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Com OM-D E-M5, Olympus lança primeira Micro Four Thirds para profissionais

Pelo visto está aberta a temporada de lançamento de câmeras no Japão: depois da exótica Pentax K-01 e da impressionante Nikon D800, agora é a vez da Olympus anunciar sua nova câmera —  a OM-D modelo E-M5:

De um certo modo, a E-M5 vem para atender o segmento de fotógrafos profissionais que até hoje eram alvos da linha Four Thirds da Série E que hoje vive praticamente de um modelo— a Olympus E-5—, já que a E-30 e a E-620 praticamente  já sumiram do mercado.

E isso pode ser a pá de cal que faltava para a Olympus sepultar de vez (ou pelo menos jogar para mais fundo do freezer) o seu padrão Four Thirds, concentrando assim todos os seus esforços (principalmente agora nesses tempos de crise) na sua bem sucedida linha de câmeras sem espelho. Segmento, por sinal, que ela domina seguida de perto pela Panasonic e Sony.

E a exemplo do que ela já tinha feito com a linha Pen D, essa câmera faz parte de uma nova família de câmeras batizada de OM-D (OM Digital), que é de um certo modo uma homenagem a sua consagrada linha de câmeras OM da década de 70~80 e que na época, se destacou da concorrência graças ao seu desenho leve e compacto, visor amplo, mecanismo preciso e suave, óptica sublime, além de adotar diversas soluções de design pouco usuais porém igualmente elegantes.


Sua tela traseira de 3″ e do tipo  OLED e que pode ser rebatida tanto para cima quanto para baixo. Como nas Pen E-P3 essa tela é sensível ao toque, permitindo assim executar algumas operações como focar numa parte da cena, bater uma foto ou rever as imagens.

Note que a EM-5 não vem com flash embutido (boo!), mas para compensar isso ela já vem acompanhada de um mini-flash FL-LM2 que como nas Pen E-PL3/E-PM1 retira sua energia da bateria da câmera via porta AP2.

 

Fora isso, a EM-5 é a primeira Micro Four Thirds a vir com um corpo de liga de magnésio totalmente selada, tecnologia usada hoje apenas na sua  Olympus E-5 topo de linha:

Isso torna essa câmera especialmente resistente à contaminação de pó e respingos d’água o que pode ser particularmente interessante para entusiastas mais aventureiros, trabalhos de campo e fotógrafos profissionais.

O que não fica muito claro nessas imagens é o tamanho dessa câmera (12,2 x 8,9 x 4,3 cm — LxAxP) e 425 gramas de peso (só o corpo) o que faz dessa câmera incrivelmente compacta graças ao uso da baioneta Micro Four Thirdsmesmo com alguns adicionais instalados como o seu grip vertical:

Tecnicamente, falando a OM-5 vem equipado com um novo sensor Live MOS de 16.1 MP (aparentemente a mesma usada nas novas Lumix como a DMC-G3) capaz de gerar imagens de até 4.608 x 3.456 pixels com processador de imagem TruePic VI, visor eletrônico de 120 Hz, novo sistema de foco de alta velocidade (FAST AF) com acompanhamento de foco em 3D e capacidade de bater até 9 fotos por segundo.

Sua sensibilidade ISO vai de 200 a 25.600 e a câmera pode gravar clipes de vídeo em 1080i ou 720p no formato MOV (MPEG-4 AVC/H.264) a 60 quadros por segundo. Fora isso a Olympus implementou novos filtros artísticos chamados “Key Line”, “Cross Process II” e “Dramatic Tone II” e dois novos efeitos de eco.

Fora isso, muitas das suas novidades não estão à vista e sim escondidas no seu interior da câmera.

Para mim, uma das mais interessantes é o seu novo sistema de estabilização de imagem de cinco eixos. Como muitos já sabem, ao contrário da Canon, Nikon e Panasonic a Olympus adota um sistema de estabilização do tipo sensor-shift que girava o sensor de imagem tanto na vertical (Pitch) e horizontal (Yaw) para compensar trepidações na imagem.

Já o novo sistema de cinco eixos é capaz de movimentar o sensor também na vertical (Vertical Translation motion) e horizontal (Horizontal Translation motion) além de girá-lo apenas no sentido horário e anti-horário (rolling). Segundo a Olympus, no sistema anterior, o sistema de estabilização só compensava dois tipos de movimentos da câmera, agora ele corrige praticamente todos. Assim, a fabricante afirma que a EM-5 seria capaz de capturar imagens e até vídeos em HD sem trepidação mesmo com o usuário andando ou correndo com a câmera.

 

Com relação aos acessórios, a E-M5 contará com um novo flash FL-600R equipado com iluminador a LED para filmagens…

…e um curioso Grip HDL-6 que, ao contrário dos seus antecessores, é formado por duas partes, um vertical que serve apenas para melhorar a empunhadura da câmera e outro horizontal que, além de replicar os botões de disparo (facilitando assim segurar a câmera na vertical e tirar fotos de retrato) pode aceitar uma segunda bateria que se soma a que fica instalada na câmera, aumentado assim a sua autonomia.

