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Casio traz calculadoras ClassWiz voltadas para o ensino médio e superior

Lançamento também inclui proposta pedagógica para melhorar o ensino de matemática nas escolas públicas no Brasil.

A Casio do Brasil anunciou ontem (19/jan) a chegada no País da sua linha de calculadoras científicas ClassWiz especificamente voltadas para uso em escolas e faculdades.

A primeira delas é a fx-991LA X (R$ 199), o modelo mais sofisticado e poderoso da linha, indicado para estudantes universitários:

Ela traz diversas melhorias como um  processador mais veloz (quatro vezes mais que seu antecessor), alimentação solar + bateria de lítio LR-44, tela LCD de alta resolução (192 × 63 pontos) que proporciona a apresentação de textos, números e ícones gráficos de maneira mais clara e confortável…

… e isso sem falar nos textos que nesse modelo está totalmente traduzido para o português brasileiro:

Apesar disso, o usuário tem a opção de mudar o idioma para inglês ou espanhol:

Ela também possui a função CALC e SOLVE, faz operações lógicas (AND, OR, NOT, XOR, etc.), trabalha com diferentes bases numéricas (binário, octal, hexadecimal), faz cálculo diferencial e integral, entre outras 552 funções pré-programadas. Fora isso a fx-991LA X incorpora um novo modo “planilha eletrônica” (45 linhas x 5 colunas) que costuma ajuda a organizar as idéias na forma de tabelas e até aceita fórmulas e algumas funções básicas como SUM, MIN, MAX, Mean…

… e até um curioso modo onde o estudante converte uma fórmula matemática num QR Code que pode assim ser transferido para uma app de smartphone para ser analisada tanto forma tanto numérica quanto gráfica:

Já a segundo modelo é o fx-82LA X-BK (R$ 99) uma versão mais de entrada (também disponível nas cores azul (fx-82LA X-BU) e rosa (fx-82LA X-PK)) que vem equipada com menos recursos, o que neste caso não é exatamente um demérito já que, como ela é voltada para o ensino médio, a maioria das “ausências” estão mais relacionadas com matérias/assuntos que o aluno só irá aprender na faculdade. Com isso, a Casio conseguiu baixar o seu preço sugerido em quase 50% se comparado com a fx-991LA X  tornando-o mais acessível para um público bem mais amplo:

E quais seriam esses recursos a menos? Segue abaixo uma tabela resumida que compara a fx-991LA X, a fx-82LA X e a fx-82MS, um modelo muito popular no Brasil:

Já uma tabela ainda mais detalhada (sem a fx-82MS) pode ser conferida aqui.

Mais do que um simples lançamento de produto, com a chegada da linha ClassWiz a Casio do Brasil também manifestou seu desejo de ajudar a melhorar a educação da matemática no País por meio de uma iniciativa que ensina alunos e professores a tirarem o máximo proveito do uso das calculadoras nas salas de aula.

Para ilustrar essa iniciativa, o pessoal da Casio apresentou alguns resultados das provas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) de 2015 que foi cruzado com a estratégia de cada pais sobre o uso de calculadoras no seu currículo ou seja, os países em verde o uso é oficial, os em amarelo o uso é opcional e os em branco o uso não é regulamentado, no sentido que não existem regras claras e específicas de como utilizá-las de maneira adequada em salas de aula. Note que o Brasil se encaixa neste último grupo assim como ocupa uma desconfortável 65ª colocação no ranking do PISA atrás de vizinhos como Colômbia, Peru, Costa Rica e México.

Baseado nisso, a Casio do Brasil estabeleceu um plano de ação que engloba os seguintes objetivos:

  1. Criar parcerias com o Ministéio da Educação.
  2. Introduzir o uso de calculadoras no ensino médio.
  3. Oferecer suporte/capacitação aos professoras.
  4. Oferecer para o mercado produtos sob medida para atender à demanda de cada geografia.

De fato, a empresa até já realizou um teste piloto em parceria com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo onde as idéias acima foram colocadas em prática.

