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Corrente contínua direto da tomada de casa?

Panasonic_ACDC_Hybrid_Wiring_System

Durante a última CEATEC 2009 no Japão, a Panasonic apresentou uma iniciativa de eletrificação doméstica baseada num sistema híbrido que distribuiria tanto corrente contínua quanto alternada diretamente de tomadas na parede.

(Lá no céu dos inventores, Thomas Edson deve estar tirando uma do Tesla.)

Apesar de o sistema de Corrente Alternada (CA) oferecer grandes vantagens na distribuição de energia a grandes distâncias, ela funcionava muito bem na época em que foi concebida por Nikola Tesla no final do século 19, num mundo mais tocado por motores elétricos e lâmpadas incandescentes.

Já nos dias de hoje, com a popularização dos eletrônicos de consumo, praticamente todos eles trabalham com a boa e velha Corrente Contínua (CC), o que exige o uso de transformadores/conversores para CC (como o carregador do celular e do notebook) que perdem bastante energia nesse processo, o que não soa lá muito bem numa época de produtos verdes.

Segundo a Panasonic, com a entrada de novos sistemas de geração de energia para casas e prédios como coletores solares, baterias de armazenamento  e até mesmo células de energia domésticos (obviamente fabricados pela Panasonic) que já geram corrente contínua, torna-se interessante a possibilidade de distribui e consumir esse tipo de eletricidade diretamente da tomada.

Para viabilizar essa idéia a Panasonic propõe novas idéias como a iniciativa “AC/DC Hybrid Wiring System” desenvolvida pela sua divisão Panasonic Electric Works, que permite transmitir CC e AC pela mesma fiação da casa e propõe até o uso de um novo tipo de tomada de menor voltagem (24 ou 48 volts). A grande sacada desse sistema é que a CA ainda poderia ser usada em equipamentos de maior porte como geladeiras ou condicionadores de ar. Para mais informações sobre as iniciativas verdes do pessoal de Osaka clique aqui.

Em 1997 a Intel chegou a mostrar no IDF, uma iniciativa semelhante batizada de Direct DC que defendia a idéia de alimentar servidores diretamente com corrente contínua evitando que cada servidor tenha que ter sua própria fonte. Numa demonstração realizada na época, permitiu economias de até 14% no consumo de um rack de servidores em watts, o que deve ter soado como música nos ouvidos dos administradores de datacenters.

Outras empresas como TDK e Sharp também mostraram algumas soluções de geração de corrente alternada para uso doméstico, porém mais voltados para coleta de energia solar e armazenamento em baterias de íons de lítio.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Rapaz! Coisa boa. Mas vendo só pelo lado “ruim”, nesse nosso brasilzão em que ainda temos problemas de certas cidades com voltagem somente em 220v, em que numa mudança você tenha que vender velhos e comprar novos eletrodomésticos (eu passei por isso a um mês), ou então usar transformadores (que também custam caro), imagine padronizar as tomadas (coisa que ainda vai demorar pra troca de todo o legado), e ainda colocar mais tomadas … o que vai ter de gente queimando aparelhos eheheheheh

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  • Cabelo (Luciano Silveira)

    Sacada interessante.

    Poderia ser a deixa pra desenvolverem um padrão de conectores elétricos que fossem mais inteligentes, como diferenciação pelo tipo de corrente e tensão pela pinagem e que fossem adotados mundialmente.

  • Oi Luciano,

    Nos meus papos com o pessoal de energia elétrica, a não ser que esteja enganado, o Brasil é um dos poucos países (se não for o único) a trabalhar com duas voltagens de tomada (127~220V)e ao mesmo tempo.

    E isso sem falar que em algumas cidades da região Sul (perto da fronteira com nuestros hermanos) a rede eletrica é de 50 Hz.

    Meio que na surdina, o mercado está mudando para o novo padrão de tomada nacional, mas até onde me lembre ele diferencia tomadas de alta e baixa potência, mas não sei se isso está relacionado com a rede elétrica de 220V.

