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Gadget retrô do dia: Minox Hasselblad SWC

Todo mundo já está careca de saber que a Minox vende versões digitais em miniatura inspiradas em câmeras clássicas como a Leica M e Rolleiflex. Entretanto o que realmente me chamou a atenção é que essa tradicional empresa alemã também criou mini-réplicas que ainda utilizam seu tradicional filme 8×11 mm como a Minox Hasselblad SWC que mede apenas 85 x 62 x 76 mm e 159 gramas de peso.

Para quem não sabe, a SWC original é uma câmera de médio formato lançada em 1954 e equipada com uma super grande angular Carl Zeiss Biogon 38mm/ f4,5 cuja profundidade de campo era tão grande que dispensava o uso de qualquer dispositivo de auxílio para ajuste de foco, dispensando assim a caixa de espelho presente em outros modelos da marca. Neste caso a câmera vem equipada com uma lente MINOCTAR de 15 mm/f5,6 formada por (3 elementos em 3 grupos) capaz de focar a partir de 1,2 metros até o infinito.

E para quem prefere algo mais com cara de câmera 35mm a empresa também desenvolveu a Minox Contax I também analógica com filme Minox que mede apenas 63 x 40 x 45 mm e 99 gramas de peso:

Fora isso, a empresa continua a incentivar o uso de câmeras subcompactas — popularmente chamadas de câmeras de espião — criando até um site específico para esse tema, o Minox – License to Shoot que procura reunir entusiastas para trocar informações, exibir fotos e coisas do tipo. Obviamente eles tem sua lojinha para vender seus diversos produtos, entre eles um óculos que permite visão periférica de 180 graus sem ter que mexer a cabeça e a inusitada câmera-cinto que deve ser ótima para flagrar corrupto colocando dólar na cueca:

Momento Cultural Zumo:

Apesar de ser um ícone dos filmes de espionagem, Walter Zapp (à direita) — o inventor da câmera Minox — sempre afirmou que seu desejo nunca foi de criar um instrumento de espionagem e sim uma câmera pequena o suficiente que coubesse na mão e que pudesse ser usada em qualquer lugar e ocasião. O primeiro protótipo feito a mão (Ur Minox) ficou pronto na Estônia em 1936 e começou a ser produzido em Riga na Lituânia Letônia em 1938 pela empresa VEF que, durante a segunda guerra, mudava de dono a medida que o país era invadido por um exército ou outro, ou seja,  passou para o controle russo em 1940, depois  para dos alemães  em 1941 e novamente de volta para os russos em 1944. Mas durante a ocupação alemã, Zapp já havia se mudado para a Berlin onde trabalhou no setor de pesquisas da AEG onde participou do desenvolvimento do microscópio de elétrons.

Ao fim da guerra, Zapp fugiu para o lado americano da alemanha com os seus protótipos no bolso (abaixo). E numa época em que qualquer alemão poderia ter sua câmera confiscada pelas forças de ocupação, Zapp teve a sorte de ter sido interrogado por pelo tenente (e fotógrafo entusiasta) Thomas D. Sharples do OMGUS (Office of Military Government of the United States) que o reconheceu e emitiu uma permissão especial para que ele pudesse ficar com suas câmeras.

A partir da esquerda: a barra de madeira que serviu de referência de tamanho para a Minox, o prótótipo original feito na Estônia (Ur-Minox) e o protótipo do modelo da VEF/Riga.

Depois disso, Zapp se estabeleceu em Wetzlar onde ofereceu sua invenção para outros big players como a Leitz/Leica e a  Zeiss/Contax sem sucesso. O bizarro é que quem topou a parada de produzí-las foi um fabricante local de charutos — a Rinn & Cloos — que na época estava com dificuldades de importar tabaco do exterior e resolveu reaproveitar seu maquinário (usado para fazer embalagens de metal para seus charutos) para fabricar as câmeras de Zapp. Isso também explica por que todas as Minox do pós-guerra tem corpo de alumínio, ao contrário dos modelos de Riga feitos em aço.

Eu sempre fui um fã dessa marca nem tanto pela qualidade das imagens (com exceção das suas câmeras 35 mm) e sim pela criatividade e engenhosidade do design dos seus produtos e técnicas de manufatura. Por exemplo, a Minox só contratava pessoas cegas para trabalhar no seu departamento de produção de filmes  8×11. Como a empresa não fabricava filme fotográfico, eles compravam esse material de terceiros (como a AGFA) que era cortado na medida e reembalado em seus cartuchos de filme, o que tinha que ser feito num ambiente completamente escuro.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.