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Hands-on: Asus Tablet 810 (Windows 8 + Intel Atom ‘Cedar Trail’)

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No último dia em Taiwan, já tarde da noite, toca a campainha do meu quarto: era um Asus Tablet 810, modelo anunciado durante a Computex 2012 movido a Windows 8 (plataforma x86) e que, sem cobrar por hora, se ofereceu para ficar algum tempo na minha cama e depois ir embora.

Mas, como um bom profissional, o Tablet 810 impôs algumas condições de uso, já que ainda é um protótipo e muita coisa pode mudar até seu lançamento comercial, previsto para setembro deste ano.

Poderia ser fotografado e manipulado do jeito que eu quisesse – já que tinha sido fotografado à exaustão por inúmeros sites durante a Computex -, mas sem mostrar algumas informações importantes sobre o sistema operacional (que nem todo mundo viu ou teve a oportunidade de mexer com maior profundidade).

Por conta disso, algumas fotos estão com algumas partes desfocadas. E, bem, as fotos foram tiradas na cama mesmo, espero que não se importem com a bagunça ou a luz ruim – juro que o quarto estava iluminado no máximo.

O mais importante, porém, foi passar tempo com o Windows 8 em um tablet + teclado, o que muda bastante a experiência de uso e ensina algumas lições para o futuro.

O hardware

O Asus Tablet 810 é uma tela Super IPS de 11,6 polegadas sensível ao toque (10 pontos) com 1.366 x 768 pixels de resolução, mais 2 GB de RAM e 64 GB de armazenamento interno, expansível com cartões microSD.

A CPU é movida a um processador Intel Atom “Cedar Trail”, pertencente à terceira geração de chips básicos da turma de Santa Clara. E aqui vale lembrar algo que o Nagano escreveu em maio de 2011:

A Intel declarou que já está liberando para os desenvolvedores amostras do futuro processador Atom “Cedar Trail” de 32 nm, que conta com uma aceleradora gráfica ainda mais poderosacom suporte para Blu-Ray 2.0, processador de vídeo dedicado para reprodução de conteúdo em 1.080p com saída de vídeo em HDMI e DisplayPort. Entre os novos recursos, incluem os chamados Intel Wireless Music, Intel Wireless Display, PC Synch e Fast Boot.

A previsão é que os primeiros produtos baseados no Cedar Trail comecem a aparecer no mercado a partir do segundo semestre de 2011.

Estamos quase no segundo semestre de 2012 e, bem, o Cedar Trail ainda é um produto tímido, presente em poucas máquinas no mercado hoje (o pessoal do SemiAccurate explica melhor essa história em inglês). Curioso também ver um Atom rodando Windows 8, já que chegamos a ouvir rumores de mercado que isso não seria possível – pelo visto a suposta guerra fria entre Intel e Microsoft acalmou um pouco. 

A placa-mãe e bateria principal ficam no tablet, e a maioria das portas de expansão – basicamente USB – estão na base com teclado, que inclui uma bateria extra. A Asus não informou ainda a duração estimada da bateria. Com o conjunto completo, nota-se no tablet a trava para remoção da base, o slot para microSD e a entrada para headset, além do botão de liga/desliga.

Na base, uma porta USB e um dos conectores para troca de dados/carregamento da bateria.

Vendo só no tablet:

Do outro, controle de volume no tablet (à esquera) e mais uma porta USB.

Removendo o tablet da base, dá para perceber que ele é bastante fino… Abaixo dele estão o conector e a trava para o dock.

Mais visíveis, claro, na base opcional.

Na parte de cima do Tablet 810 ainda temos uma pequena portinhola que esconde uma saída microHDMI:

O Tablet 810 fechado: a sua parte traseira tem ainda uma câmera de 8 megapixels (que não estava funcionando direito, por ser um protótipo). Achei que essa parte móvel que conecta o tablet à base é um tanto frágil. Compare com o que a Asus já fez no Transformer TF101 original, com Android.

E, embaixo do dock, nada.

Uma comparação rápida do tamanho de telas: as 11,6 widescreen do Tablet 810 ao lado das 9,7 polegadas do novo iPad. Não coloquei lado a lado porque o iPad estava com uma capinha chata chata de remover.

O teclado vem com o novo botão Windows, um touchpad único clicável (estilo dos MacBooks) e várias teclas de função específicas do Win8 (como hibernar, ligar/desligar wi-fi, compartilhar telas e entrar em modo avião, por exemplo).

