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Hands-on: Fone de ouvido Sony MDR-10 RNC com cancelamento de ruído

Produto muito apreciado entre o chamado “Jet Set“, o novo fone de ouvido da Sony combina ótima qualidade de som com recurso de cancelamento de ruído.

A Sony Brasil anunciou recentemente sua nova linha de headphones para 2014, formada por três modelos que chegam ao mercado até o fim de abril/início de maio deste ano.

A verão mais “simples” é o MDR-10 R (preço sugerido: R$ 699) que se conecta com a fonte de som via cabo estéreo que pode ser trocado por outro com microfone (já incluso no pacote) o que permite o seu uso em smartphones e até PCs para fazer e receber chamadas de voz ou VoIP.

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Já o MDR-10 RBT (preço sugerido: R$ 1.000) é uma versão mais voltada para mobilidade que, além de contar com a conexão com fio, também oferece conexão sem fio via porta Bluetooth 3.0:

Sony_MDR-10RBTPorém o produto que mais me chamou a atenção foi o MDR-10 RNC (preço sugerido: R$ 1.000) uma versão que abre mão do Bluetooth em favor de um sistema de cancelamento de ruído, também conhecido como noise reduction:

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Para quem nunca foi apresentado ou não leu nosso post sobre o Digital Ear MM1000 (shame, shame, shame!), esse sistema de cancelamento de ruído é baseada numa técnica chamada Controle Ativo de Ruído, que analisa a forma da onda sonora a ser atenuada e emite outra com a mesma amplitude, porém com a fase invertida fazendo com que ambas se cancelem por meio de um efeito chamado interferência (mais sobre isso aqui) que reduz significativamente ou até mesmo elimina ruídos indesejáveis do ambiente, em especial zumbidos constantes emitidos por motores de veículos, ventiladores, geladeiras, compressores, ar-condicionado e, é claro, turbinas de avião.

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Outra característica bem interessante dessa tecnologia é que ela não consegue cancelar certos tipos de sons — como a queda de um objeto, sinais de alerta (campainha da porta/telefone, buzina etc.), voz humana e músicas (duh!) — o que faz com que o consumidor não perca o contato com o ambiente ao seu redor, ao contrário do que acontece com muita gente que usa fones de ouvidos com volume alto para se isolar do mundo e pode acabar sendo atropelado na rua por um motoboy mais afobado.

Isso mostra que apesar desse acessório estar muito associado com viagens de avião, esses fones com cancelamento de ruído também podem ser úteis (mesmo sem reproduzir músicas) em outras tarefas do dia a dia onde a sensação de um ambiente mais tranquilo e menos barulhento favorece a capacidade de concentração e até mesmo a produtividade do usuário.

Mas voltando ao que interessa, o MDR-10 RNC é um produto premium voltado para todos os públicos e talvez por causa disso a Sony optou por um desenho mais sóbrio e requintado o que também pode ser dito da embalagem já que em vez de entregar o produto num blister vulgar, ele vem numa caixa de papel igualmente elegante…

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… e bem explicativo em três idiomas: Inglês, chinês tradicional/simplificado e coreano. Também notamos uma pequena etiqueta colada na sua alca de pendurar…

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… que me parece ser um selo holográfico de item original:

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E como era de se esperar de um produto na sua faixa de preço, o processo de abertura é meio que um ritual onde ao abrir a embalagem externa, temos acesso à segunda embalagem na forma de uma caixa preta de cartão grosso que lembra até uma caixa de bentô — tradicional marmita japonesa.

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Dizem que uma das curtições do do bentô é que e ela pode se comparar a uma caixinha de surpresas, ou seja, ao remover a tampa da embalagem a pessoa deveria se maravilhar com o seu conteúdo ou como dizemos por aqui “antes, comer com os olhos.” Acredito que a  metáfora seja a mesma neste caso, já que é nesse estágio é que finalmente temos a primeira visão de fato do produto, ou mais exatamente do seu estojo de transporte, item que costuma acompanhar esse tipo de produto.

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Esse estojo possui um acabamento em nylon grosso com laterais em curvin e é totalmente forrado por dentro com um tecido aveludado o que garante uma boa proteção para o fone. A falta de algum tipo de alça/argola externa no mesmo obriga o usuário a ter que carregá-lo na mão, debaixo do braço ou mesmo dentro de alguma bolsa/sacola o que pode não ser uma boa experiência para um viajante em transito em um aeroporto.

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Uma sacada interessante desse estojo é que o espaço não usado pelos headphones é ocupado por uma pequena bolsinha de pano…

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… removível que é usada para guardar os acessórios do produto…

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… que são os seguintes: (1) cabo estéreo com plug padrão P2 de 3,5 mm e 1,5 m de comprimento, (2) outro cabo estéreo com microfone integrado padrão CTIA/AHJ de 1,2 m, (3) adaptador para saída de som de poltrona de avião e (4) adaptador para plug estéreo P10 de 1/4″:

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Notamos que a bolsinha tem espaço de sobra para abrigar esses acessórios e até outros itens como pilhas extras e até um reprodutor de mídia, mas desde que este não seja muito grande.

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Já o headphone em si é um equipamento de porte médio do tipo “supra-auricular” ou seja, os fones ficam sobre os ouvidos mas não os cobrem totalmente como se fosse uma concha (os chamados “circum-auriculares”). Neste caso, a vantagem dos supra-auriculares é que eles são menores e mais fáceis de serem usados em aplicações móveis. De fato, o MDR-10 RNC possui uma articulação na altura dos fones…

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… o que permite deitá-los numa posição mais “plana”, facilitando assim o seu armazenamento e transporte:

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Aqui podemos ver a diferença de tamanho entre o MDR-10 RNC (a esquerda) e o JVC HA-RX900, um modelo circum-auricular, mais indicado para aplicações mais estáticas/uso doméstico.

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Uma sacada interessante da Sony é que esse fone possui indicações de canal direito/esquerdo também por meio de cores, o que ajuda a sua identificação mais rápida em locais mal iluminados.

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Aqui podemos ver os dois pequenos microfones usados pelo sistema de cancelamento de ruído para capturar o som ambiente e gerar a onda invertida.

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A maioria dos controles desse fone se concentram no lado esquerdo, logo a frente da entrada de som (1). Lá encontramos sua chave que liga/desliga com um indicador luminoso (2) que fica aceso quando o sistema de cancelamento de ruído está ativado e o botão que controla a função AINC (3) diminutivo carinhoso de Artificial Intelligence Noise Canceling.

Sony_MDR-10RNC_controles_1

Segundo a Sony, ao pressionar esse botão, o MDR-10RNC analisa o som ambiente e seleciona um dos três modos de cancelamento de ruído pré-definidos pelo sistema. Essa mudança é normalmente precedida por uma pausa/análise de 3 segundos seguida de dois bipes curtos emitidos dentro do fone e duas piscadas no indicador luminoso:

  • NC Mode A: Para amenizar o ruído dentro de aviões.
  • NC Mode B: Para amenizar o ruído dentro de trens/ônibus.
  • NC Mode C: Para amenizar os ruídos dentro de ambientes de escritórios, como o barulho vindo do ar-condicionado, PC, copiadora, etc.

Ao ligar o fone a seleção padrão é o para aviões e a empresa recomenda que o usuário pressione o botão AINC toda vez que mudar de ambiente — como mudar de cômodo ou sair do avião ou do trêm. O curioso é que essa seleção de modos só pode ser feita pelo sistema de “inteligência artificial” do fone e nunca pelo usuário. Eu particularmente gostaria de pelo menos ter a opção de discordar da opinião do fone e deixar que minha “burrice natural” escolha o modo que mais lhe agrade. >;-)

Apesar da ótima apresentação e acabamento, boa parte do fone é feito de policarbonato, sendo a única parte metálica visível é a haste da alça do fone, o que garante uma boa rigidez estrutural desse acessório. Dito isso, podemos afirmar que com os devidos ajustes, o MDR-10 RNC é um acessório muito confortável, que não pesa na cabeça e a pressão sobre os ouvidos está na medida idal — ou seja — firme o suficiente para o fone não sair do lugar mas que não incomoda o usuário.

