só vêm com o mapa do Brasil e, curiosamente, a linha premium não dispõe de um modelo com tela de 6 polegadas, mas ainda oferece um modelo com tela de 4,3 polegadas:

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Se comparado com outros modelos da linha GO, o VIA 1605M é um produto bastante simples e que se dedica a fazer uma única coisa: orientar o motorista a navegar pelas ruas da cidade e chegar ao seu destino.

Nada de reproduzir MP3/Vídeos, TV digital embutida, joguinhos e coisas do tipo. De fato por princípio, a Tomtom condena/abomina qualquer recurso adicional que possa, de algum modo, distrair o motorista e provocar acidentes.

Tecnicamente falando, sua tela touchscreen é do tipo resistiva com resolução nativa de 800 x 600 pixels na proporção 16:9, processador de 500 MHz,  bateria com autonomia estimada em até 2 horas, sensor GPS Broadcom Global Locate 2 BCM4750, 128 MB de RAM e 4 GB de armazenamento interno com slot para cartão microSD. Só o aparelho mede 16,5 x 10,5 x 2,4 cm (LxAxP) e 236 gramas de peso.

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Como era de se esperar de um produto “básico”, o  VIA 1605M vem apenas com o essencial: um cabo USB padrão para USB micro (do mesmo tipo usado em celulares),  um adaptador para acendedor de cigarros, um disco de fixação auto-adesivo para o painel do carro e o manual do usuário.

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O produto em si é dono de um acabamento simples em policarbonato preto com uma textura na frente que lembra metal escovado. Apesar disso o seu acabamento é bom e o conjunto bastante sólido, o que passa a sensação de que estamos realmente manipulando um instrumento de navegação e não algum brinquedo de plástico.

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Uma dúvida que pode surgir na cabeça de muitos dos leitores é se uma tela de 6 polegadas realmente faz diferença. Nossa resposta é sim e isso fica bem evidente quando colocamos o VIA 1605 ao lado de um VIA 1530 (à direita) equipado com tela de 5 polegadas.

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O que pudemos observar em nossos testes de campo é que a tela de 6 polegadas não mostra mais informação na tela e sim mostra mais ou menos as mesmas informações, porém maiores o que, neste caso, não chega a ser algo negativo, já que a idéia neste caso é de proporcionar um maior conforto visual, em especial para aquelas pessoas de mais idade que não enxergam tão bem quanto antigamente.

Assim como todos os produtos da série VIA, o seu sistema de fixação é feito por meio de um disco de sucção integrado diretamente ao GPS por meio de uma articulação de esfera.

Para usá-lo basta basta pressionar o disco de sucção contra uma base de contato (como o para-brisa) e girar o disco no sentido horário para a posição travada. Obviamente para que a fixação seja perfeita é recomendado que tanto o disco de sucção quanto a base de contato estejam perfeitamente limpos, livres de pó e gordura. Se comparado com outros modelos da casa como o GO e o One, o VIA não permite o uso de suportes alternativos com braços mais longos ou com outros sistemas de fixação, mas em contrapartida não se corre o risco de pegar o GPS e esquecer o suporte em algum lugar.

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Eu reconheço que na primeira vez que vi esse sistema fiquei com um pé atrás no que se refere a sua durabilidade e confiabilidade já que, cá entre nós, o que fazer se essa base de sucção não funcionar mais? Mas como usuário de um VIA 1530 há dois anos, posso afirmar que, com os devidos cuidados — como manter a base do GPS e o para-brisa do carro sempre limpo e livre de impurezas como pó e outros contaminantes — e esse sistema funciona bem até hoje com um eventual tombo de vez em quando por ter esquecido travar o disco (duh!)

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Na parte de trás do aparelho podemos ver seu pequeno alto-falante que emite as mensagens de voz de maneira alta e clara. E como esse GPS não possui player de música, ele não possui saída de som nem seu falante é estéreo. Acima a esquerda do falante podemos ver o botão de liga-desliga…

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… e do lado oposto sua porta USB Micro que serve tanto para alimentar o sistema quanto para trocar informações quando ligado a um PC.

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Vale a pena destacar que apesar de qualquer cabo USB genérico com saída USB Micro poder ser usado nos GPS da série VIA, o modelo que acompanha o 1605M possui um encaixe especial na forma de “L” que se ajusta aos contornos do aparelho. O legal dessa solução é que esse conjunto de adaptador de carro + cabo também pode ser usado para recarregar celulares e tablets, incluindo aqueles modelos mais fominhas já que sua potência de saída é de 5 volts x 1,2 amperes.

