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Com 1,3 mi de brasileiros online, Facebook quer desenvolvedores locais

Mark Zuckerberg

E o menino Mark Zuckerberg chegou ontem ao Brasil, mercado estratégico para seu Facebook, agora com 1,3 milhão de usuários cadastrados. De jeans e camiseta, o fundador da rede social defende a idéia do Campo dos Sonhos: construa e eles virão.

Se o Facebook fizer sua lição de casa e criar uma plataforma bonitinha, organizada e do jeito que o usuário gosta, mais gente vai usar o Facebook. Para tanto, o tour neurótico do criador do Facebook por São Paulo (maratona com mídia, desenvolvedores, parceiros) tem seus motivos: o Brasil importa. Não ainda a ponto de ter um escritório aqui em São Paulo, mas importa.

Zuckerberg está aqui para divulgar uma iniciativa voltada a desenvolvedores locais chamada de Developer Garage Brasil um prêmio em dólares chamado Desafio Facebook (fato curioso: o único brasileiro que trabalha no Facebook, Rodrigo Schmidt, é engenheiro de software – e também faz parte do entourage de Zuckerberg em São Paulo). Isso ocorre amanhã durante o evento de mesmo nome aqui em São Paulo (são 200 vagas, está esgotado e a organização mandou uma mensagem, via Facebook, dizendo que quem chegar primeiro entra. Se atrasar, já era, numa atitude que vai gerar barulho, mas deixa pra lá).

Outra missão de Zuckerberg é anunciar a primeira parceria do Facebook com um grande portal da América Latina (Terra) no uso da ferramenta Facebook Connect. Desse modo, quem ler uma notícia no Terra vai poder comentar tanto no site quanto na rede social. Vale inicialmente para os canais de TV e Gente. A visita da turma do Facebook também é “técnica”, segundo apurou este Zumo. Já está no ar, por sinal:

terra

Não é o primeiro passo do Terra com o Facebook – o projeto TBox terá elementos do Facebook também. De qualquer modo, usar Facebook Connect é meio padrão lá fora (veja as listas enormes do AllFacebook e do Wiki do Facebook)

Mas voltando ao conceito de “construa e eles virão”: Zuckerberg repetiu, mais de uma vez, que a missão do Facebook é “manter as pessoas conectadas, focar em criar um bom produto”. “É uma plataforma que todo mundo pode usar, em um ambiente seguro e provado”. Deu a entender que seu mantra, na verdade, é de que olha, aqui as pessoas, as coisas, as conexões são sempre reais – “Se você marca alguém numa imagem, é uma pessoa real. No Twitter, Orkut, Hi5, você não tem muito como compartilhar informação real”, comenta.

Zuckerberg na contra-luz

“O Twitter ainda é diferente, é um meio de transmissão de informações em alto volume, não é lugar para fazer amigos. É diferente compartilhar informação no Twitter e no Facebook”, acredita.”Numa dessas, o Twitter está mais para os blogs”. A questão da privacidade é importante (ei, tem gente colocando e tirando informação dali o tempo todo).

E, finalmente, o Brasil-sil-sil. Schmidt faz questão de falar que o “Distribua Mágoas” é um dos aplicativos locais mais usados, junto aos de ‘quiz’ e de presentes. Zuckerberg acredita que o “ambiente” ajuda no sucesso de um aplicativo, citando o exemplo da Turquia, que tem um aplicativo bastante popular de… disputa por bebidas (!) e que acabou disseminando o Facebook naquele país.

“Mais interessante é ver a similaridade de um lugar para outro, com uso central de compartilhamento de informações e ficar conectado com amigos e família – isso é igual no mundo todo. Compartilhar informação é universal, independente da idade, idioma ou local”, conta o CEO.

Zuckerberg também entende que as pessoas querem compartilhar cada vez mais informação no Facebook de maneira pública. “Cinco anos atrás ninguém queria, tinha medo. Hoje é mais aberto”, afirma. Talvez isso faça mais gente – os 35 milhões de usuários do Orkut no Brasil – migrarem, ainda que aos poucos, para o Facebook. Como bem lembrou o Manoel, do Tecnocracia, brasileiro gosta mesmo é mesmo é de fuçar na vida dos outros, e tem coisa melhor que o Orkut para fazer isso?

TRIVIA

Rodrigo Schmidt, engenheiro de software do Facebook (tem quase 1 ano de casa já), fez um comentário pertinente sobre a tradução do Facebook pelo mundo. É um processo feito pelos usuários, que escolhem os melhores termos que se adequam à cultura local. Então, o ato de fazer um “poke” em alguém se transformou em “tocar” em Portugal e “cutucar” no Brasil. Só aqui mesmo você “cutuca” alguém online…

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

  • Ismael

    “Desse modo, quem ler uma notícia no Terra vai poder comentar tanto no site quanto na rede social.”

    Ai ai ai. Alguém já viu aí os comentários que costumam aparecer no Terra?

    Não tem moderação, ao menos assim parece. Os comentários lá fazem o Orkut parecer um templo do saber, algo formal e cisudo.

    Não precisam acreditar, confiram. Acho que nem poderia colar exemplos aqui sem ser censurado. 🙂

  • @ismael comentários, em geral, são baixo nível. ainda bem que os leitores deste Zumo têm cérebro! vai pro YouTube ver o que é “Templo do Saber” 😛

  • Concordo com o comentário do Ismael, os comentários do Terra são bizarros.

  • Nei Claudif Lima Gattuso

    Falar a verdade,a interface do facebook é horrível!tenho um perfil lá,mas se acessei 10 vezes em 1 ano é foi muito.Ainda prefiro o orkut,maiis simplificado as ferramentas lá e a interface é a cara do brasileiro.

  • Lucas Jardim

    O Orkut, no começo também era tosco.. com o tempo e que foi melhorando, depois que o Google Brasil assumiu as operações do Orkut.

    Com o Facebook acredito que vai ser assim também, logo logo vai ter um escritório aqui no Brasil. E outra, acredito seriamente que ele vai ser vendido para uma grande multinacional de internet!

  • A tendência é que o Facebook alcance o Orkut em breve aqui no Brasil. É interessante que eles estejam atentos ao crescimento e principalmente comecem a vislumbrar as oportunidades de parcerias com empresas brasileiras.
    Abraços

  • Ismael

    Duvido que o Facebook fique tão popular no Brasil quanto o orkut.

    Só se tivesse algum diferencial importante. E importante para quem usa, povão, não desenvolvedor.

    Fora uma questão subjetiva. “Orkut” é um nome tão estranho que acabou virando facilmente sinônimo de rede social aqui. “Facebook” acho que vai ser sempre o outro, com nome pomposo.

    Isso aos olhos da massa orkútica.

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  • Adalberto “Mania”

    A M$ pagou U$240 milhões por 1,6% do Facebook. Antes que você possa raciocinar: não, o Facebook não valia U$15 bilhões. Bom, a Microsoft jogou dinheiro fora, digo no facebook, a quase dois anos atrás e o facebook não se tornou nenhum craque, não foi artilheiro e tão pouco foi para um clube da europa.
    Penso que o facebook demorou demais para chegar ao Brasil, Brasil este já dominado pelo orkut. Sem dúvida há espaço para outras redes sociais, mas ‘A’ rede social do brasileiro é mesmo o orkut, resta ao facebook pegar uma corzinha mais verde-amarela e juntar as migalhas do bolo.