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Google corre atrás dos falsificadores (e copiadores de conteúdo)

“Don’t be evil” (não seja “do mal”) é o lema informal corporativo do Google. Mas não fazer maldade não significa oferecer ao consumidor um produto final livre de coisas ruins.

Nos últimos meses, pequenas alterações nos sistemas de busca e publicidade do Google podem deixar a vida do internauta mais fácil, mas com certeza vão deixar os negócios de spammers, copiadores de conteúdo e falsificadores mais difíceis.

O Google diz sempre que tem uma meta simples: dar às pessoas as respostas mais relevantes a suas perguntas o mais rápido possível. Na prática, isso quer dizer que o buscador tem de entender o contexto do que você quer e trazer a resposta mais importante naquele momento – se quer buscar por “jaguar” (felino) ou por “Jaguar” (carro de luxo), por exemplo.

Uma das questões mais importantes na qualidade de busca é a da luta contra o spam. Não são os e-mails indesejados, mas sim links de resultados ruins, na visão do Google, vindo de “fazendas de conteúdo”. E o que é isso? São sites especializados em escrever de tudo um pouco, o mais rápido possível que seus “editores” identifiquem como tendência em buscas. Um exemplo é o vindouro casamento real no Reino Unido. Ou Rebecca Black, Justin Bieber e afins.

Essas “fazendas de conteúdo”, muitas vezes disfarçadas de páginas com respostas sobre tais temas “quentes”, ganham dinheiro com tráfego alto vindo das buscas e, por consequência, com cliques nos anúncios das páginas, muitas vezes fornecidos pela plataforma AdSense, do próprio… Google. As páginas usam técnicas de otimização de buscas (SEO, em inglês) para aparecer bem nos resultados. Uma variação desse tema são sites (e muitas vezes blogs) que copiam conteúdo de outros sites de maneira automática e também lucram com AdSense.

O que o Google fez? Mudanças no algoritmo de buscas, definidas como “tão sutis que poucas pessoas notam”. Em fevereiro, o buscador anunciou uma dessas modificações no algoritmo que causou impacto em 11,8% das buscas em conteúdo na web publicado em inglês. “Esse update foi feito para reduzir o ranking de sites de baixa qualidade, que trazem pouco valor pros usuários, copiam conteúdo de outros sites ou que não são úteis”, escreveu Matt Cutts, engenheiro-chefe da equipe antispam do Google, no blog oficial da companhia.

Henrique comenta: Apesar da mudança no índice valer basicamente para os EUA, torço bastante para que a medida chegue por aqui. Não vejo “content farms” por aqui, mas blogs que vivem basicamente de copiar (e lucrar com AdSense) existem aos montes, desrespeitando leis de direitos autorais (fair use, pra que?) e levando informação ruim e nada original aos seus (incautos) leitores.

“Ao mesmo tempo, vamos fornecer melhores posições para sites de alta qualidade, com conteúdo e informações originais como pesquisa, relatórios aprofundados, análises e assim por diante”, informou Cutts. E os internautas também podem baixar uma extensão para o navegador Chrome para denunciar sites com qualidade ruim de conteúdo, a Personal Blocklist (disponível gratuitamente na webstore do Google).

A luta contra as “fazendas de conteúdo” e copiadores de sites não é simples. Uma busca pelo tema no próprio Google – que só bloqueou spam de resultados no site americano – mostra que existem alternativas (nem sempre fáceis de resolver, como excluir conteúdo do site) – para se livrar do bloqueio do Google.

Outro ponto importante para melhorar a vida do internauta foi anunciado no começo desta semana. O Google, em seu blog de políticas públicas, disse que vai restringir anunciantes que oferecem produtos falsificados na rede AdWords. “Graças à internet, nunca foi mais fácil começar um negócio e atingir uma audiência enorme, a uma escala incrível. Infelizmente, algumas pessoas fazem mau uso de serviços online legítimos para tentar vender itens falsificados. É claro que esse não é um problema exclusivo do mundo online, mas como a web cresceu, percebemos muitas tentativas de vender falsificações online”, escreveu Kent Walker, vice-presidente sênior e conselheiro geral do Google.

O Google tem 1 milhão de anunciantes na rede AdWords em 190 países, e diz que no último semestre de 2010 retirou do ar 50 mil contas do AdWords relacionadas a produtos falsificados (não sei por que… mas “celulares de três chips” me vêm à mente quando se fala . Walker descreve a busca por falsificações como um “jogo de gato e rato” para deixar os malvados de fora sempre.

O anúncio diz que foram feitas três grandes mudanças no sistema do AdWords em parceria com “donos de marcas” para evitar abusos: tirar do ar anúncios suspeitos em 24 horas (por meio de um formulário de reclamações), melhorar as verificações para que os sites que usam  AdSense (que veiculam anúncios do AdWords) não coloquem anúncios em sites que levem ou façam links para páginas de vendas de falsificações (incluindo a exclusão de contas AdSense) e o lançamento de uma página  de ajuda para relatar falsificações e abusos.

“Esses passos facilitam nossa cooperação com donos de marcas, o que é absolutamente essencial para reduzir a venda de falsificações online. O AdWords é apenas um conector entre anunciantes e consumidores e não temos como saber se um item em particular entre milhões é falso ou não”, escreveu Walker. “Anúncios de falsificações não são ruins apenas para o dono da marca, são ruins também pra compradores que adquirem produtos abaixo do padrão, e são ruins para o Google também”, concluiu.

Além de fazendas de conteúdo, copiadores de conteúdo e falsificadores, o Google também foi atrás de piratas de música, retirando torrents do resultados.  Aí é pressão mesmo de gravadoras, né?

 

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

  • grcarvalho

    Eu particularmente acho OTEMO que se retirem sites de torrents dos resultados…. todo mundo aqui conhece um site de torrent, e todo mundo aqui ODEIA quando digita o nome de um programa. banda ou filme pra obter informações e tem de catar um link verdadeiro no meio de 21938492837469182376 links de sites de torrents…

    • henriquem

      e a gente sabe os locais legais (e limpinhos) pra baixar torrent, né?

      • Grcarvalho

        Sim sim, seguindo a lógica do "nois semo pobre mais semo limpinho"….

        Agora falando sério, se eu quisesse um site de torrents ou alguma coisa dentro de um site de. Torrents, eu digitaria no google "coisa" + "torrent"

        Como está hoje dexa tudo muito confuso, até quem entende de internet tem dificuldade em separar o joio do trigo..

        • beagle

          Assim como tu adiciona a palavra + torrent tu pode excluir ela tambem, simples assim!

  • Adriano

    Noticia :Google corre atrás dos falsificadores (e copiadores de conteúdo) Se o Google for atrás de pessoas que são copiadores tem que ir atrás do cara que faz o Kibiloco, afinal tudo ali e Ctrl+C e CTRL+V, ou na linguagem blogger Kibar, hahahah

  • Carol

    Fico feliz que o Google esteja ficando mais esperto para os copiadores de conteúdo. Quando eu comecei meu negócio online eu sempre ouvia falar: escreva conteúdo bom e original que as pessoas "naturalmente" vão começar a linkar para o seu site e você melhorará de posições no ranking… Balela! Escrevo artigos ótimos, as pessoas adoram, comentam, mas quem tem site e gosta, não linka, copia e cola no site deles! E acham que estão fazendo um favor pra mim ainda por cima "prestigiando" meus artigos, "divulgando meu trabalho". Copiam e não colocam link de volta pro artigo original ainda por cima! Dá uma raiva!