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Remover uma pequena tampa localizada na sua base (ou topo dependendo da orientação) revela um compartimento onde encontramos algumas informações mais detalhadas do aparelho como modelo, código, número de série e o slot para cartão microSD. Como a série VIA não reproduz mídia, acredito que esse slot possa ser usado para armazenar mapas adicionais que não caibam na sua memória interna.

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Com relação ao seu modo de uso e desempenho, posso afirmar que devido ao fato de a Tomtom atualizar regularmente os seus sistemas de navegação de seus aparelhos pela Internet, a experiência de uso do VIA 1650M é praticamente a mesma de todos os modelos da linha VIA, de modo que nem vamos nos aprofundar muito nos seus recursos e a maneira que ele interage com o PC/Internet, sugerindo em vez disso a leitura do review do VIA 1400T.

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O mesmo pode ser dito do seu desempenho,  já que ao colocar o VIA 1605M e o VIA 1530 lado a lado e sair para um passeio de carro, notamos que as reações de ambos os sistemas (incluindo o tempo para recalcular rotas) é praticamente o mesmo.

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No geral, a experiência de navegar com um GPS Tomtom é bastante agradável, já que sua interface com o usuário é simples, direta e bem intuitiva, sem sobrecarregar a tela com informações excessivas ou desnecessárias.

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Apesar disso, as versões mais recentes do software de navegação introduziram novas indicações (no centro da barra inferior) mais complexas e/ou menos intuitivas como os exemplos abaixo:

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Um recurso novo é a indicação de velocidade máxima da pista quando esta está presente/cadastrada no mapa. Acreditamos nisso porque ao passar por um trecho da SP-150 (Via Anchieta) o GPS indicava que a velocidade máxima da pista que estávamos era de 110 km/h…

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… quando na verdade já faz tempo que o limite em todas as faixas baixou para 90 km/h!

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Outro fenômeno curioso desse GPS é o fato dele sempre indicar no seu painel uma velocidade ~10 km/h abaixo do que é mostrado do velocímetro. Fora isso, sempre que trafego pela marginal da Via Anchieta…

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… o sistema insiste em achar que estou na pista central. Isso pode estar relacionado com a precisão do sensor GPS que pode passar batido para uns, mas que pode ser um incômodo para outros não acostumados com a estrada.

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Também notamos que esse aparelho é compatível com a tecnologia RDS-TMC (Radio Data System – Traffic Message Channel), bastando para isso conectar um cabo especial que permite ao aparelho receber informações de trânsito por meio de sinais de rádio FM.

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Com o receptor de tráfego ligado no GPS, depois de uma pausa de 2~3 minutos para baixar os dados iniciais de tráfego, surge no canto direito da tela uma nova barrinha que representa a distância entre você e seu destino, se você está perto ou longe de problemas de trânsito e o tempo estimado para superá-lo. No exemplo abaixo, o GPS informa que o motorista está a a 900 metros de um congestionamento, o que pode atrasar a viagem em três minutos:

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No passado, a Tomtom chegou a oferecer esse recurso no Brasil nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o que ajudava os usuários do GPS VIA 1400T a desviar dos problemas de tráfego em tempo real e sem pagar nenhuma mensalidade para usufruir deste serviço — tanto que o recurso era chamado Lifetime Traffic Updates.

O problema é que apesar do nome, esse serviço durou pouco já que após um tempo a Tomtom encerrou a parceira que ele tinha no País com a empresa que transmitia os sinais de FM e — de uma hora para outra — todos os 1400T simplesmente pararam de receber informações de trânsito e até onde sabemos estão assim até hoje.

Foi mal hein?

Outro recurso curioso do 1605M é que existe um modo onde, depois do motorista informar o destino, o sistema pergunta se ele tem que chegar lá até uma determinada hora. Se sim ele pegunta qual é essa hora…

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… e o sistema procura calcular a melhor rota, incluindo as vias alternativas:

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Até ai tudo bem, a novidade é que o sistema troca o relógio de tempo real da tela por uma espécie de cronômetro regressivo que informa o tempo que falta (e depois o atraso) durante o percurso. Eu particularmente não gostei dessa idéia porque acho que ela só serve para estressar ainda mais o motorista, principalmente no trânsito imprevisível de algumas metrópoles como São Paulo.

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Em contrapartida, um recurso que achei muito legal é o fato do GPS ser capaz de perceber que desligamos o carro (devido ao corte de energia vindo do acendedor de cigarros) o que faz com que ele desligue automaticamente. O contrário também é válido: ao darmos partida no carro com o GPS conectado ao acendedor, ele também liga automaticamente.

