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Cinco minutos com o Windows RT em tablet ARM

Existe um pequeno enigma na Computex 2012, e ele se chama Windows RT, o sistema operacional da Microsoft para processadores com arquitetura ARM. Onde estão os tablets?

A Asus, que anunciou seu Tablet 600 com esse sistema, mantém o bicho protegido por uma redoma de vidro em seu estande no pavilhão de Nangang (onde estão os grandes fabricantes – os demais pavilhões no centro da cidade têm, em sua maioria, fornecedores de componentes para computador e tralhas em geral):

Por outro lado, seu irmão Tablet 810, com Windows 8 (e plataforma x86) pode ser manipulado à vontade:

O mesmo vale pra Nvidia, que fornece o chip Tegra 3 para o Asus Tablet 600 e também trancou o bichinho no vidro.

Dá para ver apenas as animações da tela:

Reza a lenda que quem não deixa mostrar é a tia Microsoft (ah vá).

Em compensação, o pessoal da Qualcomm tem um modelo de referência com Windows RT  (logo, que não será comercializado) disponível no seu quarto de demonstrações em um hotel no centrão, bem ao lado do Taipei 101. Esse a tia Microsoft deixa mexer.

A boa notícia? Esse tablet-conceito pode ser fuçado à vontade:

Aproveitei para descobrir se tem alguma diferença muito visível entre o desempenho do Windows RT em relação ao Windows 8 nos tablets e híbridos.

À primeira vista, a resposta é um grande e sonoro “não”. Tudo flui com rapidez, sem engasgos (veja no vídeo acima) e parece que a experiência é a mesmíssima do Win8. A única diferença, claro, está no tipo do processador.

Pra quem acha que WinRT seria apenas a interface Metro, a primeira surpresa: tem um desktop escondido ali.

E olha só a tela do painel de controle | sistema: tem um processador Qualcomm Snapdragon S4 de 1,51 GHz e 2 GB de RAM. O sistema operacional é de 32 bits para processadores ARM.

E, como eu já disse, a experiência é a mesma, seja na multitarefa…

Dentro de aplicativos como vídeo…

… fotos …

… e mais fotos.

Tudo isso, no fim das contas, só serve para confirmar minha teoria de que o futuro número dois em tablets (e ainda bem atrás do iPad) será a Microsoft, não o Google. Alô Microsoft e fabricantes de hardware: façam um preço decente, sigam com a ideia de que “Windows todo mundo sabe usar” e pronto, o produto é campeão de vendas.

Some a isso o investimento pífio que o Google fez em tablets nos últimos meses (tablets, não fones – Android 4.0 é incrível para superfones) e pronto, um novo mercado se expande.

Vale lembrar também que a Intel disse aqui na Computex que já tem 20 projetos de tablets Win8 com fabricantes usando o  novo chip Atom (codinome “Clover Trail”)  a caminho, contra zero um tablet híbrido da AMD (!) e um com arquitetura ARM (o da Asus). E a Microsoft ainda não liberou uma versão aberta de testes do Windows RT (se é que vai fazer isso, já que um consumidor final não tem onde testar isso, certo?). Agora o negócio é esperar setembro e ver o que a turma de Redmond prepara até lá.

 

 

 

 

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin