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Electrolux Infinity i-Kitchen: Linux embarcado na geladeira

O refrigerador acima, com o pomposo nome de Electrolux Infinity i-Kitchen, roda Linux embarcado em uma tela sensível ao toque do lado de fora do aparelho (óbvio) e que realiza algumas funções básicas como mostrar receitas e fotos. Ela já está à venda no mercado brasileiro (preço sugerido: R$ 5.999) desde outubro.

O mais legal: todo o desenvolvimento de hardware e software foi feito aqui no Brasil, pelo pessoal da ProFusion, lá de Campinas, em parceria com a turma da Electrolux (em Curitiba) e da Freescale (também em Campinas). Conversei hoje com o pessoal da ProFusion sobre o projeto e outras coisas bacanas que podem vir no futuro para geladeiras e eletrodomésticos em geral.

A configuração da “geladeira” é um computador sensível ao toque (tela de 800 x 480) com processador Freescale (iMX25 de 400 MHz com arquitetura ARM) e uma entrada USB para mostrar fotos na tela (e atualizar firmware, mas não conte isso pra sua mãe). A capacidade do refrigerador é de 540 litros.

A turma da ProFusion (Gustavo Sverzut Barbieri, Ulisses Furquim, Luis Felipe Strano Moraes, Rafael Fonseca e Bruno Dilly) se formou na Unicamp, passou um tempo no INDT em Recife  e voltou para Campinas pra criar software para sistemas embarcados em diversos projetos. “Usamos uma plataforma baseada no Freescale já usado em carros, e tivemos que criar uma interface  gráfica fácil de usar e intuitiva”, diz Barbieri.

Mas que diabos esse PCzinho embarcado faz? Tem um 600 receitas (em 7 categorias, fornecidas pela revista “Cláudia”), funciona como porta-retratos digital, marcador de recados, organizador de tarefas, agenda com contatos telefônicos, calendário e 50 dicas (!) para “facilitar o dia-a-dia, promover o bem estar e contribuir para a preservação do meio-ambiente”. Item essencial off-tecnologia: máquina de gelo na porta.

Os desafios do projeto, pro pessoal da ProFusion, foram otimizar o software ao máximo para o hardware (que, digamos, não é nada comparável a qualquer smartphone com chip de 1 GHz hoje), deixar o boot mais rápido e a interface mais bonita. Todo o desenvolvimento foi feito em um ano (mais ou menos) e vai funcionar como um “abre-alas” pra empresa, que tem outros projetos embarcados em desenvolvimento (citam como clientes Samsung, Google e Intel/projeto MeeGo).

Mas, após uma geladeira com tela sensível ao toque e “receitas de revista Cláudia”, o que pode vir em um futuro eletrodoméstico embarcado? Na visão dos caras, um monte de coisa. “Conectividade estava nos planos desse refrigerador”, explica Barbieri, “mas ficou de fora”. Quem sabe em versões futuras? “Tem que ser um acesso direcionado à web. Ninguém vai ficar navegando em pé na porta da geladeira. Dá pra acessar receitas em um site, ou enviar pra um parente. Ou ver fotos no Flickr como porta-retratos, acessar previsão do tempo.”

Em um passo mais além, Barbieri pensa grande: “por que não ajustar o relógio do refrigerador via internet e, com isso, programar outros eletrodomésticos em volta?”. O hardware para esse tipo de recurso existe (Wi-Fi, 3G, Zigbee). Mas, pelo discurso, dá a entender que o próximo recurso será mesmo um navegador para um futuro refrigerador – afinal, não existe “mágica” ainda que detecte o estado dos alimentos dentro de uma geladeira e mande instruções pro seu celular quando estiver perto do supermercado (ideia dos caras, garanto). Eu, particularmente, não pagaria R$ 5.999 em uma geladeira, mas quase toda inovação começa cara até se popularizar, certo?