Segundo Leonardo Capuzzi coordenador de Marketing da divisão de calculadoras e educacional, o comprometimento da sua empresa com a educação não se reflete apenas nas forma de produtos, mas também em projetos. Assim a Casio firmou  parceria com a Secretaria de Educação onde seu grupo está desenvolvendo um projeto para o ensino médio de escolas públicas com objetivo de aumentar o pensamento matemático utilizando calculadoras como uma ferramenta de ensino e aprendizado:

E ao fim desse piloto, também foi feito uma pesquisa entre os alunos participantes para sentir as suas impressões, sendo que algumas delas foram apresentados no evento:

Vale a pena ressaltar que esse programa ainda está em andamento, sendo que a Casio ainda se reune com os órgãos do governo para definir os próximos passos desse trabalho.

Durante a sessão de perguntas e respostas, tivemos a oportunidade de questionar os representantes da Casio se, ao invés de usar uma calculadora, os alunos não poderiam usar algo mais moderno e conectado como um tablet ou mesmo um smartphone.

Para o pessoal da empresa — uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa — ou seja, os tablets e smartphones podem ser uma interessante ferramenta de exploração ao mesmo tempo que são uma infinita fonte de distração (jogos, músicas, vídeos, imagens, troca de mensagens, etc.) o que pode comprometer seriamente o processo de aprendizagem, principalmente na hora em que se exige um maior nível de foco/concentração na resolução de um problema.

Fora isso, o uso de dispositivos conectados são normalmente proibidos hora de fazer uma prova ou exame.

Sob esse ponto de vista, as calculadoras da Casio podem ser vistas na sua essência como uma ferramenta de produtividade para fazer análises, cálculos e só. Ele não não se comunica com outros aparelhos, não registra, envia, recebe ou armazena imagens ou textos (=cola?) o que significa que ele pode ser usado sem problemas mesmo em provas ou exames.

Fora isso, a Casio também deixa claro que a adoção das calculadoras não deve ocorrer nos primeiros anos da escola, já que o aluno deve saber primeiro saber como fazer contas com lápis e papel e usar a calculadora para ser mais ágil e eficiente na hora de resolver problemas mais complexos.

Outro detalhe interessante que surgiu durante essa troca de informações é que a ClassWiz não é exatamente a calculadora mais poderosa da empresa, já que o dono desse título seriam os modelos gráficos cuja faixa de preço está bem acima da fx-991LAX e da fx-82LAX. Isso de um certo modo enfatiza a estratégia da empresa de oferecer a melhor relação custo x benefício para o nosso mercado.

Finalmente, perguntamos se não seria uma boa idéia implementar algumas funções financeiras básicas nas ClassWiz como por exemplo, cálculos de porcentagem e em especial juros compostos (como o notório TVM da HP).

O pessoal da Casio disse que essa necessidade é atendida pelos modelos financeiros, mas reconhecem que dominar um pouco de matemática financeira é algo realmente útil, principalmente na nossa atual crise econômica, já que a muitas pessoas não tem a mínima idéia de quanto pagam de juros quando entram num financiamento, em especial num País como o nosso.

Mais informações podem ser encontradas no site internacional da empresa.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • ditom

    Extremamente pertinente perguntar sobre funções financeiras mas calculadoras.
    Mesmo tendo feito um curso de engenharia somente aprendi a usar as funções de uma calculadora financeira bem depois dos 40. Imagina quantas bobagens econômicas poderia ter evitado…
    Sou da opinião que matemática financeira tem de ser muito bem ensinada desde o ensino médio!

    • Mario Nagano

      Sim sim concordo contigo.