A fonte é similar ao que já vimos no Asus Transformer TF101, com um conector menor para o tablet apenas.

Além disso, o Tablet 810 vem ainda com acelerômetro, giroscópio, bússola eletrônica, sensor de luz, GPS e NFC.

O Windows 8 no Tablet 810

Já disse mais de uma vez: o Windows 8 terá experiência completa apenas em equipamentos com tela sensível ao toque. Teclado e touchpad funcionam bem com ele, mas a Microsoft precisa ensinar tudo de novo ao consumidor, já que nem tudo que se faz com o dedo se faz com o cursor do mouse – ou não da mesma maneira. Aqui, nota-se que o acelerômetro funciona ;P

A interface Metro é o padrão. (ainda continuo querendo saber como o Windows 8 vai se fundir com o Windows Phone, mas isso é outra história).

De pé, a proporção da tela fica estranha (pelo menos pra mim).

E um toque no botão Windows leva sempre para a tela principal.

Para buscar aplicativos sem o dock – tanto para Metro quanto para a interface desktop clássica – o campo de buscas ativa um teclado.

Inserido no dock, o Tablet 810 se torna um notebook convencional, tanto com interface Metro…

…quanto com o velho e bom desktop (agora, sem botão Iniciar!)

Aproveitei para ligar o Wi-Fi. Demorou um pouco, mas funcionou.

Acessei a lojinha (que, espero, vai tornar inúteis os inúmeros sites de download mundo afora):

O Bing Mapas:

E o ZTOP via Internet Explorer no Metro. Opa, não tem Adobe Flash! Cadê o vídeo que estava aí no destaque?

Ao abrir o IE no modo desktop, tudo volta ao normal.

Mas no Metro… zero flash mesmo.

Outra solução é baixar um navegador alternativo, como o Chrome:  ele só vai rodar no modo desktop, apesar de aparecer na lista de apps no Metro. Isso vai causar confusão com o usuário leigo.

Ainda no desktop, fui ao Painel de Controle ver mais dados sobre o sistema: olha o logo grande do Windows 8 aí (rodando na CPU Intel de 1,8 GHz). E é um sistema com “suporte completo a caneta e toque” (uia!).

Nas configurações de hardware, os ajustes para toque e caneta (a Asus diz que um dos opcionais será uma caneta Wacom)

Mas voltando ao modo desktop, um desafio ao usuário que cresceu usando PCs com botão Iniciar: cadê? cadê? Como eu acho um aplicativo no desktop?

Resposta: voltando ao Metro! Ao digitar a primeira letra de um app, o Win8 abre o campo de buscas… e ao clicar no nome do app…

… você volta para o desktop.

Outra situação curiosa envolvendo toque/touchpad é a multitarefa: com seu dedo, você alterna entre apps na tela arrastando da esquerda para a direita (se pressionar por mais tempo, aparece uma listinha de apps abertos – como ocorre nos tablets Android).

E como faz com o teclado/mouse/touchpad? Outra questão a se ensinar ao usuário – o dedo vai direto na tela (com o cursor do mouse, porém, é preciso posicionar no canto esquerdo e esperar um pouco… o mesmo vale pra ativar o painel de configurações no canto direito da tela).

Ainda nas configurações do PC, gostei de ver duas coisas: opções para zerar o Windows sem apagar seus dados… (o “Refresh your PC”).

E ver a Microsoft inserir mais opções de sincronização de dados com a conta da Microsoft.

Mais um pouco das configurações…

E, claro, tem que deixar tudo laranja no final.

Tá, mas e se der CTRL-ALT-DEL no teclado do tablet? Aparece isso aqui:

E se quiser, abrir o novo e incrível gerenciador de tarefas, cheio de detalhes sobre cada app (mmm).

Depois de meia hora, soou um alarme e o Asus Tablet 810 disse que teria de ir embora para outro compromisso profissional. Valeu por vê-lo com mais calma fora da zona que é o chão de uma feira como a Computex, e ter tempo de fuçar melhor em alguns detalhes do sistema operacional novinho em folha (e alô Microsoft, pense em como educar o usuário com essa nova interface – ou vai dar confusão!)

Vale lembrar que a Asus não divulgou ainda nem preço nem data de lançamento do Tablet 810, mas acredito que um esforço conjunto entre Microsoft e Asus deixará o produto em bastante destaque durante o anúncio do Windows 8, previsto para setembro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin