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Celular velho vai para a gaveta, não para reciclagem

Todos os cachorros merecem o céu, mas nem todo celular vai para reciclagem. É o que diz um estudo global da Nokia: só 3% dos aparelhos são destinados para reciclagem. O resto fica jogado na gaveta mesmo. (bem, eu repasso pro Nagano ou familiares mesmo, mas isso é outra história).

O estudo global foi feito com 6.500 pessoas em 13 paí­ses, incluindo o Brasil. Entre as conclusões está o fato de que 3 em 4 pessoas nem pensa que celular é algo que pode ser reciclado. E quase metade nem sabe que existe isso. Cada pessoa, em média, teve cinco aparelhos até hoje. 3% apenas afirmaram que reciclaram seu celular, 4% jogaram no lixo e 44% deixaram o telefone jogado num canto. Outros 25% deixaram o aparelho com parentes ou amigos e 16% venderam, fato mais marcante em paí­ses emergentes.

A pesquisa mostra também uma contradição na cabeça do consumidor: 72% sabem que reciclar é bom para o meio ambiente, mas 74% nem pensam em reciclar efetivamente seu celular. A culpa fica na falta de informação sobre o tema.

No Brasil, eu sempre vejo lojas de operadoras, alguns bancos e supermercados com campanhas de reciclagem de baterias, porém nunca de celular.  Ano passado, quando este Zumo esteve no Japão, eu vi a preocupação dos fabricantes de eletrônicos de consumo em reciclar seus produtos Fato curioso: a Nokia afirma que 80% de qualquer aparelho fabricado por ela pode ser reciclado.

Nagano comenta: Eu tenho uma teoria que o brasileiro ainda tem um grande respeito por produtos eletrônicos. Por aqui, se você joga fora uma TV funcionando chamam você de doido, mas muita gente ao está nem ai com a quantidade de comida ainda boa que vai pro lixo. Acredito que essa sensação de “desperdí­cio” também existe com os celulares que ainda funcionam.

Assim eu acho que, por aqui, as pessoas estariam mais propensas a doar seus celulares para reutilização (como o Henrique faz com os editores de testes mais necessitados) do que simplesmente entregar o produto para ser “quebrado” e desmontado, por mais ecologicamente correto que isso seja.

Taí­ uma idéia interessante para as operadoras ou mesmo alguma ONG.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

  • Sniffer

    Isso sem falar na quantidade imensa de ouro, prata, chumbo, alumínio, etc. que as companhias de reciclagem conseguem tirar de produtos eletrônicos. Seria um erro pensarmos que elas fazem isso porque se preocupam com o meio ambiente: fazem isso porque dá lucro. E muito.

    Se se mudasse o foco de “recicle e preserve a natureza” para “venda para reciclagem por R$ 3,00”, certamente as estatísticas mudariam de maneira assustadora.

    Esse papinho de “preserve a natureza” não está com nada: todo mundo só quer saber de lucro (financeiro mesmo).

    Interessante o tópico. Tenho gostado muito desse blog.

  • Robinson

    Discordo em parte do Sniffer. O discurso de preservação da natureza – mais especificamente, do consumo responsável de recursos naturais – pode ser mal entendido pelos mais velhos que acham que o mundo é como é, e ponto. Mas isso não é verdade, e o mundo tende a mudar mais uma vez. Muitas crianças de todas as séries já percebem, nas escolas, o consumo responsável como um valor a ser cultivado. A humanidade é assim, vive do culto a valores que, no íntimo, só existem dentro das nossas cabeças – e o acúmulo de dinheiro também é um deles. Quanto aos celulares, só entreguei um até agora para reciclagem – foi um Ericsson TDMA, comprado em 1998 e deixado numa loja Vivo. Todos os outros eram CDMA e continuam em funcionamento, nas mãos de parentes e amigos. De novo, repito: uma coisa é o mundo que você vê; outra, bem diferente, é sua atitude diante desse mundo.

  • Como fazer para reciclar o celular? Posso ganhar dinheiro pelo celular velho que eu devolver?

  • Ana

    Concordo com Sniffer,
    pois o Brasil é “campeão” mundial em reciclagem de alumínio apenas porque catadores e “empresas” de ferro velho lucram… não porque preservam a natureza.

    Robin,
    a quantidade de lixo reciclável que tem real aproveitamento no Brasil ainda é mínima! Há escolas que usam latões de reciclagem para “educar”, mas despejam o conteúdo (menos o alumínio – rsrsrs) em lixo comum… isso porque não há mtas empresas sérias que recolhem o material e, por isso, fica inviável armazenar o lixo na própria escola…

  • Sniffer

    @Robinson, eu concordo com você, acho que isso é que é o certo. Mas o que eu quis dizer é que esse discurso, na prática, não funciona. Dinheiro funciona. Todo mundo gosta de dinheiro, até mesmo aqueles que não gostam (ou não ligam) da natureza.

    @Ana está certa também, porque o custo da reciclagem, digo da coleta para reciclagem, ainda é muito alto. Se prefere aqui no Brasil, investir em centros de triagem, onde os antigos catadores do lixão ficam catando e separando manualmente o lixo em esteiras.

    Essa é a reciclagem que temos e, sinceramente, acho que é essa mesmo que merecemos.

    Meu D’us, com tanto país no mundo, por que eu tinha de nascer justamente nesse? :-)))

  • Sniffer

    @Helen, ganhar dinheiro com isso, aqui no Brasil, não.