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Boot to Gecko: Brasil será 1o mercado para open source móvel

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O Brasil será o primeiro país a ter celulares rodando a plataforma open source Boot To Gecko, baseado em HTML 5, no mundo. O anúncio foi feito hoje em São Paulo pela Mozilla e pela Telefonica Digital, e os primeiros aparelhos serão lançados entre o final deste ano e o início de 2013.

As duas empresas anunciaram hoje uma parceria para desenvolver aplicativos HTML 5 que rodarão de forma nativa no celular, retomando o papo que começou em fevereiro, durante o Mobile World Congress. A ideia, de acordo com Gary Kovacs, CEO da Mozilla, “é tornar a web disponível para todos usuários no bolso deles”.

O Boot to Gecko, codinome do projeto da Mozilla, será a base para a plataforma usada em telefones (chamados de Open Web Devices) que rodarão aplicativos HTML5 de forma nativa. Na prática, é um sistema operacional leve e rápido baseado na web que dá a aparelhos básicos (featurephones) recursos de smartphones – mantra repetido por Kovacs (abaixo) várias vezes.

“É uma plataforma aberta para permitir controle completo dos aplicativos, parece muito com um browser, e os aplicativos são instalados do jeito que você espera. A diferença é que eles são criados com padrões da web, e teremos links e clicks entre apps, algo que já acontece na web hoje, mas não nos aplicativos de plataformas fechadas”, explica Kovacs.

O vídeo abaixo mostra uma demonstração do Boot to Gecko rodando em um protótipo:

Com o Brasil sendo o primeiro mercado, tanto Telefonica Digital (divisão de negócios da Telefônica) quanto Mozilla não dizem ainda quais fabricantes lançarão produtos com a plataforma.

Questionado se a iniciativa seria uma forma de as operadoras (no caso, a Vivo e seus 90 milhões de clientes) retomarem o controle dos aparelhos da mão dos fabricantes, Kovacs foi direto: “Bem, operadoras são empresas muito grandes, não?”.

Pablo Larrieux, diretor de inovação da Telefônica Vivo, disse que “espera que os primeiros aparelhos com Boot to Gecko serão vendidos por preço de featurephones hoje” e que, por ser uma plataforma aberta, “devem ser vendidos desbloqueados, por conta das legislações brasileiras”. A Vivo diz que a parceria é um modo de a operadora se antecipar à demanda dos clientes por aparelhos “de inovação aberta”, como ocorre com outras plataformas.

Vendo a demo em vídeo e ouvindo o conceito do projeto, me lembrei do falecido WebOS, da Palm – que tinha essa mesma ideia de rodar apps da web. Para a Vivo/Telefonica, é um bom negócio: ela apoia o desenvolvimento de uma plataforma aberta e consegue fugir de restrições de mercado de fabricantes de smartphones (oi, Apple!). Se o projeto chegar ao mundo real no final do ano ou início de 2013, com certeza a Vivo vai oferecer preços baixíssimos para aumentar o uso de internet móvel (lembre que ela é uma empresa de internet agora).

Nagano comenta: Esse projeto também me faz lembrar do Chromebook — de fato, até me surpreende que esse conceito de que  ”o computador é a rede” — (copyright 1996~2000 Larry Ellison/Oracle)  ainda não ter sido mais explorado pelo mercado, já que o Próprio Google demonstrou sua viabilidade com produtos como GMail, Google Maps, Google docs, etc. Fora isso, essa plataforma oferece um ótimo modelo de negócios para as operadoras, já que eles podem cobrar sobre o tráfego de dados, o que soa como música nos seus ouvidos. 

O que eles vão precisar mesmo é de uma Killer App que convença as pessoas a abandonarem o atual modelo de computação móvel mezza-online/mezza-offline e partir para um modelo totalmente on-line.

Ainda em tempo:

No documentário “Triumph of the Nerds” existe um trecho onde Larry Elisson confessa todo o seu ódio aos PCs ao mesmo tempo que defende a sua idéia do que hoje chamamos de computação na nuvem (e isso lá em 1996!)

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin