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Entrevista: Microsoft e o Open XML (parte 2)

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No primeiro trecho da entrevista com Roberto Prado, gerente de estratégias de mercado da Microsoft Brasil, o tema foi “Open XML para leigos”. O papo continua, agora com a discussão entre Open XML x ODF.

***

Zumo: Em poucas palavras, quais as vantagens que a Microsoft vê no Open XML em relação ao ODF?
Roberto Prado
: Algumas discussões trazem comparações entre o Open XML com o ODF (Open Document Format). É importante reconhecer que estes formatos foram criados com objetivos bem diferentes e que eles são somente dois dos muitos sistemas padrões í  disposição atualmente. Cada um deles possui caracterí­sticas ideais para determinada finalidade. Há quem ignore o fato de que o Open XML traga avanços e benefí­cios para os usuários. Isso é o mesmo que limitar a possibilidade de escolha e de inovação tecnológica, por motivos comerciais.

Se você ouvisse de algum cliente que estaria interessado em adotar o ODF, qual seria a sua argumentação para que ele permanecesse fiel aos padrões da Microsoft?
A questão do ODF é uma questão de amplitude, especialmente para atender todo o legado do cliente. É como se você tentasse colocar um conjunto de informações em um sistema que não foi feito para ele. O ODF não foi feito para atender algumas demandas, como de pessoas com necessidades especiais, ou questões de certificação digital compatí­veis com a ICP Brasil. Nós criamos, portanto, o padrão para atender uma necessidade de mercado. O nome Open se dá porque o XML é aberto. O Open XML reconhece versões anteriores de formatos de documentos, permite a conversão dos documentos em ODF e vice-versa, sem que haja uma dependência a um único fornecedor para ambos os padrões.

Se algum cliente já usuário do ODF se arrependesse da sua decisão e desejasse migrar para o Open XML, isso é tecnicamente possí­vel?
Sem dúvida. Já temos conversores desenvolvidos na modalidade open source disponí­veis para isso. Adicionalmente, publicamos como migrar de binário para OXML. Isso também está disponí­vel como projeto open source, no SourceForge.net.

Para o Zumo, a idéia de um padrão de descrição de arquivos totalmente aberto e público nos parece algo muito sensato, e uma das maiores crí­ticas que ouvimos dos defensores do ODF é que partes do arquivo Open XML não são abertos (proprietários), o que alguns podem ver com maus olhos. Do que eles exatamente estão falando?
Entendemos e respeitamos as crí­ticas, mas podemos afirmar que todas as partes que compõem o Open XML são abertas. Os usuários não precisam se preocupar com isso. Outra questão relevante a ser ressaltada é que o padrão continuará com seus direitos de licenciamento de patentes totalmente gratuitos, seja em sua fase de implementação ou após o recebimento de uma certificação ISO. A Microsoft assegura a gratuidade no uso desse formato, que oferece a opção da interoperabilidade entre sistemas.

Se essa história de código fechado for verdade, por que isso acontece?
Alguns usuários não entendem exatamente o que é o padrão e fazem confusão, por exemplo, com o produto. Nossa obrigação é esclarecer e educar sobre um tema que é mais abrangente.

A Microsoft acha que a criação e a distribuição gratuita de um aplicativo de escritório compatí­vel com o Open XML – como o Symphony faz com o ODF – poderia ser uma ótima estratégia para popularizar o Open XML?
A IBM já implementou o Open XML em quatro ou mais produtos. Isso demonstra que ela reconhece o valor do padrão incorporando. Fizemos o mesmo com o ODF, na forma de Add-in. Creio que ambos querem atender seus clientes e as necessidades do mercado.

A Microsoft andou recebendo alguns reveses em sua iniciativa de transformar o Open XML como norma internacional, como o ISO, mas foi bem sucedido no Ecma. O que faltou ou o que falta para que o Open XML seja reconhecido pelo ISO?
Os resultados da votação preliminar do processo de ratificação da ISO (Organização Internacional para Padronização) para que o padrão Open XML tenha certificação foram positivos. Ao todo, 51 paí­ses membros do National Body da ISO/IEC, que representa 74% dos votos qualificados, apoiaram a ratificação do Open XML. Juntamente com os votos, foram encaminhados comentários técnicos importantes para o aperfeiçoamento da especificação. Outras nações com poder de voto na ISO também declararam que apoiarão o Open XML após a análise dessas sugestões, que ocorrerá até março de 2008. Dessa forma, serão pelo menos 87 paí­ses participando do processo de revisão do padrão Open XML, fato sem precedentes na padronização de um formato de documento. Essa série de comentários técnicos feita por diversos paí­ses representa efetivamente uma oportunidade de evolução da norma, como parte do processo natural de elaboração de qualquer especificação técnica. Acreditamos que as nações terão suas dúvidas sanadas e se posicionarão a favor do padrão.

Caso vocês não consigam aprovar o Open XML na ISO/IEC, isso pode ser o fim do Open XML?
De forma alguma. Independentemente de obter a certificação internacional ISO, o padrão Open XML continuará a ser referência para empresas e governos. Um estudo realizado recentemente pelo IDC (International Data Corporation) com mais de 200 organizações dos setores público e privado dos Estados Unidos e Europa comprovou que há cada vez mais interesse na implantação de documentos baseados em Open XML. O material ressalta a importância para os entrevistados da interoperabilidade entre as ferramentas de produtividade, o arquivamento de longo prazo e a facilidade de transição da base atual de arquivos para um novo padrão. Além disso, outro estudo, desta vez promovido pelo Burton Group, traz perspectivas da indústria e do mercado voltadas ao uso contí­nuo desse padrão.

Existe algum plano B caso isso ocorra?
Ações de treinamento e de apoio para as implementações já estão em curso. Acreditamos que tão importante que a certificação na ISO será a aceitação pelo mercado. O que já está ocorrendo no Brasil e no mundo.

Na terceira parte da entrevista, Prado comenta a possibilidade de paz entre ODF e Open XML. Fiquem ligados!

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • João Marcus

    Essas “garantias de liberdade de patente” não se sustentam. Não quero saber de promessas ou garantias. Só um trouxa acredita em uma simples promessa.
    Eles poderiam simplesmente admitir o que querem:”dominamos o mercado, e queremos impor nosso padrão porque ele é o mais usado, e só estamos submetendo nosso formato à ISO porque somos obrigados a isso”.
    Por mim, que façam o que quiserem. Já não uso o Word há muito tempo mesmo.

  • Bom, sabemos como a Microsoft tem se comportado quando o assunto é patentes da empresa e software livre juntos, mas mesmo que digam, como o César Brod o fez [1], que isso são apenas ações isoladas dentro da empresa, eu digo a mesma coisa que escrevi em meu comentário (siga o link abaixo):

    {citacao}
    “(…) dizer que é fácil afirmar que uma determinada empresa apóia ou não apóia isso ou aquilo, com base em ações isoladas, mas não na prática real.”

    O problema é que estas ações isoladas, que não refletem sua “prática real”, são desencadeadas por pessoas influentes dentro da empresa e que, teoricamente, dão rumo a esta, pois são seus administradores e diretores. Não posso simplesmente ignorar quando Ballmer diz que o Linux, e outros softwares livres, estão quebrando patentes da Microsoft e achar que isso são apenas “ações isoladas”.

    Quando você fala em inter-operabilidade e que a dita empresa apoia tal atitude, nós não vemos isso na prática (colocar seu padrão “aberto” para análise da ISO não diz nada). Um exemplo que posso destacar e que você deve conhecer é o da União Européia. A não ser que você defenda a idéia absurda de eles liberaram a documentação para os concorrentes de forma pacífica e por que queriam “inter-operar”.
    {/citacao}

    [1] http://porta25.technetbrasil.com.br/porta25/BLOG/tabid/53/EntryID/312/Default.aspx

  • Ha, e só para destacar: eu não sou contra o OpenXML em si, acho muito bom ter um padrão mais “aberto” em documentos microsoftianos e principalmente se meu OpenOffice (ou meu Lotus Symphony) trabalhar melhor com este formato. A conversão de OOXML para ODF também é muito importante.

    Mas… para que existirem dois formatos padronizados pela ISO? Que não venham com essa de que concorrência é boa, estamos falando de padrões e não de mercado capitalista. Em vez disso pode-se tentar melhorar o ODF e a ajuda da Microsoft para isso seria muito bem vinda.

    E a Microsoft não preza tanto pela inter-operabilidade? Então por que não colocar no Microsoft Office suporte nativo para leitura e gravação em ODF (ha, mas existe um plugin que faz isso! Nossa! Vamos inter-operar)?

    Vejo muito discurso, falácia e respostas vagas. Gostaria muito que fosse apenas engano meu (e quem sabe um dia não seja?!).

  • Reforço o comentário anterior:
    1 – Faltam respostas concretas
    2 – Ao citar estatísticas forneça sempre fonte e números

    Ainda faço outra pergunta:
    Se um usuário escolhesse o OOXML e futuramente desistisse da opção, seria fácil migrar para o ODF?

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  • adriele

    queria saber como achar a historia da microsoft