    Já falamos sobre isso em alguns posts passados:

    http://zumo.com.br/2009/07/01/tomada-nacionalista-flerta-o-consumidor/

    http://zumo.com.br/2008/07/27/sabe-onde-enfiar-isso/

    [ ]s

    M.

  • Luciano

    Seria interessante utilizando fontes alternativas de energia como as propostas pela TDK e Sharp aí sim poderiamos ter tomadas com voltagens diferentes.
    Já utilizar corrente continua da própia rede elétrica exige um grande circuito retificador e uma boa isolação (para evitar choques elétricos), o que por si própio já consumiria energia, ou seja, os eletrônicos poderiam até consumir menos, mas o sistema de conversão consumiria boa parte dessa economia.

  • Cássio Sant’Ana

    Respondendo ao Mario Nagano:

    A tomada padrão brasileiro foi normalizada pela ABNT em 2002 e depois disso estabelecido um prazo para que os fabricantes produzissem e certificassem pelo Inmetro seus produtos. Foi estabelecido também um cronograma para que os equipamentos já saíssem de fábrica com esta tomada. Em revistas especializadas no ramo de eletricidade já se fala desta tomada há bastante tempo. Claro que em toda migração há perdas como substituição dos pluges dos equipamentos existentes.
    As tomadas são fabricadas para dar segurança a maior tensão (chamamos isto de isolação) em uso, no caso 220V. A diferença está na potência, para 10A os pinos são mais finos evitando assim que equipamentos de maior potência como fornos e ferros elétricos que usam o plug de 20A, com pinos mais grossos, causem danos a instalação.

    Vale frisar que toda norma ABNT é elaborada com a participação dos interessados (fabricantes) e amplamente discutido por técnicos e engenheiro até ser oficializada.

  • José Carlos

    Há uma razão bastante clara para que se utilize corrente alternada para longas distancias e não corrente continua
    A formula é “Tensão=corrente eletrica x resistencia” ou E=RxI.

    Ocorre contudo que quanto maior a corrente eletrica, maior a perda por efeito joule; então fios muito longos esquentam e desperdiçam potencia elétrica em forma de calor.

    Exemplo:

    11000 volts=1 amper x 11000 ohm ( resistencia de um cabo de 100km)

    ou seja: se eu usar uma tensão alternada bem alta eu posso usar uma corrente bem baixa ( pouca perda por efeito joule ) por longas distancias e quando chegar na residencia eu uso um transformador para baixar esta tensão.

    Em resumo, para manter a equação balanceada e tendo o valor fixo da resistencia ( distancia dos fios da hidroeletrica até sua casa ) só posso mexer na voltagem ( ou tensão ) e na amperagem.

    para manter a amperagem o mais baixa possivel ( pouca perda por por calor ) só me resta aumentar o maximo possivel a tensão.

    A corrente alternada me permite aumentar e diminuir a voltagem sem alterar o resultado da equação.

    Espero ter conseguido explicar.

  • angelico

    A Usina Itaipu possui linhas de transmissão em CC também.

    “Subestação Foz do Iguaçu: O pátio de corrente contínua (CCAT), que recebe a energia em 50 Hz. Devido à incompatibilidade entre as freqüências, e as vantagens da transmissão em grandes distâncias, a energia é convertida através de circuitos retificadores para ±600 kV e transmitida por duas linhas até Ibiúna (SP)”
    Fonte:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Itaipu

  • Oi José Carlos,

    Sim, sua observação sobre as vantagens da CA na distribuição de energia a grandes distâncias está super correta e graças a Deus que, nesse caso, a melhor idéia prevaleceu sobre os interesses econômicos — entenda-se Thomas Edson — que chegoui a eletrocutar cães em eventos públicos para demonstrar os perigos da corrente alternada.

    A grande sacada do pessoal da Panasonic é que com essas novas propostas de produção e armazenamento de energia em casa por meio de painéis solares e células de combustível movidas a hidrogênio, o uso de corrente contínua in natura começa a ter sentido.

    [ ]s

    M.