Sony_MDR-10RNC_ajuste_1

Já do lado direito do fone, fica o compartimento da bateria. Para termos acesso a o mesmo é preciso pressionar (e não puxar) a pequena trava mostrada embaixo…

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… que libera a tampa lateral.

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Ao contrário de outros modelos que utilizam baterias recarregáveis, o MDR-10 RNC é alimentado por uma única pilha alcalina do tipo palito (AAA) de 1,5 volts cuja autonomia é estimada em aproximadamente 20 horas de uso. De fato, antes da pilha morrer de vez, ele emite dois bipes longos dentro do fone e o indicador luminoso pisca até desligar.

Eu particularmente gosto dessa solução já que ela elimina a tarefa de recarregar a bateria (mesmo que ela seja removível). Fora isso, pilhas AAA são relativamente baratas, podem ser encontradas em qualquer armazém de roça e para aqueles preocupados com o meio ambiente, acredito que possam ser substituídas por pilhas AAA recarregáveis abrindo mão — é claro — de um pouco da autonomia.

A única desvantagem que vimos nesse sistema é que, quando a energia da pilha se esgota, o fone para de funcionar completamente passando até a impressão que ele pifou. Para nós isso mostra que esse fone também utiliza a energia da bateria para alimentar algum circuito que melhora a sua saída de som mesmo com o sistema de cancelamento de ruído desligado.

Observamos também que esse fone não possui modo de desligamento automático, ou seja, uma vez que o sistema de cancelamento de ruído é ativado, ele se mantem “ativo” até que a bateria esgote.

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Como dissemos acima, o cano de som desse fone…

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… pode ser removido (o que facilita o seu uso apenas para amenizar o som do ambiente) e também facilita a sua troca no caso de alguma avaria no cabo.

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Fora isso, o cabo padrão pode ser substituído pela versão padrão CTIA/AHJ também com 1,2 m de comprimento e já incluso no pacote:

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… que vem equipado com um microfone integrado o que facilita o seu uso em smartphones e até PCs para fazer e receber ligações de voz via rede telefônica e/ou VoIP:

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Do lado oposto, ele possui um pequeno botão que permite enviar alguns comandos básicos para o smartphone com receber ligação ou pausar/retornar uma música — o que inclui os produtos da Apple e Blackberry.

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O interessante nesse caso é que a Sony desenvolveu uma App chamada Smart Key que permite enviar mais comandos para um dispositivo Android (versão 4.x ou superior) de acordo com o contexto.

Sony_MDR-10RNC_SmartKey

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O vídeo abaixo explica bem o funcionamento desse recurso:

Na prática, o que notamos é que essa App realmente funciona, apesar de que, pelo menos no nosso caso — ligado num um Motorola Razr i — percebemos que o usuário precisa se um pouco de treino/habilidade/perícia para operar o botão de controle já que muitas vezes o smartphone não soube diferenciar um comando de “três toques” de outro de “um toque + dois toques” (ou vice versa) ou até mesmo de “um toque + um toque + um toque”. E como (até o fechamento dessa análise) essa App não possui nenhum ajuste de sensibilidade, seu uso é meio que confuso (para não dizer frustrante).

Sob testes:

Nós aqui deste ZTOP não costumamos analisar equipamentos de som por dois motivos: o primeiro é que nem eu nem o Henrique “se acha” um audiófilo crítico e segundo porque acreditamos que a percepção de uma boa qualidade de som tem muito de “achismo” e de gosto pessoal. Dito isso pode ser que nós realmente não saibamos diferenciar o som “mais melhor do que bão” do “super-duper-ultra-hiper-du-caracamente-melhor!” mas, com certeza, já ouvimos muita coisa ruim nessa vida — e não estamos falando de música de dor de cotovelo!