Outro acessório especialmente criado para a linha OM-D é seu adaptador de lentes Four Thirds para Micro Four Thirds MMF-3 cuja única diferença para o modelo da Pen E é o fato dele também ter proteção extra contra água e pó.  E como chutei (e acertei!) no mês passado, a lente padrão recomendada para a EM-1 será a nova M.ZUIKO DIGITAL ED 12-50mm F3.5-6.3 EZ  por esse mesmo motivo. Como segunda opção (mais em conta) ela sugere a M.ZUIKO DIGITAL 14-42 mm f3.5-5.6 II R, a mesma que acompanha as novas Pen E.

Além disso, a Olympus já anunciou o lançamento ainda neste ano de duas novas lentes a M.ZUIKO DIGITAL ED 75mm/f1.8 e a M.ZUIKO DIGITAL ED 60mm/f2.8 Macro.

ZTOP in a Box:

O curioso é que ao analisar a foto acima, tenho a impressão de que essas novas lentes aparecem misturadas com as outras Micro Four Thirds de linha. Assim, o meu palpite é:

(1) — M.ZUIKO DIGITAL ED 12-50mm/f3.5-6.3 EZ 

(2) — M.ZUIKO DIGITAL ED 12-50mm/f3.5-6.3 EZ  Prata (uia!)

(3) — M.ZUIKO DIGITAL ED 75mm/f1.8

(4) — M.ZUIKO DIGITAL ED 60mm/f2.8 Macro

Vale a pena observar que a E-M5 é compatível com todas as lentes Micro Four Thirds e a maioria dos acessórios criados para a linha Pen Digital, incluindo aqueles que utilizam a porta de comunicação AP2 (Accessory Port 2), localizada logo abaixo da sapata de flash.

A previsão é que a E-M5 chegue ao mercado americano em abril com os seguintes preços sugeridos:

Apenas o corpo (preto ou prata) — U$ 1.000

Kit com corpo (preto ou prata) + lente M.ZUIKO Digital ED 12-50 mm f3.5-6.3 EZ —  US$ 1.300

Kit com corpo (apenas preto) + lente M.ZUIKO DIGITAL 14-42 mm f3.5-5.6 II R — US$ 1.100

Se levarmos em consideração que a Olympus E-P3 com a mesma 14-42 mm básica sai na Amazon na faixa de US$ 900 (ou US$ 1.114 se comprarmos o visor EVF a parte), o preço da E-M5 não me parece de todo ruim. De fato me parece ser um excelente negócio para aqueles que estavam namorando a E-P3 (ou mesmo uma E-5 de US$ 1.700), principalmente se levarmos em consideração o novo sensor de 16 MP, acabamento e visor EVF incluso.

Já sei o que vou querer depois que minha E-30 for pro saco. 🙂

Mais informações aqui. E para quem se interessar, o sistema já está em pré-venda no Amazon.com

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Luiz

    As lentes da GF1 (Panasonic) servem nesta nova camera?

    • mnagano

      Sim, na teoria todas lentes da Panasonic (incluindo aquelas com a marca Leica com anel de abertura) podem ser usadas nas Olympus e vice versa.

      Mas para que isso ocorra sem problemas, dois cuidados devem ser tomados:

      Primeiro — Caso a lente da Pana tenha aquele recurso de OIS (estabilização de imagem), esta tem que ser desligada para que ela não brigue com o sistema de estabilização do corpo da Olympus.

      Segundo — Mantenha o firmware do corpo e das lentes sempre atualizado. Na maioria dos casos, essas correções estão relacionadas com a melhora no desempenho do sistema ou solucionar algum problema de compatibilidade.

      • Luiz

        Obrigado! É que depois de investir em lentes ficamos "amarrados" à marca e nem sempre podemos atualizar a câmera, por isso a dúvida.

        • mnagano

          Para mim, um dos grandes baratos de ter uma Micro Four Thirds é o fato dela aceitar adaptadores de lentes manuais de praticamente todas as marcas do passado como Nikon F, Canon FD, Pentax K, Rosca Universal, Olympus OM, Exakta, Leica LTM e M, T Mount, Pentax 110, Deckel e até Zeiss Contarex:

          http://www.fotodiox.com/index.php?cPath=21_101&am

          Esses adaptadores são relativamente baratos (US$ 25 ~ US$ 50) e a GF1 possui até um ajuste interno (FOTO SEM LENTE) que faz com que a câmera não estranhe o fato dela estar funcionando sem uma lente se comunicando com o corpo.

          Obviamente, usar essas lentes antigas não é um procedimento rápido, já que você precisa focar manualmente usando a tela LCD (que até possui um recurso de ampliar a área central da imagem para facilitar essa tarefa), fechar o diafragma e bater a foto.

          De qualquer modo, o prazer de trazer essas antigas lentes para a vida e ver o que elas ainda são capazes de fazer muitas vezes vale o esforço.

  • Caramba, o texto ficou ótimo! Fiquei curioso com o lance do estabilizador:

    "[…] a EM-5 seria capaz de capturar imagens e até vídeos em HD sem trepidação mesmo com o usuário andando ou correndo com a câmera."

    Essa aí eu quero ver 😛