      De fato minha calculadora na época da faculdade foi uma HP 27S, um modelo da série Pioneer meio fora da curva porque ela era voltada para “gerentes técnicos” ou seja, engenheiros que viraram chefe e, por causa disso precisavam assumir algumas funções admistrativo financeiras:
      https://uploads.disquscdn.com/images/3151896ec6d67c48f57452cfe589202f06fd848dc58171508b5745f567e023ca.jpg

      Fora isso ela tinha agenda, cálculo de datas, tinha um Solver super intuitivo e pasmem — operava com sistema algébrico!

      http://blog.boyet.com/blog/blog/my-first-hp-calculator-hp-27s/

      Até onde sei, essa calculadora não fez sucesso porque o pessoal da área financeira achava ela muito técnica e o pessoal da engenharia muito “amadora” já que nem RPN ela era.

      E até onde sei, a 27S nunca teve um sucessor. :-/

  • Sou um aficionado por calculadora desde que vi a Sharp (com display verde) de meu pai (eng. Eletricista). Depois comprei uma Casio, até chegar na HP48G (doada a um primo, após o término da Eng. de Saneamento) e 50g (comprada no mestrado) – a 48g/gx é mais usada por ter mais programas desenvolvidos. Sendo que já lançaram a HP Prime (que tem quase o mesmo preço de uma 48g usada)

    As top de linha da Casio são a ClassPAd (CP400) e Prizm (CG20), enquanto lá fora, o top-of-mind é da Texas Instrument TI Nspire.

    Nossa educação ainda é muito retrógrada, onde o aluno precisa fazer muita coisa manual que poderia ser feita pela calculadora – deixando o raciocínio de lado e apenas decorando fórmulas.
    O mesmo vale para o cálculo de um projeto (hidro-sanitário, elétrico, estrutural, etc), é importante qu eo aluno entenda o conceito do projeto, de onde são as fórmulas e como interpretar os resultados – deixa a calculadora fazer o trabalho pesado.

  • Don Ratao

    Saudades da minha 11C

    • Mario Nagano

      Sim, era uma bela calculadora tipo “cavalo de batalha” da época.

      O curioso é que apesar dela ser na época, um modelo mainstream ela não aparece tanto no mercado de usados como a HP 15C, que era um modelo beem mais caro.

      E até por causa disso eu nunca consegui comprar uma 15C, mas nerd que sou já tenho uma 16C (yaaay!)

      https://www.instagram.com/p/tBrwQ2Mbnv/

      • meu colega da empresa tinha uma 15c.
        bateu o saudosimo (e o consumismo) e pagou caro por uma.

        • Mario Nagano

          Já faz algum tempo que a HP relançou uma edição limitada 15C que voou das lojas e que hoje é vendida a peso de ouro.

          O curioso é que essa nova 15C é baseada na HP-12C+ uma versão baseada num processador ARM que executa o microcódigo da 12C original via emulação de software. O firmware é carregado na calculadora por meio de um conector interno de desenho proprietário.

          https://uploads.disquscdn.com/images/aef8a686fd23e1866022fbb604d38f36520e0581f4b498248cea477bdb2d1b32.jpg

          Ai o que o pessoal da HP fez foi trocar o microcódigo da 12C pelo da 15C mudar o layout do teclado e ta-dah! — HP 15C Limited Edition.

          https://www.amazon.com/HP-15C-Limited-Scientific-Calculator/dp/B005EIG3MW

          O bizarro é que essa 15C enrustida foi vendida originalmente por US$ 99 e agora é vendida por especuladores pela bagatela de US$ 150~700!!!

          https://www.amazon.com/HP-15C-Limited-Scientific-Calculator/dp/B005EIG3MW

          Por esse preço fico imaginando por que a HP não lançou novos lotes dessa calculadora.

          • a Hp deve estar valorizando o produto com uma moratória, quando relançar, será a peso de ouro.

            eu estava entre comprar uma HP Prime (Pós 50g), mas como ela é incompatível com os programas já feitos (48g, 48g+, 48gx e 50g), estou muito propenso a catar uma48g no OLX.

  • Marcos Besse

    Ganhei uma Casio no ensino médio, presente de um tio japonês. Uma pena que as escolas não ensinem a usar uma calculadora científica. Era incrível, mas acabei por aposenta-la na época por não saber usar direito.