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Essa dependência da energia do carro pode levantar dúvidas sobre a real utilidade da bateria interna no GPS, mas fato é que muitas jornadas de carro duram mais do que sua autonomia máxima (~2 a 3 horas) de modo que até já ouvi de executivos da Tomtom que a melhor maneira de usar seu aparelho é realmente ligado direto na bateria do carro.

Depois de toda essa apresentação resta a grande pergunta: Vale a pena investir num VIA 1650M?

Eu digo que se o consumidor ainda não tenha um GPS para carro e realmente precise de um para usá-lo no seu dia a dia no trânsito, o VIA 1650M (preço sugerido R$ 729) é uma opção a ser considerada, principalmente se comparado com as versões sem mapas vitalícios que, apesar do custo inicial menor, podem dar uma despesa bem considerável no médio/longo prazo.

Por exemplo, supondo que o usuário opte por um outro Tomtom sem mapas vitalícios — como o Via 1600 (preço sugerido R$ 579) em algum momento ele terá que renovar seus mapas e os preços de uma assinatura anual para o Brasil e EUA no site da Tomtom é de R$ 315,68 o que paga a diferença do preço para o 1605M e ainda sobra um troco:

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Alguns podem até questionar se ao invés de investir num GPS porque não usar um smartphone ou tablet com Google Maps ou Here Maps ou Waze? Apesar dessa alternativa ser realmente viável, eu acho que usar esses aparelhos intensivamente nessa aplicação é como dar um canivete suíço para um chef de sushi cortar e preparar peixe o dia inteiro.

Dá pra fazer? — Humm… Sim.

É a maneira mais profissional para realizar essa tarefa? — Bom… Não exatamente!

E o que a clientela acha disso? — Ué… Cadê a clientela?

Brincadeiras à parte, o que estou tentando dizer com isso é que se o consumidor realmente precisa ou depende de um GPS automotivo no seu dia a dia, um aparelho dedicado é uma opção a ser considerada, já que ele foi desenhado para essa função o que inclui resistir a diversos maus tratos dessa vida. Um exemplo curioso nesses dias de calor infernal aqui em São Paulo foi quando olhei no VIA 1605 (que por sinal estava cozinhando sob o para-brisa do carro), ele me apresentou a mensagem abaixo e continuou a funcionar somente com sua bateria interna:

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O seu smarphone faz isso? (Henrique comenta: iPhones fazem)

Para mim, a parte triste dessa história fica por conta de todos os fiéis usuários de GPS Tomtom que já pagaram (ou ainda pagam) por suas atualizações de mapas e, pelo visto, vão continuar pagando já que — até onde sei — a empresa não considera nenhuma campanha que atenda aos usuários antigos, mesmo que seja na forma de um trade-in, um desconto na troca de algum modelo antigo por um novo com mapas vitalícios.

C’est la vie, né?

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Vagner_Ligeiro

    Provavelmente o pessoal da Tom Tom vai odiar meu comentário agora, mas, salvo engano ou desatualização minha, a grande maioria dos equipamentos GPSs deste tipo são nada mais que PDAs com Windows CE. Por isso que até existem alguns que tem função de vídeo, MP3 e outros, já que existe um OS que pode aturar isso. E existem comunidades dedicadas a hacks deste tipo de equipamento.

    Outro comentário que novamente peço desculpas a Tom Tom é um comparativo: a Garmin tem atualização gratuita dos mapas em alguns aparelhos também, mas até permite uso de mapas open source (Tracksouce, por exemplo) em outros aparelhos.

    A TomTom poderia ficar ligada nisso, pois para conquistar mercado, é bom estar um passo à frente do cliente 🙂

    • Mario Nagano

      Sim, o lançamento desse modelo já é uma amostra de que a Tomtom está mudando o seu modelo de negócios, já que ela meio que lembra aquela história de vender aparelho de barba abaixo do custo para ganhar depois na venda de lâminas.

      Mas como disse no fim do post, o problema é que os antigos (e fiéis) usuários da marca não podem usufruir dessa mudança, a não ser que comprem um novo aparelho, o que pode não ser o caso já que eles são bem robustos.

      Ah sim, o sistema da Tomtom roda sobre um dialeto de Linux e ele é totalmente focado na função de navegar.

  • Leonardo César

    Já usei Tom Tom de um amigo, e achei que deixou a desejar.

    Tenho um Gamin, e acho ele muito superior, até como já citado,permite o uso de mapas open source (Tracksouce, aqui no Brasil).