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As próximas gerações e o mundo corporativo

Estou no Citrix iForum 2006, conferência de clientes e parceiros da Citrix em Orlando. Conferências técnicas começaram ontem, hoje foi o keynote do executivo-chefe da companhia, Mark Templeton.

Embora seja um evento cheio de detalhes técnicos, demonstrações sobre virtualização, thin clients e os inúmeros parceiros de negócios da Citrix, Templeton não fez o tradicional discurso de “vamos falar de todas nossas novidades” comum a esse tipo de evento. Pelo contrário, ele ajudou a entender algumas coisas que, para a indústria de tecnologia em geral, pode ser irrelevante, mas é necessário para entender o futuro (da tecnologia, do consumo, do marketing, da vida em sociedade): a próxima geração de consumidores. (na verdade, foram cinco tópicos principais, mas esse foi o que mais me chamou a atenção).

Baseado em estudos feitos por um instituto chamado Yankelovich (que, por acaso, foi quem cunhou o termo “Geração X”), as empresas têm que se preparar para a nova geração, denominada “Echo”. (basicamente quem nasceu entre 1979 e 1986), começa a chegar ao mundo corporativo e acha tudo… muito chato.

A principal caracterí­stica da geração Echo é a necessidade extrema de estar no controle de tudo – o que explica o sucesso de coisas como MySpace ou NikeID (que vende tênis personalizados pela web). “Diga o que você quer fazer” é uma espécie de mantra. para quem precisa falar com essa geração. “A Web 2.0 vai levar para a Empresa 2.0, e precisamos estar prontos para isso”, afirmou Templeton.

Como assim empresa 2.0, sr. Templeton? “Nas companhias, pense nos dólares que são gastos fora do orçamento de TI. Provavelmente 80% dos produtos da Citrix Online não estão nesse budget”. É estranho pensar em “gerações” quando se pensa em tecnologia, usuários e no mundo corporativo em geral. O conceito central do evento (e da própria Citrix) é “um mundo onde todos possam trabalhar de qualquer lugar” e, por que não, fazer dessa idéia um mundo melhor.

Templeton falou também do Project Kent, codinome de um projeto para empresas que precisam lidar com sistemas de emergência em caso de desastres – furacões, terremotos, pandemias, inundações etc. Basicamente é um software que centraliza informações de funcionários, distribui alertas (por e-mail, SMS) e leva o escritório para onde o empregado estiver, mesmo em condições adversas (ele só precisa de um kit de emergência (literalmente), com um pen drive USB e um fone/microfone de ouvido) que funcionam, teoricamente, em qualquer PC com Windows. O curioso da história é a Citrix ter desenvolvido isso – a sede deles é em Fort Lauderdale, aqui na Flórida, alvo constante de furacões.

E, finalmente, como qualquer bom congresso, tem a exposição. Microsoft mostra Windows Vista e Longhorn Server, Intel e Philips têm protótipos de thin clients para uso em medicina, AMD, IBM, Dell, Nokia e, claro, a Citrix têm seus stands. Duas fabricantes americanas (Wyse e Neoware) de thin clients têm diversos modelos de… thin clients, claro. O que mais me chamou a atenção foi um thin client com design de notebook, rodando Windows XP embedded e acessando (e gravando) dados só na rede corporativa. Se roubarem o notebook, os dados estão a salvo. Esperto, não? Vai custar US$ 799.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin