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Minha vida 4G: como fui para o LTE

Não se vê testes de vida real de 4G por aí hoje nos sites de tecnologia: as operadoras estão mudas sobre isso.

Você manda e-mails que ficam sem resposta (Vivo). Ou vêm com respostas “não temos SIM card para emprestar” (Claro).

Chamo isso de zelo máximo:  medo de a rede não funcionar direito, a área de cobertura ser uma droga ou medo de jornalista falar bobagem sobre o tema. Mas sou consumidor também e consigo comprar um plano como pessoa física e, por conta disso, vou passar a relatar minhas experiências com o 4G brasileiro aqui no ZTOP.

Como fui para o 4G?

Ontem passei na loja da Vivo e consegui ajustar meu plano (redução de R$ 200/mês) e saí de lá com meu Nokia Lumia 920 já com um SIM card LTE.

Em tempo: a conta da operadora é paga do meu bolso e não tenho ou recebo nenhum desconto ou benefício por falar disso.

Como consegui a redução? Simples: fizemos as contas e, em duas linhas, não precisávamos de 400 minutos/mês e 6 GB de dados (1 Gb da linha principal e 5 Gb adicionais para a minha). Era uma conta cara e que ficava mais cara todo mês porque não tinha pacote de SMS (sério).

O consumo estava na média em menos de 100 minutos nos últimos meses e 1,5 Gb de dados (500 Mb/1 Gb). Na ponta do lápis, compensava trocar o plano familiar por um plano novo 4G para smartphone ilimitado de 100 minutos/mês e 4 GB de internet com Multivivo (no nosso caso, R$ 199 + R$ 49 por aparelho adicional com voz e dados). É caro, mas mais barato que o plano anterior (o ultrajante Vivo Smartphone 400). Na média, R$ 125 por pessoa, que é o que eu gastava anos atrás com a TIM (antes de o 3G dela degringolar de vez e migrar pra Vivo).

Confesso que dei sorte: ir a lojas de operadoras é sempre um inferno de espera e o atendimento na quinta à tarde foi excelente (típico dia que você separa horas para resolver um problema, e deu certo).

O único custo adicional à conta será um aparelho novo (para a patroa, em suaves parcelas): trocamos um monte de pontos e por R$ 464 levamos um Samsung Galaxy Express pra casa, que vai aparecer nos testes por aqui também.

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Preços de aparelhos topo de linha 4G, mesmo com troca de pontos, são tão proibitivos quanto o aparelho desbloqueado (Galaxy S4 4G por R$ 1.600, Galaxy S3 LTE por R$ 1.300 e por aí vai). A atendente disse ainda que tem muito cliente irritado porque o iPhone 5 não “fala” com nossas redes 4G e que o Blackberry Z10não decolou ainda por falta de propaganda“.

Os modelos mais em conta eram esse da Samsung e um Nokia Lumia 820, e ela preferiu da Samsung – afinal, o Instagram não funciona direito ainda no Windows Phone (só na gambiarra). Eu paguei R$ 10 pela troca do SIM card 3G para o 4G.

Troquei o chip do aparelho na loja mesmo e em instantes o “L” apareceu no topo da tela do 920 (Renata ainda não usou o Galaxy Express: está ainda migrando contatos e instalando apps).

4G em São Paulo: primeiras impressões

Saí da loja da Vivo por volta das 17h15. Baixei e-mails rápido (a sensação, pelo menos, foi de maior velocidade) e subi uma foto de teste para o Instagram. Usando o Instance (ex-Itsdagram), que trava muito por causa da conexão, o upload foi bem mais veloz que a média.

Voltei pra casa e percebi, no caminho (1h de trânsito) os primeiros efeitos colaterais do 4G: sua internet fica mais rápida, porém sua bateria drena bem mais rápido também. Pela primeira vez desde fevereiro percebi que o Lumia 920 estava com a parte traseira bem mais quente.

Fazendo um pouco de pesquisa nos contratos da Vivo, descobri que os contratos mostram os  limites de velocidade média estipulada – o famoso “vou prometer pouco, posso entregar mais que isso, se alguém reclamar da lentidão, está no contrato“.

Para 3G, o valor é de 500 Kbps para download/50 Kbps para upload, planos 3G Plus (HSDPA+), 1,5 MBps/150 Kbps e, finalmente, no plano 4G, 5 Mbps de download e 500 Kbps para upload. Pelo menos no contrato, o 4G da Vivo é 10 vezes mais rápido que o 3G da Vivo, e a operadora usa esse número em suas peças de marketing.

No papel, não parece promissor:  na teoria, de acordo com a 4G Americas, o LTE poderia entregar 300 Mbps (imagino que isso é a capacidade da estação rádio-base para distribuição de banda entre múltiplos usuários simultâneos).

Ainda estou definindo os benchmarks de velocidade no Windows Phone, mas encontrei algo mais ou menos parecido com isso aqui em casa.

Velocidade média de 5 Mbps para download com picos de 7 Mbps em um aplicativo (“Nova Zumbilândia” é minha rede Wi-Fi conectada ao serviço NET Virtua de 20 Mbps):

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Em outro app, os números foram mais animadores: pico de 14 Mbps para download/1 Mbps para upload. Esse Network Speed Test foi desenvolvido pela turma da Microsoft Research e me pareceu mais confiável:wp_ss_20130719_0002 wp_ss_20130719_0003

Finalmente, com o onipresente (e confiável) Speedtest.net: 12,2 Mbps de download/0,75 Mbps de upload.

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É rápido?

Bem acima da média que encontrava com o serviço 3G tenebroso que a Vivo oferece aqui em São Paulo (não tive a boa ideia de medir antes da troca). Cansei de ficar sem conexão em áreas importantes da cidade (Berrini, Paulista) por causa da rede sobrecarregada. Agora com 4G, a coisa pelo menos parece funcionar melhor, em uma impressão rápida das menos de 24 horas de uso da nova rede.

Bônus para a rede da Vivo: o mapa de cobertura 4G em São Paulo mostra um vazio nas ruas do meu bairro:

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Só que mesmo com isso a rede LTE funciona bem por aqui (estou no momento com variação de um a três traços de sinal no Lumia 920). Em caso de falta de cobertura 4G, automaticamente navego em 3G ou 3G+.

E a bateria?

Recarreguei ontem à noite o Lumia e hoje estava com 97% de bateria às 8h da manhã (deixo rede móvel desligada à noite para economizar carga).

Só com a sincronização de e-mails ligada e update de meia dúzia de apps, comecei a escrever este post às 9h30 com isso de carga:

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E agora (10h45):

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Próximos passos do 4G no ZTOP:

  • contar a experiência real do produto/serviço oferecido ao consumidor final
  • aparelhos 4G no mercado hoje: vamos testar tudo de novo? (meu guia de supersmartphones está quase pronto, mas não vai incluir 4G). Vale lembrar que só temos aparelhos com Android ou Windows Phone 8 e com exclusividade de chips da Qualcomm no mercado brasileiro.
  • escolher alguns locais da cidade de São Paulo para medição mensal de velocidade e tirar a média no fim do ano
  • quando der, ver como é o 4G em outras cidades (Curitiba já está na nossa lista no final do mês)
  • Dúvidas, comentários, sugestões: a caixa de comentários está aí embaixo.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin