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Gadget do dia: Celular Ulysse Nardin Chairman

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A casa suíça Ulysse Nardin anunciou recentemente que irá apresentar na próxima edição do BaselWorld 2009 seu primeiro celular de luxo, com elementos da tradicional indústria relojoeira Helvécia que nunca foram usados até hoje num smartphone — o Chairman.

Como era de se esperar, as informações ainda são escassas, mas a empresa já colocou no ar um site específico — a UN Cells Ltd. — onde o usuário pode se cadastrar para receber mais dados. Pelo que já dá para ver em algumas imagens que já vazaram em alguns fórums, o celular parece vir com câmera digital, acabamento em tons de azul marinho e dourado além de algumas partes em fibra de carbono. Um luxo!

Entretanto, o que mais me intriga nesse celular é seu rotor que lembra muito o sistema usado nos relógios automáticos da década de 1960 e 1970, cuja massa oscilante (a peça parecida com uma meia-lua abaixo) se movimenta ao redor do mecanismo do relógio, dando corda no mesmo.

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Em 1986, a Seiko criou um curioso sistema híbrido (ou eletromecânico) onde o giro do rotor movimenta um pequeno gerador elétrico, que fornece energia para uma bateria recarregável que aciona um mecanismo de quartzo. Dai nasceu o Seiko Kinetic.

Eu já fui dono de um desses relógios e posso afirmar que, apesar da sua proposta “verde” (um relógio a pilha que não troca  a bateria) os primeiros modelos sofriam de um problema herdado dos relógios automáticos, ou seja, se você deixar um kinetic alguns dias na gaveta, sua bateria caduca e ele deixa de funcionar (duh!). E para voltar a usá-lo de novo era preciso chacoalhar o relógio para que seu rotor dê umas 150 voltas para que sua bateria recuperasse sua carga mínima. Sob esse ponto de vista, os relógios com bateria solar como os Citizen Eco-Drive são conceitualmente mais simples e só precisam de uma fonte de luz para começar a andar.

Sob esse ponto de vista, fico pensando se o Chairman realmente utilize ou só dependa de um sistema de rotor como o Kinetic para gerar energia para o celular. Se sim, imagino quantas voltas serão necessárias para alguns minutos de conversa pelo telefone.

E tem mais: o sistema de rotor funciona bem nos relógios porque eles ficam presos no pulso do usuário, que é uma parte do corpo que se movimenta muito. Como um celular costuma ficar parado na mesa ou no bolso do seu dono, quanta energia o rotor do Chairman seria capaz de produzir?

Para mim, ainda existe a possibilidade de que estamos viajando muito na maionese e o Chairman funcione com uma bateria convencional de celuar e o tal rotor sirva apenas para movimentar um relógio embutido no celular, como no Mobiado Pro 105 GMT (abaixo) que, por sinal, vem com dois relógios:

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Mas isso a gente só vai descobrir quando mostrarem a parte da frente do Chairman.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Peter

    Se a bateria dele for totalmente recarregada pelo rotor, o usuário terá q passar o dia dançando, correndo, agitando e fazendo outros gatimanhos para q o celular tenha carga suficiente para funcionar.
    Esse celular deve ser ótimo para emagrecer! hehehehe Vou recomendá-lo a minha irmã! 😀