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Depois do multicore, núcleos assimétricos?

montalvo_logo.jpgA CNet publicou ontem uma curiosa história sobre uma nova startup chamada Montalvo Systems, que se define como uma empresa de semicondutores do tipo fabless (sem fábrica, como a VIA e a NVidia) localizada em Santa Clara, mesma cidade-sede da Intel.

Assim como outras companhias no passado que já tentaram dar uma mordida no mercado de chips x86, fala-se que a proposta da nova empresa é de entrar de sola nesse mercado com uma idéia no mí­nimo interessante: em vez de montar chips com núcleos “simétricos”, ou seja, processadores idênticos na mesma pastilha de silí­cio, a empresa pretende combinar diferentes núcleos de maior ou menor desempenho no mesmo circuito, resultando assim em um chip que pode direcionar as cargas de trabalho para os núcleos mais ou menos velozes de acordo com a demanda, podendo economizar muita energia nesse processo.

Essa abordagem “assimétrica” já foi usada com sucesso pela IBM/Sony/Toshiba no processador Cell BE, que combina um chip Power PC tradicional de 64 bits (também chamado de PPE – Power Processor Element) com oito novos núcleos independentes batizados de SPE (Synergistic Processor Element), que podem ser programados de maneira independente para realizar tarefas especializadas, como processar gráficos em 3D ou ví­deos.

Por enquanto, a empresa se mantém silenciosa sobre seus planos, mas ela já conta com o apoio de várias empresas de capital de risco e de vários figurões do Vale do Silí­cio – vindos de empresas como NexGen, Transmeta e até da Intel – que já fazem parte da sua diretoria.

Essa história me lembra um pouco a epopéia da Transmeta, uma empresa que começou do mesmo jeito – meio na moita – e quando resolveu fazer barulho, cantou de galo dizendo que iria produzir um revolucionário chip x86 com ótimo desempenho, baixo consumo de energia e muito mais barato que a concorrência – o Crusoe. Na época, a Transmeta também contava com alguns figurões na sua diretoria, entre eles Linus Torvalds – o pai do Linux.

Até onde me lembro, o pulo do gato da microarquitetura Crusoe estava na capacidade de realizar boa parte das instruções de máquina por software, permitindo assim que o chip em si fosse mais simples e mais barato de ser produzido, com a vantagem adicional de poder implementar novos recursos apenas modificando seu software básico.

No final das contas, o pessoal de Santa Clara vai bem, obrigado, dominando o mercado de chips x86. E a Transmeta continua meio na moita, com o mordedor meio dolorido.

Ah sim, Torvalds saiu da firma em 2003 e o atual CEO da Montalvo é Matt Perry que, por sinal, também trabalhou na Transmeta.

Arrã… então tá bom né? ;^)

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Montalvo é também o nome de um bom ilustrador brasileiro.