Assim, na minha humilde opinião, a qualidade do som do MDR-10 RNC para mim é muito boa, reproduzindo graves sem chiados e agudos sem distorções oque resulta num conjunto sonoro bastante consistente e agradável. O curioso é que, em certos casos, a qualidade do som é ainda melhor com o sistema de cancelamento de ruído desligado enquanto que a reprodução de monólogos — como um audio book — ficam bem melhores com esse recurso ativado.

Já para se ter uma idéia do funcionamento do sistema de canelamento de ruído propriamente dito, montamos um experimento simples onde inserimos um microfone direcional em um dos auriculares do fone da Sony e posicionamos o mesmo (sem reproduzir músicas) na frente de um incômodo circulador de ar ligado que temos aqui na Zumo-caverna.

Daí, gravamos cerca de 4 minutos de “silêncio” — com o sistema de cancelamento de ruído primeiro desligado, depois ligado, depois com o AINC ativado e novamente desligado — em um gravador de voz (mono) da Olympus WS-311M com todos os filtros e controles automáticos de nível desligados. O resultado em si (que pode ser conferido aqui) não pode ser usado para avaliar a qualidade do som do fone, mas quando abrimos o mesmo com o Audacity podemos visualizar graficamente que o sistema realmente funciona. Observamos porém que o ronco do circulador de ar não desaparece por completo, mas é bastante minimizado.

Sony_MDR-10RNC_test_vent_1

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Depois repetimos o experimento acima, mas desta vez com a TV ligada (confira aqui). Pelos gráficos do Audacity podemos ver mais “picos” na onda gerada por causa do som da TV o que mostra e o sistema de cancelamento de ruído funciona melhor em ruídos constantes, uniformes e de baixa frequência, o que não é algo de todo ruim já que, como dissemos acima, isso faz com que o usuário possa desfrutar de um ambiente menos barulhento mas sem perder a capacidade de perceber o que acontece ao seu redor.

Sony_MDR-10RNC_test_vent_TV_1

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No geral, gostamos muito do Sony MDR-10 RNC: trata-se de um fone de ouvido bastante confortável, com ótima qualidade de som e um sistema de cancelamento de ruído bastante competente. O uso de pilhas no lugar de bateria não removível/de desenho proprietário, para mim também é algo positivo.

Apesar disso, esse fone tem algumas características que poderiam ser melhoradas, como o funcionamento do sistema Smart Key, uma alça no estojo de transporte e a opção de ignorar o AINC e selecionar o seu modo de cancelamento de ruído preferido.

A propósito, para nós — “cancelamento de ruído” é um termo que pode inflar demasiadamente as expectativas de um consumidor novato na hora da compra já que, pela nossa experiência com esse tipo de acessório, nem todos os ruídos são completamente eliminados em 100% dos casos por essa tecnologia de modo que, para nós, o termo mais preciso seria “redução de ruídos”.

Mas independente do jogo de palavras, a existência desse recurso é algo muito bem vindo, já que melhor ter uma redução do ruído do que redução nenhuma né?

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Rodrigo Campos

    Seria interessante ter alguma referência para qualidade de som, como por exemplo o Sennheiser HD600 ou o Beyerdynamic DT880.

    • Mario Nagano

      Como disse no texto, não costumamos testar esse tipo de produto. E falar desses dois outros modelos seria puro achismo de minha parte.

      Sorry 🙂

  • do redundante, parabéns pelo excelente – e extenso – review de um simples fone.

    Mas eu ia reclamar do preço de R$1.000 quando vi que o valor estadunidense é de US$500, ou seja, está mais barato comprar aqui no Brasil.

    Interessante que o meu Tracks Air (aquele que vem com o moto G) pode funcionar sem bateria, apenas com o cabo – mas ele não tem noise canceling,

    • Mario Nagano

      O equivalente desse fone seria o MDR-10 RBT, versão com bluetooth mas sem NC.