O refrigerador em um vídeo oficial:

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Aproveitei a conversa com os meninos da ProFusion pra fazer a classica pergunta: “e onde vocês encontram gente pra trabalhar com sistemas embarcados?”. Resposta: “É difícil pra caramba”. A empresa usa a Unicamp como base para fomentar profissionais, “mas não é suficiente”, nas palavras de Barbieri. “Estamos sempre procurando profissionais também na USP e Unesp, acabamos de contratar dois argentinos e estamos expandido horizontes. Treinar gente também é caro, demora para o funcionário começar a produzir”, conclui. O que causa tanta falta de gente? Hoje, o caminho mais fácil se chama “desenvolvimento para iPhone”, em um mercado que começa a mostra sinais de saturação – a conferir.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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  • coi_c

    Podia ter vindo com android… Imagina, jogar Angry Birds da geladeira!!! 🙂

  • Poderia falar mais alguma coisa, mas isso aqui, que está no texto, resume totalmente:
    "Eu, particularmente, não pagaria R$ 5.999 em uma geladeira, mas quase toda inovação começa cara até se popularizar, certo?"

    • Hahahaha, legal mesmo seria jogar Fruit Ninja e preparar uma salada de frutas.

  • Vale notar que a turma que desenvolveu o software também inclui: Rafael Fonseca e Bruno Dilly também ex UNICAMP.

    Foto do time em: http://www.flickr.com/photos/profusionembedded/52

    • henriquem

      valeu Gustavo. vou atualizar o texto

  • Nom4d3

    Esse CPU ae da pra fazer overclock a vontade. Fica facil resfriá-lo. RÁ!

  • Ligeirinho

    Os anti-linux agora podem dizer "Lugar de Pinguim é na Geladeira" (ba-dum-tss)

    Mas agora falando sério, tem um porém: creio eu que apesar da idéia sensacional, o caso das receitas não combina também com ler em pé. Tipo, imagine alguém que cozinha toda hora ir à frente da geladeira para pegar um detalhe ou outro da receita… uma integração com um notebook, tablet ou ebook vem a acalhar. Também, não sei se já tem no projeto, seria interessante um "cadastro de produtos", para aviso de produtos em vencimento.

    Em tempos, pensando neste item, que tal a implantação deste tipo de sistema em grandes geladeiras, tipo açougues e varejistas? Um sistema deste em geladeira grande seria uma ótima para controle de estoque e vencimento.

    • Xinuo

      Ler em pé receitas é só o que se faz. Eu passo algum tempo na cozinha acompanhando minha namorada, que é boa de cozinha, e ela faz tudo em pé. Uma tela embutida na geladeira é uma boa ideia, pois ocupa muito menos espaço que um notebook em cima da mesa. Ela tb gosta de ver TV enquanto faz tarefas na cozinha, se a tela da geladeira fosse maior e pudesse passar vídeos e TV seria muito bom, embora nesse caso ficaria de uso mais restrito, pois teria que ficar num ângulo apropriado para a parte da cozinha onde se fica mais, que é na pia, no fogão e na mesa da cozinha.

      • Ligeirinho

        Então, mas digo, é que para mim, vejo que é mais interessante por exemplo deixar do lado da mesa onde se faz a receita, mas tu tá certo. Acabei me lembrando dos lembretes de geladeira, que dá na mesma.

        Mas por isso também que falo que uma integração com um tablet ou outro aparelho é interessante. A receita pode ficar na geladeira, mas por exemplo, a receita que aparece na geladeira, também pode aparecer no tablet.

  • oChato

    Só pra complementar já que o assunto é linux embargado, O linux já está em diversos equipamentos e eletrodomesticos, inclusive as famosas TV´s sansung LED usam também um linux embargado.

    • henriquem

      deve ser "embargado" mesmo, pq. ninguém fala sobre ele </ironia>

    • flaviothunder

      Na verdade a maioria absoluta das TVs modernas e set-top-boxes, tanto de TV Digital aberta quanto das operadoras de TV por assinatura rodam alguma forma de Linux embarcado, na verdade tenho até curiosidade em saber qual NÃO É…você está usando Linux ainda mais do que sequer imaginou…

  • Eduardo

    Pessoal só lembrando Android é Linux ( Núcleo Linux ) para quem comentou que poderia vir com Android.

    • Xinuo

      Normalmente se diz Linux, mas acho que dizendo GNU/Linux, ficaria mais coerente e fácil de entender que o Android é diferente das distribuições tradicionais.

      De qq forma acho que deve ser fácil fazer um GNU/Linux rodar aplicações Android tb. Teve um fabricante de tablet (veja no site WeTab.mobi), que embarcou o MeeGo (que é um GNU/Linux) e diz que esse tablet também roda aplicações Android. Se o feito for um mérito de qualquer MeeGo (e não apenas do fabricante desse WeTab) vamos ver quando a Nokia e/ou Intel lançarem seus produtos com ele no próximo ano.

  • cHucKy515

    Haha quero uma geladeira dessa, antes que algum hacker tente colocar Win95 pra rodar nela

  • Nerdson

    …prefiro comprar uma geladeira normal por 2 mil e colar um iPad de outros 2 mil… total 4 mil

  • dflopes

    Eu ainda quero uma geladeira com leitor de código de barras,

    e a partir de uma lista inicial, tipo, todo inicio de mês deve ter 3 caixas de leite longa vida integral. Ele ele mencionaria qtas caixas eu deveria comprar…

    Mas, se roda linux for ARM, não roda Wine? Open Office??? ahahaha

    • Rodrigo H.

      O problema do leitor do código de barras é que os produtos teriam sempre que ser colocados em posições onde o leitor pudesse "enxergar" o código de barras. Aí entram questões sobre embalagens diferentes mesmo para produtos iguais de marcas diferentes (como caixas de leite).
      Quem sabe se todos os produtos (ou ao menos determinados produtos) tivessem que vir com um microchip transmitindo um sinal que a geladeira pudesse ler? Seria uma boa também.

      • Isso dai, Rodrigo, já até existe, são as tags RFIF: http://pt.wikipedia.org/wiki/RFID
        O problema ainda hoje em dia, creio, seja a viabilidade econômica: criar uma tag RFID é muito mais caro que uma tag de código de barras, então, isso encareceria demais o custo de produtos que são baratos por natureza…
        De qq. forma, dúvido que já não existam uns 3294082348 TCCs nas faculdades de engenharia que usam RFID! hehe

  • Maria da Graça

    É linux, por isso que já vem com defeito.

  • martins

    bom ! ao menos mesmo sendo linux alguém se atreveu a inventar algo muito bom q com o passar do tempo possa ser melhorado,parabéns a turma da profusion e da eletrolux de curitiba por uma grande inovação e tecnologia …eu não os critico e sim quero que vcs melhorem a cada dia inovando sempre …..fui

  • Leon

    Muito interessante a geladeira com painel touch, mas como fica o consumo de energia do aparelho?

    • Fabio

      Barato não fica. Hoje em dia tudo fica ligado (em stand by), situação em que o consumo é muito pequeno. O problema é que um consumo pequeno aqui, outro ali e no final do mês vem a surpresa. Multiplique os mínimos Watts por horas/dias e vai ver o tamanho do rombo na conta. Mas isso não deve ser preocupação para quem está interessado numa dessas. Todos nós pagaremos a conta no futuro.

  • Estive Jobs

    Gostei do tablet! Compraria se não viesse com uma geladeira acoplada.

  • Marcos

    Sugestões para evolução do produto:
    Motivação: Pode ser cansativo ler as receitas em frente ao refrigerador. Além disso quem está preparando uma receita não fica de frente para a geladeira e sim em frente a uma mesa ou pia.

    Proposta: Colocar um dispositivo (CPU + terminal touchscreen) que possa ser destacado da geladeira.
    (possuindo sua bateria própria).
    2 – Evolução: Desacoplar completamente o dispositivo da geladeira: A pessoa poderia ler as receitas, ver as fotos, os contatos em qualquer lugar da casa, na sala, no quarto, no banheiro.

    Chegaríamos a solução já dada pelo Nerdson: geladeira + iPad!
    Não vi vantagem nenhuma neste dispositivo preso a geladeira: encarece o produto e não melhora nenhuma funcionalidade específica da geladeira.

  • Isabel

    Afinal depois de tantos comentarios, alguem saberia me dizer se ela funciona?
    Ou e mais um daqueles eletrodomesticos que está em teste.
    E se der defeito e nos que pagamos por ele.

    • Zelia Correa

      Boa tarde. Isabel, eu estou pesquisando fiquei enteressada na compra desta geladeira, mas por acaso eu entrei no site reclame aqui e li uma tremenda bronca falando muito mal deste produto, principalmente na área de assistência ao cliente veja se voce consegue localizar a reclamação e pense antes de adquirir eu também vou pensar

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  • MARIANA

    MAGNIFICA ESSA GELADEIRA.. MUITO BEM DIVIDIDA E ESSA TECNOLOGIA O MÁXIMO..

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