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3G no Brasil: começou a corrida

Telefonia celular 3G no Brasil, em termos de velocidade de acesso, existe desde que a Vivo lançou seu serviço EVDO na metade de 2005 – uma rede excelente para acesso a dados que acabou focada em grande parte no mercado corporativo, já que a Vivo migrou pro GSM também. Agora os recursos mais atraentes da plataforma 3G baseada na evolução das redes GSM chegam inicialmente pelas mãos da Claro.

A rede 3G estréia agora (amanhã!) no Distrito Federal e nas regiões metropolitanas do Recife e de Fortaleza. Em Porto Alegre, os serviços começam a funcionar em 20 de novembro e, finalmente, as capitais de São Paulo e Rio de Janeiro ganham seu 3G no iní­cio de dezembro.

Dois fatores que importam pra mim no 3G:

  1. Velocidade de acesso: estimados 3,6 megabits (mais que muita conexão com fios por aí­) e com promessa de aumentar esse valor ao longo do tempo. Além dos celulares compatí­veis (inicialmente, modelos da Nokia, LG, Samsung, HTC, Palm e Sony Ericsson), a Claro vai vender placas PCMCIA e modems USB 3G (da Giant e da Huawei) para uso no notebook, com planos de 500 KBps e 1 MBps. No celular, 1 MB avulso vai custar R$ 6, aproximadamente. Vale a velha máxima: se quer dados no celular, compre um plano com essa opção já no seu pacote de minutos.
  2. Pro usuário final, um recurso divertidí­ssimo vai ser o carro-chefe para atrair os clientes: chamadas em ví­deo na tela do celular. Se vai funcionar com outras operadoras quando elas tiverm 3G é outra história. As demonstrações ao vivo funcionaram bem, vamos ver quando tiver um monte de gente pendurada na rede simultaneamente. Uma chamada avulsa em ví­deo custa R$ 0,60 por minuto. Downloads rápidos no aparelho, TV ao vivo e até IPTV serão possí­veis com 3G também.

A Claro, entre as operadoras GSM, sai na frente com 3G porque está utilizando uma frequência que ela já tinha os direitos de uso (lembra do velho TDMA da BCP? Agora ele morreu mesmo), que é a de 850 MHz. Aqui tem uma pegadinha para os donos de aparelhos desbloqueados compatí­veis com redes 3G (ou porque comprou no varejo ou trouxe do exterior): provavelmente esse telefone opera em 3G na frequência de 2.100 MHz (não vai funcionar na rede da Claro agora), que ainda vai ser leiloada pela Anatel (e a Claro diz que vai brigar por essa frequência também).

Perguntei pro João Cox, presidente da operadora, como ficam esses clientes (da Claro, da TIM, da Vivo) que têm um aparelho 3G desbloqueado e querem os serviços (sem saber que seu telefone é incompatí­vel). A resposta foi direta: “Se o aparelho veio dos EUA, eles usam 850 MHz lá e pode ser usado na nossa rede. Se é 2.100 MHz, vem falar com a gente que o cliente não fica sem serviço aqui não.” (indicando que, sim, vai cativar clientes novos com a troca de aparelhos e polí­ticas de descontos). Pra não dizer que a Claro foi a primeira, semana passada a Telemig Celular anunciou seu 3G.

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Em tempo: o assunto iPhone no Brasil veio í  tona. Cox disse que “a América Móvil está negociando para o grupo todo, mas se vier só será na metade de 2008 em diante”. Quem sabe até lá a Apple não lança um iPhone 3G, não acham?

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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